Archive for May of 2005
Morro
May 31, 2005
Não importa para onde vá,
eu morro.
Morro se ficar, morro se partir,
Morro se sair a soluçar
ou se sorrir.
Não importa para onde eu ande,
eu morro.
Morro se beber água do mar;
se não beber, morro de sede.
Morro se comer demais,
morro se correr de menos,
com predador ou com rede,
os peixes morrem pela boca:
médios, grandes e pequenos.
Morro por conhecimento,
morro por ignorância,
morro por um pé de vento,
morro como uma criança.
Morro como um canibal,
que, vegetariano, sacumé,
come a flora intestinal,
as duas plantas do pé
e ambas maçãs do rosto.
Morro, morro de desgosto,
a morte me dá um olé.
Morro de morte matada
ou morrida, em segredo
e, mesmo morrendo de velho,
morrendo de rir e de tédio,
morrer eu morro de medo.
Morro como morre a mosca,
morro como morre o cão.
Treino com sono profundo.
Morro até de forma tosca:
não viro vinho nem pão.
Morro, como todo mundo,
quando assim quiser a sorte.
Mas, sete horas, me acorde.
eu morro.
Morro se ficar, morro se partir,
Morro se sair a soluçar
ou se sorrir.
Não importa para onde eu ande,
eu morro.
Morro se beber água do mar;
se não beber, morro de sede.
Morro se comer demais,
morro se correr de menos,
com predador ou com rede,
os peixes morrem pela boca:
médios, grandes e pequenos.
Morro por conhecimento,
morro por ignorância,
morro por um pé de vento,
morro como uma criança.
Morro como um canibal,
que, vegetariano, sacumé,
come a flora intestinal,
as duas plantas do pé
e ambas maçãs do rosto.
Morro, morro de desgosto,
a morte me dá um olé.
Morro de morte matada
ou morrida, em segredo
e, mesmo morrendo de velho,
morrendo de rir e de tédio,
morrer eu morro de medo.
Morro como morre a mosca,
morro como morre o cão.
Treino com sono profundo.
Morro até de forma tosca:
não viro vinho nem pão.
Morro, como todo mundo,
quando assim quiser a sorte.
Mas, sete horas, me acorde.
Confissões de um sonegador
May 31, 2005Sim, eu sou um grande sonegador. Por isso, escrevi uma carta ao fiscal da Receita. Leia aqui.
Como todos os grandes sonegadores são presos no Brasil, aguardo sua visita na cadeia.
Da minha transformação em cavalo
May 30, 2005
Comecei a virar cavalo no dia em que tentei falar e saiu um relincho, tentei andar e saiu um galope, tentei criticar e saiu um coice. Quando fui ver, meu pé já era um casco, meu cabelo já era uma crina.
Comecei a virar cavalo de uma forma tão natural que os mais íntimos apenas pensaram que eu estava ficando mais alto e mais forte. Quem vive muito perto de nós não enxerga mudanças; só tive certeza de que havia me transformado em cavalo no dia em que pedi uma pizza por telefone. Quando abri a porta e o entregador me viu, gritou:
– É um cavalo!
Nesse dia, deixei de dormir na cama e fui procurar um estábulo.
Não me interessavam mulheres; procurava éguas. A pizza, deixei de lado; minha vontade – imensa – era de comer feno e de beber água em quantidades incríveis. Quantidades cavalares.
Talvez a mudança para cavalo já estivesse inscrita em meu código genético; talvez ela decorra de fatores ambientais.
Anatomia é destino, já dizia Napoleão, aquele do cavalo branco. Estava certo: tenho muita dificuldade em digitar este texto com minhas próprias patas.
Mas eu só queria dizer isso: sou capaz. Sou capaz, sou capaz de pensar, sou capaz de entender, sou capaz de sorrir e sofrer. Só não me peçam para ser sutil e delicado. Agora vou cavalgar dentro da noite.
Chega de ser vagabundo
May 30, 2005É. Demorou um pouco, mas chegou a hora de dar a minha cota de sacrifício. Durante todo esse tempo estive enganando a todos. A verdade é que eu fingia trabalhar. Sempre ganhei a vida com muita facilidade, contrariando a punição bíblica: “Ganharás o pão com o suor do teu rosto”. Trabalhei – até hoje, mas só até hoje – com um olho no serviço, o outro no relógio. Trabalhei sem o mínimo de carinho ou cuidado pelo que fazia. Mesmo assim, cheguei à riqueza. Só não vivo de rendas porque isso atrairia a atenção do Fisco. Agora, no entanto, a coisa apertou. A água bateu na bunda (só a água, rapá, tá pensando o quê?!). A partir de hoje, vou doar meu sangue, meu suor, minhas lágrimas, meu líquido cervical e até – se assim preciso for para o teste de DNA – minha pele ao trabalho. É isso: ao trabalho.
Admirável homem velho
May 30, 2005
Houve um tempo em que o degas aqui gostava do Homem Novo. (Quequié, tá me estranhando? Homem Novo no sentido sociológico, rapá!)
*****
Priscas eras em que eu queria o Ser Total. Queria ser o Ser Genérico do Carlão Marx. Queria o Reino da Liberdade, no lugar do Reino da Necessidade.
*****
Hoje, cruz credo. Quero o homem velho. O homem do passado. O ser mínimo e individual. O Reino do Céu, no lugar do Reino dos Infernos (sei que vai acabar rolando no mínimo um Purgatorião, mas não se pode ganhar sempre...).
******
A ficção (Orwell, Huxley, Brodsky e Koestler) e a realidade (Stálin-Lênin, Mao, Hitler, Castro) já mostraram aonde levam essas nobres ideinhas.
*****
Carlão Marx? Azulivre. O fino é Groucho Marx.
*****
Se a cidadania é o oposto da idiotia, eu quero ser idiota. Se a responsabilidade social é a regra, eu prefiro ser o irresponsável individual (pelo menos assim não ferro os outros). Compaixão conservadora, em vez de “ação transformadora”.
*****
Daí que um conservador me parece bem mais confiável que um revolucionário. Um conformista me parece bem menos perigoso que um revoltado.
*****
Exemplo? Semana passada, dois assaltantes entraram atirando a esmo numa padaria daqui. Acertaram duas moças que nada tinham a ver com o pato. Motivo? Os caras não tinham conseguido roubar uma moto.
*****
É essa a “semente do Homem Novo”? Eu fico com o homem velho.
*****
Priscas eras em que eu queria o Ser Total. Queria ser o Ser Genérico do Carlão Marx. Queria o Reino da Liberdade, no lugar do Reino da Necessidade.
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Hoje, cruz credo. Quero o homem velho. O homem do passado. O ser mínimo e individual. O Reino do Céu, no lugar do Reino dos Infernos (sei que vai acabar rolando no mínimo um Purgatorião, mas não se pode ganhar sempre...).
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A ficção (Orwell, Huxley, Brodsky e Koestler) e a realidade (Stálin-Lênin, Mao, Hitler, Castro) já mostraram aonde levam essas nobres ideinhas.
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Carlão Marx? Azulivre. O fino é Groucho Marx.
