Não pedi para ter conta no Banco Real. Fui obrigado a abrir uma porque é o banco da empresa, tal e coisa. Meu salário é depositado lá.
Tempos atrás, fiz uma crônica sobre a infinidade de senhas que nos obrigam a decorar (nos bancos, na Internet, no trabalho, até em casa). Senhas que, geralmente, outros inventam para nós.
Pois então. Eu esqueci minha senha do banco. Digitei uma vez, não era. Digitei duas vezes, não era. Digitei a terceira vez, o cartão foi bloqueado.
Liguei para o banco. Pedi uma nova senha. A moça disse que eu precisava ir até a agência. Eu fui. Esperei na fila. Assinei uma requisição de nova senha. Dirigi-me ao caixa do segundo andar. Digitei minha nova senha. Digitei de novo, para confirmar. Fui até o caixa eletrônico para sacar meu salário inacessível. O caixa eletrônico rejeitou minha nova senha. Voltei ao caixa onde havia digitado a nova senha. A moça disse para eu esperar mais um dia. Amanhã já está resolvido.
No dia seguinte, fui ao caixa eletrônico aqui perto do meu trabalho, esperançoso. O caixa rejeitou novamente a minha senha. Liguei para o banco. A moça me disse que até a tarde o problema estaria resolvido. No início da noite, tentei sacar o dinheiro. Nada. Senha incorreta.
Na manhã seguinte, voltei a ligar para o banco. Expliquei a situação: “Preciso do meu salário”. Ela pediu para eu enviar um fax para a agência com meus dados, assinatura e solicitação de nova senha. Enviei. Ela disse que a assinatura não conferia. Pediu para eu enviar um novo fax.
Uma semana depois destas idas e vindas, a solução foi fazer um DOC (que custou R$ 11) para a minha outra conta. Mas o meu cartão continua bloqueado.
O Banco Real é isso: um choque de realidade. Por isso, resolvi dedicar a ele esta singela
crônica. Leia – se o seu banco permitir. Não precisa de senha.