Repórter das Coisas

Isto é Real

Não pedi para ter conta no Banco Real. Fui obrigado a abrir uma porque é o banco da empresa, tal e coisa. Meu salário é depositado lá.
Tempos atrás, fiz uma crônica sobre a infinidade de senhas que nos obrigam a decorar (nos bancos, na Internet, no trabalho, até em casa). Senhas que, geralmente, outros inventam para nós.
Pois então. Eu esqueci minha senha do banco. Digitei uma vez, não era. Digitei duas vezes, não era. Digitei a terceira vez, o cartão foi bloqueado.
Liguei para o banco. Pedi uma nova senha. A moça disse que eu precisava ir até a agência. Eu fui. Esperei na fila. Assinei uma requisição de nova senha. Dirigi-me ao caixa do segundo andar. Digitei minha nova senha. Digitei de novo, para confirmar. Fui até o caixa eletrônico para sacar meu salário inacessível. O caixa eletrônico rejeitou minha nova senha. Voltei ao caixa onde havia digitado a nova senha. A moça disse para eu esperar mais um dia. Amanhã já está resolvido.
No dia seguinte, fui ao caixa eletrônico aqui perto do meu trabalho, esperançoso. O caixa rejeitou novamente a minha senha. Liguei para o banco. A moça me disse que até a tarde o problema estaria resolvido. No início da noite, tentei sacar o dinheiro. Nada. Senha incorreta.
Na manhã seguinte, voltei a ligar para o banco. Expliquei a situação: “Preciso do meu salário”. Ela pediu para eu enviar um fax para a agência com meus dados, assinatura e solicitação de nova senha. Enviei. Ela disse que a assinatura não conferia. Pediu para eu enviar um novo fax.
Uma semana depois destas idas e vindas, a solução foi fazer um DOC (que custou R$ 11) para a minha outra conta. Mas o meu cartão continua bloqueado.
O Banco Real é isso: um choque de realidade. Por isso, resolvi dedicar a ele esta singela crônica. Leia – se o seu banco permitir. Não precisa de senha.

Publicado em 02 de dezembro de 2004 às 10:34 por briguet

Comentários

  1. teenage hand model
    • eu sei que lhe causou transtornos e 11 reais num DOC (fora as inúmeras indas e vindas ao banco), mas sou cliente do mesmo banco há 3 anos e nunca tive maiores problemas. Na verdade, eu dou mais dor de cabeça pra eles do que o contrário.
      E ter 10 dias no cheque especial é uma coisa e tanto!
      hehehehehehhe
    • por deni
    • 02.Dez.2004 às 10:48 - Permalink - Reportar
    deni
    • eu já tive verdadeiras enxaquecas com o Real, mas ultimamente ele tem se comportado bem comigo. única crítica é o gerente que insistiu para triplicar meu cheque especial (pra ele ganhar uns pontinhos...), foi terminantemente proibido e o fez assim mesmo meses mais tarde. em solicitação telefônica, pedi que o limite antigo voltasse e fui prontamente atendido. só que, de repente, volta lá o fundo do poço estratosférico. ainda desancarei o dito gerente, mas não por enquanto porque é este limite que está me salvando no momento.
    • por guilherme
    • 02.Dez.2004 às 15:13 - Permalink - Reportar
    guilherme
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PAULO BRIGUET, SEU CRIADO

Dizem por aí que o autor deste blog é chato, feio e bobo – a exemplo do capitalismo e do judaico-cristianismo que ele defende com unhas, dentes e, acima de tudo, argumentos assaz irrespondíveis (para desconcerto dos oponentes).

Ex-trotskista, ex-ateu, ex-sindicalista, ex-cantor, ex-ex, arrepende-se de (quase) tudo. É amado e odiado na exata proporção de sua obscuridade.

A liberdade de pensamento e expressão aqui encontra guarida. A babaquice, porém, é rejeitada, apagada e excluída, quando não editada. Que os babacas sejam livres em outras freguesias. (Tosquices, ao contrário, são permitidas e até incentivadas.)

Quê? Jornalista? Desconheço, senhor. Alguém aí falou no assunto?

Que o Criador, bendito seja o Seu Nome, abençoe a todos os leitores deste blog. Lembre-se: Paulo Briguet reza por você.

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