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Se a cidadania é o oposto da idiotia, eu quero ser idiota. Se a responsabilidade social é a regra, eu prefiro ser o irresponsável individual (pelo menos assim não ferro os outros). Compaixão conservadora, em vez de “ação transformadora”.
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Daí que um conservador me parece bem mais confiável que um revolucionário. Um conformista me parece bem menos perigoso que um revoltado.
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Exemplo? Semana passada, dois assaltantes entraram atirando a esmo numa padaria daqui. Acertaram duas moças que nada tinham a ver com o pato. Motivo? Os caras não tinham conseguido roubar uma moto.
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É essa a “semente do Homem Novo”? Eu fico com o homem velho.
Poema do erro
May 28, 2005Tem um erro, ela disse.
Tem um erro bem aqui.
Há sempre um erro no universo.
Um verso certo eu nunca vi.
Há sempre um erro fatal,
um erro primário,
um erro crasso.
Um erro de itinerário,
um erro de tempo e de espaço.
Nada há coisa mais crassa,
no fundo, que um erro,
desgraça do mundo.
Decerto,
há coisas que o erro não é.
O erro não é a falha,
o erro é de boa-fé.
O erro não é a mentira;
o erro, ou coisa que o valha,
é quase sempre a verdade.
Independe da vontade;
o erro é o que se respira.
O erro é o desterro das coisas
um dia tomadas por certas.
Da razão, é a via aberta,
resposta comum de um problema.
O erro é o x da questão,
é a alma do sistema.
O erro é o verso em prosa.
O erro é um erro é um erro,
é uma rosa de erros sem rosa.
O erro é meu deus, é meu lema,
o erro é o acerto sem volta.
O erro divide, o diabo,
na hora de fazer as vezes.
O erro é um ano, malgrado
insista em ter 13 meses
e a curva do quadrado.
O erro é divino, é sagrado.
Quem diz que errar é humano
tá redondamente enganado.
O repórter desce ao Inferno
May 27, 2005Ontem visitei o Inferno.
Meu esporte preferido.
Vi um homem de nuvem,
uma sombra de facas,
um cão sem pernas,
gritaria de cavalos,
12 cavalos incendiados
pelo chumbo,
sete amas-de-leite
adormecidas na tundra.
Meu pai tentava dizer
alguma coisa em romeno.
Abri uma geladeira
de fígados e corações.
Cerveja e água,
cerveja e água,
esperma e musgo.
Vi as poetas suicidas
vagando sem cabeça
pelo tempo descontínuo.
Vi o príncipe do tempo
com seu hálito de vulcão.
E quando o relógio tocou
para avisar-me do mundo,
eu não era mais eu mesmo.
Tremor nas mãos, o telefone.
– Janaína, não consigo acordar!
– Consegue sim, consegue sim.
Fui ao Inferno.
Fui ao Inferno e voltei.
Apenas por isso ontem
faltei à Quinta Sem-Lei.
– Janaína, não consigo respirar!
– Consegue sim, consegue sim.
Estrela mínima
May 25, 2005Sylvia foi embora aos 30.
Aglaja despediu-se aos 40.
Entre as duas mulheres,
eu me escondo
sob o velho cobertor do medo.
Ouço as teclas,
o disco a girar, girar à luz
até que o último compasso
traga o escuro.
O sono
diante da tela.
Meu cobertor
é mais velho que eu.
Sylvia e Aglaja me observam
com olhos do fundo do medo.
Vem! Vem!, elas dizem.
Não vou.
Melhor
um gole de conhaque.
A noite dá em mim
com seu lastro de danos
e gritos engarrafados.
Chamo um táxi,
vou pra casa,
peço um lanche,
mas não acordo
quando chega o entregador.
No sonho,
a garota de cabelos curtos
dança música latina.
Sylvia e Aglaja assistem
a tudo.
Vem me salvar,
estrela mínima do Pilarzinho.
Vem me salvar.
É triste ser cavalo
May 24, 2005Eu digo que é triste ser cavalo. Ao contrário dos humanos, nós cavalos lembramos exatamente como e quando nascemos. E aprendemos a andar logo nos primeiros segundos de vida. Quem vê um bebê cavalo e um bebê humano jamais poderia imaginar que este virá a dominar aquele. Filhotes de cavalos parecem espertos, fortes e ágeis. Filhotes de humanos parecem perdidos, fracos e lentos; só o que sabem fazer é chorar. É uma injustiça que o mundo seja humano, e não eqüino.
Cavalos não choram. Cavalos só bebem água. Depois de domesticados, cavalos nem mesmo podem se revoltar. Hoje eu vivo nas ruas de Londrina, transportando uma carroça fétida cheia de entulho e papelão. Meus dois senhores são meninos de camisetas furadas e pés sujos, que têm no chicote um de seus passatempos prediletos.
Há uma parte das minhas costas que sempre está em carne viva – é o caminho do chicote. Minhas pernas tremem e vacilam, mas eu não posso deitar – como todos sabem, cavalos não podem deitar. Meus músculos realizam movimentos involuntários, aquilo que os humanos chamam de tiques, mas que eu chamo apenas de dor.
Às vezes gostaria de tomar um porre de cachaça, para saber – e também para mostrar a esses meninos – como se comporta um cavalo bêbado. Gostaria de invadir um desses locais que vocês chamam de bares e quebrar muitas garrafas com a força que ainda resta em meus cascos. Beber, beber mais que a água de todo santo dia. E relinchar como um de meus ancestrais – um daqueles colossos de crinas compridas, monstros de liberdade e loucura que os humanos primitivos nem sonhavam em domesticar.
Mas tudo que me resta é olhar para frente; sentir o tumor na minha pata dianteira esquerda; avançar; parar; avançar; parar; lembrar; esquecer; refletir.
E, um dia, deitar.
Eu não acredito...
May 23, 2005
... em política, em progresso, em mudanças, em especialistas.
... em formadores de opinião, em receitas para não ficar bêbado, em cinema nacional, em “vamos pedir a saideira”.
... em código de ética, em código do consumidor, em código de trânsito, em fóruns profissionais, em democratização (de qualquer coisa: jornalismo, artes, o condomínio, a Pastelaria Utopia, o prostíbulo, a casa de massagens, o bacanal das calouras).
... em voto útil, em voto de protesto, em voto de cabresto, em voto “consciente”, em voto.
... em professores, juízes, secretários.
... em jacobinos e girondinos, bolcheviques e mencheviques, a linha russa e a linha chinesa, a guerra de guerrilhas e a guerra de posições.
... em tribunais de justiça, tribunais internacionais, tribunais de tribunais, superiores tribunais, tribunais de exceção, tribunas livres.
... no povo, no não-povo, em quem diz saber quem é o povo.
... em “unidos venceremos”, em “você aí parado também é explorado”, em “arroz, feijão, saúde, educação”.
... em mestrado, doutorado, PhD, bacharelado, supletivo, “conscientização”, “agilização”, “flexibilização”, “foro adequado”, “jornalismo-denúncia”, “reportagem investigativa”, “entrevista explosiva”, “declaração contundente”.
