Então um dia você se sente o último dos homens. O mais vil, o mais covarde, o mais vicioso, o mais pusilânime, o mais corrupto, o mais feio, o mais doente, o mais louco, o mais perdido. E você pensa que, no Dia, seu caso não vai consumir mais que alguns centésimos de segundo para o veredicto: CULPADO. Antes que a última sílaba da palavra seja pronunciada por Deus, você será lançado às trevas exteriores, onde há choro e ranger de dentes.
Então um dia você sofre como se um arranha-céu houvesse desmoronado sobre sua alma. E o pior é que você merece. Merece sofrer, merece ouvir as palavras mais rudes e sarcásticas de lábios que já o amaram tanto. Você é uma farsa, cara.
É hoje esse dia, esta noite. É uma dor tão intensa que o compele a escrever, para provar que ainda vive, apesar de ser o último dos homens. Para provar que ainda é capaz de linguagem. Para provar, sabe-se lá por quê, a existência de carne, pele, osso, alma, vírgula e ponto.
Um dia você foi minha linguagem, mulher. E pelo fato de ter sido, continuará sendo, ainda que eu seja o último dos homens. E sou.
Publicado em 20 de agosto de 2005 às 20:17 por briguet
Ps. Não desista. Você ainda pode ser pior.