... em poliglotas, em janotas, em hippies, em multimídias, em produtores, em palestrantes, em polemistas, em “socialmente responsáveis”.
... em comunismo, em socialismo, em anarquismo, em coletivismo e – chato dizer – em capitalismo (mas o capitalismo não precisa que ninguém acredite nele, exceto os interessados).
... em flexões, em reflexões, em diplomas, em novas tecnologias, em futebol.
... em mesas redondas, em mesas brancas, em viradas de mesas, em bater na mesa.
... em opiniões abalizadas, em análises serenas, em descrições fidedignas, em testemunhas oculares.
... em provas materiais, em fortes indícios, em “tudo leva a crer”, em óbvios ululantes, em livres-pensadores.
... em esquerda, em direita, em centro, em realismo, em concretismo, em imagismo, em congressos, em ciclos de debates, em grupos de trabalho, em agendas positivas, em “rigorosa apuração dos fatos”, em “destaques da última semana”, em sobe-e-desce da Veja, em participação nos lucros, em alternativa para a crise, em plano B, em poder de barganha, em, em, em.
Acho que eu só acredito mesmo em Deus.
... em formadores de opinião, em receitas para não ficar bêbado, em cinema nacional, em “vamos pedir a saideira”.
... em código de ética, em código do consumidor, em código de trânsito, em fóruns profissionais, em democratização (de qualquer coisa: jornalismo, artes, o condomínio, a Pastelaria Utopia, o prostíbulo, a casa de massagens, o bacanal das calouras).
... em voto útil, em voto de protesto, em voto de cabresto, em voto “consciente”, em voto.
... em professores, juízes, secretários.
... em jacobinos e girondinos, bolcheviques e mencheviques, a linha russa e a linha chinesa, a guerra de guerrilhas e a guerra de posições.
... em tribunais de justiça, tribunais internacionais, tribunais de tribunais, superiores tribunais, tribunais de exceção, tribunas livres.
... no povo, no não-povo, em quem diz saber quem é o povo.
... em “unidos venceremos”, em “você aí parado também é explorado”, em “arroz, feijão, saúde, educação”.
... em mestrado, doutorado, PhD, bacharelado, supletivo, “conscientização”, “agilização”, “flexibilização”, “foro adequado”, “jornalismo-denúncia”, “reportagem investigativa”, “entrevista explosiva”, “declaração contundente”.
... em poliglotas, em janotas, em hippies, em multimídias, em produtores, em palestrantes, em polemistas, em “socialmente responsáveis”.
... em comunismo, em socialismo, em anarquismo, em coletivismo e – chato dizer – em capitalismo (mas o capitalismo não precisa que ninguém acredite nele, exceto os interessados).
... em flexões, em reflexões, em diplomas, em novas tecnologias, em futebol.
... em mesas redondas, em mesas brancas, em viradas de mesas, em bater na mesa.
... em opiniões abalizadas, em análises serenas, em descrições fidedignas, em testemunhas oculares.
... em provas materiais, em fortes indícios, em “tudo leva a crer”, em óbvios ululantes, em livres-pensadores.
... em esquerda, em direita, em centro, em realismo, em concretismo, em imagismo, em congressos, em ciclos de debates, em grupos de trabalho, em agendas positivas, em “rigorosa apuração dos fatos”, em “destaques da última semana”, em sobe-e-desce da Veja, em participação nos lucros, em alternativa para a crise, em plano B, em poder de barganha, em, em, em.
Acho que eu só acredito mesmo em Deus.
Anti-adeus
May 23, 2005Escreve estas palavras o homem que nunca existiu. Que nunca veio ao mundo. Não tem nome: a assinatura acima, abaixo é falsificada. Esse homem não tem corpo, não tem mãos, não ocupa lugar no espaço. Sua voz nunca foi ouvida, seu cheiro não é cheiro, sua dor não é dor, e estas palavras, que você lê agora, não são palavras.
Outro dia pediram a ele, ao homem, para que escrevesse algo de conteúdo. A sua intenção – na verdade, uma não-intenção, porque ele não existe – é (não é) acabar com todo e qualquer resquício de conteúdo que ainda possa existir. Toda e qualquer pretensão de dizer alguma coisa.
Se lhe dessem uma enxada, ele se livraria do cabo e da parte metálica, e depois da terra sobre a qual poderia existir o mato a ser carpido. Tudo se reduziria a uma simples forma, inicialmente tridimensional (a enxada, a terra, o mato), depois bidimensional (o chão), depois apenas um traço, um traço, um traço como este homem que não existe_____________________
Extra! Extra!
May 20, 2005
Revelada a verdadeira identidade de Darth Vader!
Aceito, mas não aceito
May 20, 2005
Aceito ir trabalhar hoje, mas não aceito tomar banho com o Tony Ramos.
Aceito tomar banho com a Ivete Sangalo, mas não aceito escutá-la cantar.
Aceito escutar Belle & Sebastian, mas não aceito tomar Kaiser.
Aceito tomar Skol geladinha, mas não aceito lascar um beijo na boca da Dercy Gonçalves.
Aceito assistir pela sétima vez a “Crimes e Pecados”, mas não aceito chutar despacho.
Aceito contar uma piada sem graça, mas não aceito chamar amigo meu negão de afro-descendente.
Aceito imitar o Fagner, mas não aceito namorá-lo.
Aceito comer a Angelina Jolie, mas não aceito gritar “River Plate!” no meio da torcida do Boca Juniors.
Aceito ganhar 912 mil dólares, mas não aceito cantar a mulher de um traficante de cocaína.
Aceito usar a palavra doidivanas, mas não aceito usar a palavra “cidadania” – a não ser entre aspas.
Aceito comer um belo prato de arroz com feijão, mas não aceito passar uma temporada com o Skank.
Aceito ver “Star Wars III” de novo, mas não aceito assistir ao filme da Fernanda Montenegro com a Fernanda Torres.
Aceito cantar a introdução do Hino Nacional (“Servir ao Brasil, servir ao Brasil, sem esmore-ce-eeeer”), mas não aceito virar comentarista do programa da Luciana Gimenez.
Aceito tomar um café expresso depois do almoço, mas não aceito ficar peladão na Praça Rocha Pombo.
Aceito hospedar a Juliette Binoche, mas não aceito participar de um festival de danças gaúchas.
Aceito dormir numa deliciosa manhã de sábado, mas não aceito me vestir de mulher e participar de uma peça vanguardista no Calçadão.
Aceito dizer bom-dia, mas não aceito dar beijinho de esquimó em um PM da Tropa de Choque.
Aceito, mas não aceito.
Aceito tomar banho com a Ivete Sangalo, mas não aceito escutá-la cantar.
Aceito escutar Belle & Sebastian, mas não aceito tomar Kaiser.
Aceito tomar Skol geladinha, mas não aceito lascar um beijo na boca da Dercy Gonçalves.
Aceito assistir pela sétima vez a “Crimes e Pecados”, mas não aceito chutar despacho.
Aceito contar uma piada sem graça, mas não aceito chamar amigo meu negão de afro-descendente.
Aceito imitar o Fagner, mas não aceito namorá-lo.
Aceito comer a Angelina Jolie, mas não aceito gritar “River Plate!” no meio da torcida do Boca Juniors.
Aceito ganhar 912 mil dólares, mas não aceito cantar a mulher de um traficante de cocaína.
Aceito usar a palavra doidivanas, mas não aceito usar a palavra “cidadania” – a não ser entre aspas.
Aceito comer um belo prato de arroz com feijão, mas não aceito passar uma temporada com o Skank.
Aceito ver “Star Wars III” de novo, mas não aceito assistir ao filme da Fernanda Montenegro com a Fernanda Torres.
Aceito cantar a introdução do Hino Nacional (“Servir ao Brasil, servir ao Brasil, sem esmore-ce-eeeer”), mas não aceito virar comentarista do programa da Luciana Gimenez.
Aceito tomar um café expresso depois do almoço, mas não aceito ficar peladão na Praça Rocha Pombo.
Aceito hospedar a Juliette Binoche, mas não aceito participar de um festival de danças gaúchas.
Aceito dormir numa deliciosa manhã de sábado, mas não aceito me vestir de mulher e participar de uma peça vanguardista no Calçadão.
Aceito dizer bom-dia, mas não aceito dar beijinho de esquimó em um PM da Tropa de Choque.
Aceito, mas não aceito.
Novo poema da sexta-feira
May 20, 2005É sempre na sexta-feira
que o galo canta mais cedo
dentro da minha cabeça.
É na sexta
que o sol arde mais forte,
que a água parece pouca
e a boca parece seca.
É sempre na sexta
que o vazio de conteúdo
se vê mais forte que tudo
ainda que eu não mereça.
Sexta-feira é foda.
É pior do que um duelo
do Vader com o Mestre Yoda.
Até parece que hoje
(sexta-feira, sexta-feira)
vai durar a vida inteira.
Perguntas
May 18, 2005
Quem é o Fisco?
Quem é o Erário?
Que ator fazia o Chewbacca?
Faz favor de dizer quem é Sicrano?
Alguém aí já viu Beltrano em algum lugar? E Neguinho – foi achado? Não, o da Beija-Flor não vale.
O Povo contra Larry Flint. Tá. E cadê o Povo? Foi fazer viagem de núpcias?
E o Poder Público? E o as Entidades Representativas da Sociedade Civil? E as Forças Vivas? E os Formadores de Opinião? Ninguém nunca vê esses caras!
O Mercado passou por aqui hoje? Você conversou com ele? A Mirian Peitão conversa.
Viu o Zebedeu? E o Lochas?
A Maria-vai-com-as-outras, o Zé-Ninguém, o Zé-Povinho, o Mané, o Fonseca-da-perna-curta-e-bunda seca – apareceu algum deles aê?
E já que tudo aconteceu na presença de Terceiros, dá para saber como eles são?
Qualéteusignoquetimetorce? Távindodaondetáindopraonde?
Todas essas dúvidas são quase mais importantes que a transformação de Anakin em Darth Vader. Eu disse quase.
*****
O slogan mais ridículo que eu vi ultimamente:
Quem financia a baixaria é contra a cidadania.
A rima! O vazio! A pretensão! O horror, o horror!
Quem é o Erário?
Que ator fazia o Chewbacca?
Faz favor de dizer quem é Sicrano?
Alguém aí já viu Beltrano em algum lugar? E Neguinho – foi achado? Não, o da Beija-Flor não vale.
O Povo contra Larry Flint. Tá. E cadê o Povo? Foi fazer viagem de núpcias?
E o Poder Público? E o as Entidades Representativas da Sociedade Civil? E as Forças Vivas? E os Formadores de Opinião? Ninguém nunca vê esses caras!
O Mercado passou por aqui hoje? Você conversou com ele? A Mirian Peitão conversa.
Viu o Zebedeu? E o Lochas?
A Maria-vai-com-as-outras, o Zé-Ninguém, o Zé-Povinho, o Mané, o Fonseca-da-perna-curta-e-bunda seca – apareceu algum deles aê?
E já que tudo aconteceu na presença de Terceiros, dá para saber como eles são?
Qualéteusignoquetimetorce? Távindodaondetáindopraonde?
Todas essas dúvidas são quase mais importantes que a transformação de Anakin em Darth Vader. Eu disse quase.
*****
O slogan mais ridículo que eu vi ultimamente:
Quem financia a baixaria é contra a cidadania.
A rima! O vazio! A pretensão! O horror, o horror!
Tarde da noite
May 17, 2005
Um dia acordamos cedo. Mas tão cedo, tão cedo, que era meia-noite. Não estávamos com sono. Tomamos café e resolvemos ir a uma festa com muita bebida e garotas ninfomaníacas.
Outro dia acordamos tarde. Tão tarde que, ao acordarmos, fugiram de nós aos berros. Pensavam que estivéssemos mortos.
Um dia tentamos acordar a tempo de nos flagrarmos dormindo. Mas não deu.
Um dia acordamos na hora certa. E a vida começou. Tomamos café.
*****
Não é por nada, mas mulher não deveria fumar na rua.
*****
Dei uma olhada na comunidade sobre Terça Tilt no Orkut. Lá, uma garota indie afirmou que o evento está decadente. Um dos motivos apontados por ela: a presença de indivíduos trajando “camisa social”.
Como o degas aqui costuma usar semelhante indumentária, depreende-se que sou um dos sintomas de decadência da TT.
Mas é claro que eu vou.
Outro dia acordamos tarde. Tão tarde que, ao acordarmos, fugiram de nós aos berros. Pensavam que estivéssemos mortos.
Um dia tentamos acordar a tempo de nos flagrarmos dormindo. Mas não deu.
Um dia acordamos na hora certa. E a vida começou. Tomamos café.
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Não é por nada, mas mulher não deveria fumar na rua.
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Dei uma olhada na comunidade sobre Terça Tilt no Orkut. Lá, uma garota indie afirmou que o evento está decadente. Um dos motivos apontados por ela: a presença de indivíduos trajando “camisa social”.
Como o degas aqui costuma usar semelhante indumentária, depreende-se que sou um dos sintomas de decadência da TT.
Mas é claro que eu vou.
Os cavalos começaram a morrer
May 16, 2005
Os cavalos começaram a morrer em abril.
Eu tinha 33 cavalos. O primeiro morreu com grande estardalhaço; distribuiu coices no ar e acordou a casa inteira, inclusive a criadagem.
O segundo morreu até com delicadeza, para um cavalo. Vomitou e relinchou um pouco, mas sem grande ruído.
À morte do 13º cavalo, nós proprietários (milenares proprietários; portanto, afeitos a cavalos) começamos a indagar as razões da mortandade.
Ninguém tinha resposta, nem mesmo o veterinário-chefe (que se encontrava num congresso científico em Malibu, e mandamos convocar às pressas).
Os peões – passamos até mesmo a ouvi-los, dada a amplitude do caso – julgavam ter visto algo parecido com um tumor cerebral externo em cada um dos cavalos mortos (que já somavam 24). Ao que retrucamos: “Como pode um tumor cerebral ser externo, uma vez que o cérebro, por si, é um órgão interno, circunscrito à caixa craniana?”
A partir desse dia passamos a considerar inútil ouvir a opinião dos empregados.
Há algumas noites, porém, houve uma festa no povoado contíguo às nossas posses. Uma festa de arromba, pelo que pude notar. Sem conseguir dormir, ouvi claramente uma voz embriagada: “ACIDENTE DE TRABALHO! Os cavalos vieram a óbito por ACIDENTE DE TRABALHO!”
Pensei ter ouvido um relincho, coisa assim, mas tudo me era obscuro.
Ao saber da morte do 33º cavalo, quedou-me um vazio. Pedi café na cama e decidi não me levantar naquele dia.
Até agora estou aqui: meu corpo fede qual estrebaria; minha voz é parecida com a poeira de um coice; uma protuberância de origem desconhecida – o veterinário-chefe se matou na terça-feira – cresce na área externa de meu cérebro.
Eu tinha 33 cavalos. O primeiro morreu com grande estardalhaço; distribuiu coices no ar e acordou a casa inteira, inclusive a criadagem.
O segundo morreu até com delicadeza, para um cavalo. Vomitou e relinchou um pouco, mas sem grande ruído.
À morte do 13º cavalo, nós proprietários (milenares proprietários; portanto, afeitos a cavalos) começamos a indagar as razões da mortandade.
Ninguém tinha resposta, nem mesmo o veterinário-chefe (que se encontrava num congresso científico em Malibu, e mandamos convocar às pressas).
Os peões – passamos até mesmo a ouvi-los, dada a amplitude do caso – julgavam ter visto algo parecido com um tumor cerebral externo em cada um dos cavalos mortos (que já somavam 24). Ao que retrucamos: “Como pode um tumor cerebral ser externo, uma vez que o cérebro, por si, é um órgão interno, circunscrito à caixa craniana?”
A partir desse dia passamos a considerar inútil ouvir a opinião dos empregados.
Há algumas noites, porém, houve uma festa no povoado contíguo às nossas posses. Uma festa de arromba, pelo que pude notar. Sem conseguir dormir, ouvi claramente uma voz embriagada: “ACIDENTE DE TRABALHO! Os cavalos vieram a óbito por ACIDENTE DE TRABALHO!”
Pensei ter ouvido um relincho, coisa assim, mas tudo me era obscuro.
Ao saber da morte do 33º cavalo, quedou-me um vazio. Pedi café na cama e decidi não me levantar naquele dia.
Até agora estou aqui: meu corpo fede qual estrebaria; minha voz é parecida com a poeira de um coice; uma protuberância de origem desconhecida – o veterinário-chefe se matou na terça-feira – cresce na área externa de meu cérebro.
Sol - I
May 16, 2005
Sol, flor amarela e vermelha,
flor cinza, flor carmessim
e laranja, flor vista
onde a vista não alcança.
Através da água e sombra,
estrela da morte inteira,
síntese que à luz remonta:
quando ela se fez, estavas lá,
Sol, Sol, astro sem ponta.
Quem dera ser simples.
Quem dera ser claro,
quem dera ser mudo,
ser pouco, ser tudo,
ser Sol.
flor cinza, flor carmessim
e laranja, flor vista
onde a vista não alcança.
Através da água e sombra,
estrela da morte inteira,
síntese que à luz remonta:
quando ela se fez, estavas lá,
Sol, Sol, astro sem ponta.
Quem dera ser simples.
Quem dera ser claro,
quem dera ser mudo,
ser pouco, ser tudo,
ser Sol.
Carta a Pablo Neruda
May 15, 2005Mexendo em disquetes velhos, encontrei um texto que escrevi para Pablo Neruda no centenário do poeta, no ano passado. Na verdade, é uma carta a Neruda. Achei que valia a pena publicar aqui para quem não havia lido no jornal. É um texto que combina estranhamente com o domingo.
*****
Caro Pablo,
Hoje você faz 100 anos. Desculpe lhe tratar com tanta informalidade, logo eu que nunca fui íntimo de sua poesia, quanto menos do poeta, mas não vejo outra maneira de conversar com alguém que sempre foi alegre, cordial, generoso e tolerante. Pelo menos é assim que o descrevem os amigos: um homem de cara e pança redonda; de janelas e riso abertos; amante das belas mulheres, da boa comida, das belezas naturais. Assim o mostraram naquele filme, “O Carteiro e o Poeta” (não gostei do filme, mas isso não vem ao caso).
Sobrevivência à sexta-feira
May 13, 2005Sobrevivi a uma sexta.
De novo.
Semana passada
foi assim.
Corri sério risco
(de vida, de morte),
mas eis-me aqui.
Um pouco cego,
um pouco surdo,
um pouco louco,
quase morto,
mas vivo.
Sobreviver à sexta
é uma arte.
Ninguém sai dela
sem seqüelas,
sem feridas,
sem desfalques.
Ninguém sobrevive
sem cansaço,
sem ranger
quatro molares.
É uma aventura
transpor a nado
a sexta-feira,
Nilo de ar,
Amazonas
de perdas,
Mississipi
de sono
e ressaca
da Mancha
da vida inteira.
Sexta.
Dia inútil
e branco.
O escuro,
portanto.
Sexta, dia
em surdina.
Uns 30 copos
d´água
e duas
Neosaldinas.
A sexta
se acaba
na noite
perdida.
Mais dia,
menos dia,
vou sair
sem vida.
Minha hora
May 13, 2005Quando chegar minha hora
eu quero estar pronto,
quero estar junto,
quero estar, bem,
esperando,
eu quero estar mudo.
Quando chegar minha hora,
eu quero dizer:
Vem! Vem!
Quero saber
o que tem depois,
naquilo que chamam
de além.
E meu amor será tanto,
quando chegar minha hora,
que estarei esperando,
ali, parado, à porta.
E meu amor será tanto.
A arte de falar sozinho
May 12, 2005
Adoro falar sozinho. Acho que falava sozinho antes mesmo de aprender a falar.
Por isso, não me deixe só! Leia a crônica.
*****
E também escrevi isso aqui:
Quando chegar
a hora marcada,
quando
Louise Brooks
me olhar
do fundo
do reino da morte,
em 1929,
quando você achar
que é hora
de vir à cidade,
quando meu sono
acabar
às 4 e 20 da manhã,
quando o bar
derrota
estiver fechado
e o Barbosa
pegar
aquele chute
do Ghiggia,
eu estarei
aqui,
sem engano,
eu estarei
à porta,
esperando.
*****
E mais não digo porque não falei. (Hã? Hã? Hein? Hein?)
Por isso, não me deixe só! Leia a crônica.
*****
E também escrevi isso aqui:
Quando chegar
a hora marcada,
quando
Louise Brooks
me olhar
do fundo
do reino da morte,
em 1929,
quando você achar
que é hora
de vir à cidade,
quando meu sono
acabar
às 4 e 20 da manhã,
quando o bar
derrota
estiver fechado
e o Barbosa
pegar
aquele chute
do Ghiggia,
eu estarei
aqui,
sem engano,
eu estarei
à porta,
esperando.
*****
E mais não digo porque não falei. (Hã? Hã? Hein? Hein?)
Casa-separa, casa-separa
May 11, 2005Daniela e Ronaldo anunciam separação. Não chegaram nem às bodas de guardanapo.
Depois, neguinho criticava o João Paulo quando ele sentava a pua na banalização do casamento.
Azulivre.
Desculpe: neguinho, não. Afro-descendentinho, embora o termo não se refira só às pessoas de pele escura. Em tempos de Cartilha Politicamente Correta, é preciso pensar em tudo.
E mais não digo porque não casei.
Concurso de miss
May 11, 2005
Advertência 1: O nível é de quinta série B.
Advertência 2: Colaborações serão bem-vindas.

Miss Zerão
Miss Java
Miss Toquente
Miss Kraviza
Miss Capa
Miss Térica
Miss Teriosa
Miss Antropia
Miss Segura
Miss Salva
Miss Celânia
Miss Plica
Miss Suga
Miss Péra
Miss Tranha
Miss Sólta
Miss Tura
Miss Sanga
Miss Pulsa
Miss Zola
Miss Kessy
Advertência 2: Colaborações serão bem-vindas.

Miss Zerão
Miss Java
Miss Toquente
Miss Kraviza
Miss Capa
Miss Térica
Miss Teriosa
Miss Antropia
Miss Segura
Miss Salva
Miss Celânia
Miss Plica
Miss Suga
Miss Péra
Miss Tranha
Miss Sólta
Miss Tura
Miss Sanga
Miss Pulsa
Miss Zola
Miss Kessy
O homem mais forte é o mais só
May 10, 2005Sempre achei que o homem mais solitário era aquele que fazia a programação de TV no jornal.
Pois é. Agora eu sou esse homem.
*****
Mas não posso reclamar. É apenas a parte chata do trabalho. E me fez descobrir algumas coisas. Por exemplo: o SBT tem duas novelas, que passam uma depois da outra: “Rubi” e “Esmeralda”. Sugiro que os próximos títulos sejam “Cassiterita”, “Pedra-Pomes” e “Cascalho” (nesta última, os vilões seriam muito dinheiristas).
*****
Tive uma idéia para um poema. Quem sabe uma crônica. Já me sinto melhor.
Sou uma besta contentável com pouco; muito fácil de agradar.
*****
Magdaleninha, sim sinhô.
Currículo ridículo
May 10, 2005Pediram meu currículo resumido. Fiz. Quando a gente escreve um texto assim, percebe claramente a própria insignificância.
*****
Paulo Briguet nasceu em São Paulo a 10 de julho de 1970. Seu nome completo é Paulo Antônio Briguet Lourenço. No início, era pequeno. Quando cresceu, pôde finalmente alcançar os livros de Henry Miller e Tolstói na estante do pai.
Morou em São Paulo e Araçatuba. Desde 1989, vive em Londrina.
Abandonou duas faculdades: Filosofia (USP) e História (UEL).
Em 1993, Conseguiu formar-se em Jornalismo, “especialista em generalidades”, como definiu Cláudio Abramo.
Publicou três livros: “Diário de Moby Dick” (1996 – em parceria com seu pai, o advogado Paulo Lourenço), “Repórter das coisas” (2002) e “Amanhã escreverei à Joaninha” (2004 – memórias de Jolinda Fenelon).
Todos os seus textos são crônicas disfarçadas.
Tem um livro de poemas inédito com o título provisório de “O Sol é minha tese”.
Já foi repórter, editor, assessor de imprensa e redator publicitário. Continua na mesma.
Tem uma coluna de crônicas na Internet (www.scalassara.com.br) e um blog (www.tipos.com.br/briguet).
Gosta de fazer trocadilhos e contar piadas sem graça (piadas engraçadas são para os amadores). Dorme e acorda ouvindo Bach. Conversa com um amigo imaginário (Ricardo Nélson). Às vezes não atende ao telefone. Adora balas Chita. Mora sozinho com alguns fantasmas. Ronca. Bebe. Ama. Tem medo.
*****
Vaidade das vaidades! Vaidade das vaidades!
*****
Vou acordar de outro sono.
Não este, da noite, santa e irrecusável.
Vou acordar do sono da carne
e da matéria, vou acordar
da guerra do tempo e morte,
vou acordar para um Sol
cuja luz é só dentro.
Vou acordar para o cerne
das coisas e não-coisas.
O vento é minha pista,
a sombra é minha força.
Vou acordar para os mundos diminutos.
O tempo não só se expande em milênios,
também se prende em minutos.
Em cada estrela que é mais longe,
há um átomo bem junto.
O infinito não é para amadores.
Não só grande, mas também minúsculo.
Vou acordar de outro sono
que me esconde universos inteiros
contidos num grão de mostarda,
onde há bachs e matisses,
invisíveis, mas não nada.
E um só observa tudo.
Vou acordar num segundo.
Notas matinais
May 09, 2005
Estou aqui em Araçatuba, onde vim visitar minha família.
Acabei de tomar banho e fazer a barba. Daqui a pouco, vou tomar um gole de café e pegar o ônibus para Londrina.
*****
Os vizinhos beberam e cantaram a noite inteira, em volta da piscina. Só agora aquietaram um pouco.
*****
Não reclamo. Já estive muitas vezes no lugar deles. Só fico imaginando como será a segunda-feira desses caras.
*****
E eu não deveria estar fazendo post; deveria estar escrevendo sobre Danton. Danton!
*****
A falta de enxada é o bem mais partilhado do mundo. (Sim: ela é um bem positivo, não um simples vazio.)
Acabei de tomar banho e fazer a barba. Daqui a pouco, vou tomar um gole de café e pegar o ônibus para Londrina.
*****
Os vizinhos beberam e cantaram a noite inteira, em volta da piscina. Só agora aquietaram um pouco.
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Não reclamo. Já estive muitas vezes no lugar deles. Só fico imaginando como será a segunda-feira desses caras.
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E eu não deveria estar fazendo post; deveria estar escrevendo sobre Danton. Danton!
*****
A falta de enxada é o bem mais partilhado do mundo. (Sim: ela é um bem positivo, não um simples vazio.)
Pequeno rondó do tempo
May 08, 2005
O tempo está passando,
passando rapidamente.
E de tanto assim passar
me preocupa, de repente.
O tempo está voltando,
está voltando à minha mente.
De tanto voltar o tempo,
o passado é presente.
O tempo está acabando,
está acabando inutilmente,
antes de chegar ao fim.
Está acabando comigo,
está zombando de mim.
passando rapidamente.
E de tanto assim passar
me preocupa, de repente.
O tempo está voltando,
está voltando à minha mente.
De tanto voltar o tempo,
o passado é presente.
O tempo está acabando,
está acabando inutilmente,
antes de chegar ao fim.
Está acabando comigo,
está zombando de mim.
Tudo que é humano me é estranho
May 07, 2005
Tudo que é humano me é estranho.
A voz de desprezo da gerente do cinema.
Um lutador de boxe velho e aposentado.
No bar,
o homem tenta me vender um grampeador
para comprar mais bebida e pó.
No pronto-socorro,
a risada nervosa de um pai
que acabou de perder a filha.
No banheiro,
a anorexia da adolescente mimada.
Um policial que chora por seu cão.
Um estuprador que entra na cela.
Um rapaz que mata o balconista por R$ 10.
A mãe que passa o Dia das Mães
sozinha na frente da TV.
Tudo que é humano me é estranho.
Se é humano, me é estranho.
Quase nunca sinto medo dos tsunamis,
das tempestades elétricas
e dos cometas que caminham velozes
para acabar com a Terra.
Não me assustam as imagens de galáxias dançantes
que explodem com graça na adolescência do universo.
O que me assusta é o olho do telescópio Hubble,
o nosso olho a presenciar tudo isso.
O que me atemoriza é o ouvido absoluto
dos sons através do ar silencioso.
O que me atemoriza não é a onda do mar,
é a fissura do átomo, é a vaidade metálica.
É Barbosa pulando um segundo depois
do chute de Ghiggia.
A natureza não escreve em decassílabos,
não elabora códigos de ética,
não espera que o irmão volte as costas para esfaqueá-lo.
A natureza não planeja a tomada do poder
nem inventa a guilhotina.
A natureza não produz Tolstói ou Bach,
Matisse ou Drummond, Stálin ou Robespierre.
Produz serpentes e ratazanas,
a natureza. Diante dela,
nosso pânico é mais concreto.
Se é humano, me é estranho.
Às vezes tenho medo das vozes,
jamais dos trovões;
às vezes tenho medo do gozo,
jamais do vírus;
às vezes tenho medo do mundo.
A voz de desprezo da gerente do cinema.
O lutador de boxe velho e aposentado.
O homem que tenta me vender um grampeador.
Estranho é o homem, estranho é o Pai.
É da estranheza que me faço vivo,
no estranho abismo em que tudo cai.
A voz de desprezo da gerente do cinema.
Um lutador de boxe velho e aposentado.
No bar,
o homem tenta me vender um grampeador
para comprar mais bebida e pó.
No pronto-socorro,
a risada nervosa de um pai
que acabou de perder a filha.
No banheiro,
a anorexia da adolescente mimada.
Um policial que chora por seu cão.
Um estuprador que entra na cela.
Um rapaz que mata o balconista por R$ 10.
A mãe que passa o Dia das Mães
sozinha na frente da TV.
Tudo que é humano me é estranho.
Se é humano, me é estranho.
Quase nunca sinto medo dos tsunamis,
das tempestades elétricas
e dos cometas que caminham velozes
para acabar com a Terra.
Não me assustam as imagens de galáxias dançantes
que explodem com graça na adolescência do universo.
O que me assusta é o olho do telescópio Hubble,
o nosso olho a presenciar tudo isso.
O que me atemoriza é o ouvido absoluto
dos sons através do ar silencioso.
O que me atemoriza não é a onda do mar,
é a fissura do átomo, é a vaidade metálica.
É Barbosa pulando um segundo depois
do chute de Ghiggia.
A natureza não escreve em decassílabos,
não elabora códigos de ética,
não espera que o irmão volte as costas para esfaqueá-lo.
A natureza não planeja a tomada do poder
nem inventa a guilhotina.
A natureza não produz Tolstói ou Bach,
Matisse ou Drummond, Stálin ou Robespierre.
Produz serpentes e ratazanas,
a natureza. Diante dela,
nosso pânico é mais concreto.
Se é humano, me é estranho.
Às vezes tenho medo das vozes,
jamais dos trovões;
às vezes tenho medo do gozo,
jamais do vírus;
às vezes tenho medo do mundo.
A voz de desprezo da gerente do cinema.
O lutador de boxe velho e aposentado.
O homem que tenta me vender um grampeador.
Estranho é o homem, estranho é o Pai.
É da estranheza que me faço vivo,
no estranho abismo em que tudo cai.
Desagravo a Chávez
May 05, 2005Agora vivem dizendo que Chávez é a maior ameaça à América Latina. Que Chávez é ditador. Que Chávez é golpista. Que Chávez está criando milícias. Que Chávez é o novo Fidel. Que Chávez é o coisa-ruim. Que Chávez isso, que Chávez é aquilo.
O que é isso, meus amigos! Ponham a mão na consciência, cliquem no “leia mais”, olhem bem para o rosto do homem e digam se Chávez seria capaz de cometer qualquer uma das maldades que lhe atribuem.
Pentapost
May 04, 2005Amanhã será 5 de 5 de 5. Cinco dedos da mão, cinco sentidos, cinco dias úteis, cinco minutos.
Cinco continentes, Cinco Conjuntos, cinco Copas do Mundo.
Estrelas de cinco pontas, hotel cinco estrelas e – por que não? – cinco elementos.
Para mim, em breve, 35.
Amanhã é 5 de 5 de 5. Lembre-se disso às 5:55.
Compaixão da ratazana
May 03, 2005Deus, Deus.
Quando eu era pequeno,
o zelador do prédio matou
a pauladas uma ratazana.
Fiquei ali olhando
o bicho morto.
Era grande.
Quase um gato.
Deus, Deus.
Dizem que a ratazana
é o único rato
que não foge.
Enfrenta o inimigo.
A morte.
Fica em pé
sobre as patas traseiras
– e guincha, guincha.
Até hoje eu sonho
com a ratazana morta.
Medo que ela volte.
Deus, Deus,
mas tenho pena,
tanta pena
da ratazana.
Deus, Deus.
Em outro prédio
de São Paulo,
anos e anos depois,
um zelador bebia
no seu dia de folga.
Bebia, cantava
e chorava.
Não se entendia
uma palavra.
A voz do zelador
ecoava por todos
os andares (ele
morava no último).
Descia pelo poço
do elevador.
Deus, Deus.
Eu sinto pena,
tanta pena
do zelador
que cantava.
Deus, Deus.
O bem-bom é bem chato
May 03, 2005NADA ao contrário é ADAN. Palavra muito próxima de Adão, o primeiro homem, que vivia no bem-bom lá no Paraíso, até provar do fruto proibido. Sua punição – e a de Eva, outra até então desocupada – foi a de ganhar o pão com o suor do próprio rosto. E nós pagamos a conta até hoje.
O castigo de Adão, no entanto, pode ser transformado em benção. Desde que o trabalho não represente um fardo, ou um simples acúmulo de atividades inúteis. Triste mesmo foi o destino de Sísifo, obrigado pelos deuses a carregar uma rocha até o topo de montanha e, uma vez lá, assistir à rocha deslizar montanha abaixo, todos os dias, para sempre.
Ontem, um pessoal aqui de Londrina realizou o Dia do Nada – uma espécie de Dia do Trabalho às avessas.
Freud dizia que só o trabalho e o amor dão algum sentido à existência. Assim como não vejo no ódio uma solução para as angústias amorosas, não acredito que os problemas do trabalho sejam resolvidos através de uma apologia da nadificação (olha aí uma palavrinha sartreana).
O que foi o Dia do Nada? Teve uns caras amarrados em cadeira na praça; um pessoal tocando violão; um sujeito preparando sopa de pedra. Houve até dois ou três que se deram mal por exibirem as partes. Os peladões foram parar no xilindró.
Ah, passa amanhã! Essa história de Dia do Nada é muito hipponga, muito bicho-grilo pro meu gosto. Lembra em demasia aquelas performances (ou happenings) da década de 70. E mesmo essas performances já eram um remendão do velho surrealismo. Com a licença do meu querido Grota, isso é uma tremenda falta de enxada! Assumida.
Por falar em anos 70, quando eu era criança achava que os dias úteis deveriam ser o final de semana e vice-versa. Hoje sei que se isso acontecesse o mundo ficaria muito chato. Viveríamos endomingados. É preciso um pouco de ócio para todo mundo, mas uma vida só de ócio seria um tédio.
Certa vez um vizinho de Jorge Amado viu o escritor baiano todo sujo de barro, podando as plantas no jardim de sua casa. O homem perguntou:
– Trabalhando, seo Jorge?
– Não. Tô descansando.
No outro dia, o mesmo vizinho pegou Jorge Amado deitado na rede:
– Descansando, seo Jorge?
– Não. Tô trabalhando.
Eu não gosto do Jorge Amado, mas a historinha é ilustrativa. Trabalhar pode ser uma coisa tão boa quanto podar plantas ou escrever livros. O bem-bom é que é bem chato. A não ser que seja no Kotovelo´s Bar. Ou no blog.
Eu sei que às vezes
May 02, 2005
Eu sei que às vezes dou mancada. Sei que faço as coisas que há muito tempo prometi a mim mesmo não fazer mais. Sei que às vezes forço a barra. Depois de tudo, sei que exagero outra vez ao pedir tantas desculpas. Sei que às vezes sou chato, sei que às vezes estrago o seu sábado. As mães sempre dizem: “Esse menino é impossível”. Eu homem continuo sendo assim. Impossível.
Leia mais na crônica.
Leia mais na crônica.
Soneto bobo de domingo
May 01, 2005
(Mais um post da série Falta de Enxada)
Onde vai a corda, vai a caçamba.
Onde vai a tíbia, vai o perônio.
Pra algo urgente, Santo Expedito.
Pra casamento, só Santo Antônio.
Só vinga a forma por seu conteúdo.
Vogal que é vogal traz a consoante.
Se é triangular, tem hipotenusa.
Se é lua nova, foi quarto minguante.
Pra todo sábado tem o domingo,
e não se escapa da segunda-feira.
Por sobre a chuva, tem um dia lindo,
e toda parte quer ser logo inteira.
Mas, quando eu sei que você vem vindo,
o que era igual já é de outra maneira.
Onde vai a corda, vai a caçamba.
Onde vai a tíbia, vai o perônio.
Pra algo urgente, Santo Expedito.
Pra casamento, só Santo Antônio.
Só vinga a forma por seu conteúdo.
Vogal que é vogal traz a consoante.
Se é triangular, tem hipotenusa.
Se é lua nova, foi quarto minguante.
Pra todo sábado tem o domingo,
e não se escapa da segunda-feira.
Por sobre a chuva, tem um dia lindo,
e toda parte quer ser logo inteira.
Mas, quando eu sei que você vem vindo,
o que era igual já é de outra maneira.
Permutas
May 01, 2005
Está fundado o Clube Nacional das Permutas, entidade sem fins lucrativos cujo presidente de honra e maior incentivador é o mestre, doutor Júlio Tanga.
É claro que a idéia surgiu numa Quinta Sem-Lei – onde mais?
Seguem alguns exemplos de permuta:
1. Por R$ 523 mil, você passaria uma semana fazendo sexo selvagem e dando beijo de língua em Severino Cavalcanti, além de aparecer com ele de mãos dadas – sem esquecer de cafunés em profusão na careca e no pescoço do parlamentar – diante de uma súcia de fotógrafos da grande imprensa?
2. Gosta de mulheres? Por US$ 1.238.347,66, você participaria de uma orgia num prostíbulo do Zaire (ou do Congo, você escolhe) sem usar camisinha? (Essa é de autoria do Tanga.)
3. Você anda precisando do montante de US$ 2.234.920,00? Para tanto, basta aparecer na frente de uma viatura da Rone, disparando um revólver de espoleta (bem parecido com uma arma de verdade) e proferindo em alto e bom som as seguintes palavras: “PM é tudo viadinho, tudo boiola, além de ter o pinto pequeno. A Rone só tem boneca vestidinha de soldado. Aí, guardinha, filho de uma rã que fuça!” Topa?
4. Considere a possibilidade de amealhar a quantia de R$ 763 mil. Para fazer jus à bolada, é simples: passe cuidadosamente batom e rímel em sete rotweillers de propriedade do deputado José Janene. Os cães devem estar soltos e não podem usar qualquer tipo de focinheira. Também é vedado o uso de tranqüilizantes. Nossos auditores são implacáveis, além de fleumáticos.
5. Por R$ 789 mil, você entraria na carceragem de um distrito policial gritando: “Oi, gente. Eu sou estuprador e tenho orgulho disso!”?
*****
É, Zé. A falta de enxada produz efeitos incríveis, como o post aí embaixo, sobre Matisse. Perto disso, Tanga, a dúvida entre ouvir Mozart ou Bach é fichinha.
É claro que a idéia surgiu numa Quinta Sem-Lei – onde mais?
Seguem alguns exemplos de permuta:
1. Por R$ 523 mil, você passaria uma semana fazendo sexo selvagem e dando beijo de língua em Severino Cavalcanti, além de aparecer com ele de mãos dadas – sem esquecer de cafunés em profusão na careca e no pescoço do parlamentar – diante de uma súcia de fotógrafos da grande imprensa?
2. Gosta de mulheres? Por US$ 1.238.347,66, você participaria de uma orgia num prostíbulo do Zaire (ou do Congo, você escolhe) sem usar camisinha? (Essa é de autoria do Tanga.)
3. Você anda precisando do montante de US$ 2.234.920,00? Para tanto, basta aparecer na frente de uma viatura da Rone, disparando um revólver de espoleta (bem parecido com uma arma de verdade) e proferindo em alto e bom som as seguintes palavras: “PM é tudo viadinho, tudo boiola, além de ter o pinto pequeno. A Rone só tem boneca vestidinha de soldado. Aí, guardinha, filho de uma rã que fuça!” Topa?
4. Considere a possibilidade de amealhar a quantia de R$ 763 mil. Para fazer jus à bolada, é simples: passe cuidadosamente batom e rímel em sete rotweillers de propriedade do deputado José Janene. Os cães devem estar soltos e não podem usar qualquer tipo de focinheira. Também é vedado o uso de tranqüilizantes. Nossos auditores são implacáveis, além de fleumáticos.
5. Por R$ 789 mil, você entraria na carceragem de um distrito policial gritando: “Oi, gente. Eu sou estuprador e tenho orgulho disso!”?
*****
É, Zé. A falta de enxada produz efeitos incríveis, como o post aí embaixo, sobre Matisse. Perto disso, Tanga, a dúvida entre ouvir Mozart ou Bach é fichinha.