Archive for December of 2004
Acordar é difícil
December 30, 2004
Acordar é difícil.
Melhor seria ficar dormindo até o mundo acabar.
Acordar é mais difícil
que erguer um prédio de 40 andares,
mais difícil que vencer a São Silvestre,
mais difícil que trancar uma gaveta
e colocar a chave dentro.
Mais difícil que amar, odiar, morrer.
Acordar é mais difícil
que tocar uma sonata de Bach,
é mais difícil que ressuscitar,
é mais difícil que criar o mundo em seis dias.
Acordar é difícil
quando não se sabe o que vem pela frente,
quando o café acabou,
quando a campainha tocou.
Acordar é mais difícil
que tocar harpa numa escola de samba,
é mais difícil que traduzir Guimarães Rosa para o tailandês,
é mais difícil que ouvir “hoje a festa é sua, hoje a festa é nossa”,
é mais difícil que beber cerveja de canudinho.
Acordar é mais difícil que discutir em castelhano,
é mais difícil que ser um radialista gago,
é mais difícil que soletrar um sobrenome polonês.
Acordar só não é mais difícil
que o drama insano de levantar todos os dias.
Melhor seria ficar dormindo até o mundo acabar.
Acordar é mais difícil
que erguer um prédio de 40 andares,
mais difícil que vencer a São Silvestre,
mais difícil que trancar uma gaveta
e colocar a chave dentro.
Mais difícil que amar, odiar, morrer.
Acordar é mais difícil
que tocar uma sonata de Bach,
é mais difícil que ressuscitar,
é mais difícil que criar o mundo em seis dias.
Acordar é difícil
quando não se sabe o que vem pela frente,
quando o café acabou,
quando a campainha tocou.
Acordar é mais difícil
que tocar harpa numa escola de samba,
é mais difícil que traduzir Guimarães Rosa para o tailandês,
é mais difícil que ouvir “hoje a festa é sua, hoje a festa é nossa”,
é mais difícil que beber cerveja de canudinho.
Acordar é mais difícil que discutir em castelhano,
é mais difícil que ser um radialista gago,
é mais difícil que soletrar um sobrenome polonês.
Acordar só não é mais difícil
que o drama insano de levantar todos os dias.
Antes que o ano acabe
December 29, 2004Preciso escrever alguma coisa antes que o ano acabe.
Alguma coisa antes que os cães comecem a ganir
com medo dos fogos de artifício.
Alguma coisa antes que os convidados da festa
coloquem as roupas brancas,
antes que os fiéis implorem as mesmas graças
em suas preces silenciosas,
antes que os jornais façam a retrospectiva,
antes que uma grande onda do mar
acabe com tudo aquilo que mais queremos,
antes que a fúria dos deuses prevaleça,
preciso escrever alguma coisa.
Preciso escrever alguma coisa antes que o ano acabe,
antes que vença o prazo, antes que a dor de viver
seja mais forte que tudo, se já não for.
Alguma coisa antes que a pele da moça inominável
seja esquecida pela última das gerações.
Antes que eu durma na mesa do bar,
antes que a empregada venha lavar a roupa das festas,
antes que tudo volte ao normal – as horas, as ruas,
o local de trabalho, o espelho da manhã –, antes
que as nossas piores previsões se confirmem,
antes que o teu beijo venha me salvar do sono,
preciso escrever alguma coisa.
Preciso escrever alguma coisa antes que o doutor
me proíba de tomar cerveja, antes que a adriane galisteu
anuncie o novo namorado, antes que a lista de afazeres
seja maior que o Livro do Eclesiastes,
antes que o prefeito tome posse,
antes que o presidente fale besteira,
antes que o governadorzinho do estado
venha a humilhar um serviçal,
antes que todos saiam de casa,
desligados os computadores,
antes que eu fique sozinho com minha pena
preciso escrever alguma coisa.
Preciso escrever alguma coisa em 12 versos,
alguma coisa sem rima, alguma coisa com ritmo,
alguma coisa com assunto e com essência,
com uma dose de verdade e de mentira,
preciso escrever alguma coisa
tão forte quanto Posêidon,
tão sutil quanto o carbono,
preciso escrever alguma coisa
tão viva quanto a noite.
Alguma coisa que me faça ganhar amigos
e me tornar mais próximo dos que já tenho,
preciso escrever esta coisa.
Preciso escrever alguma coisa
que te faça me ouvir para sempre,
mesmo que uma onda leve as palavras
para o ventre do antigo oceano,
mesmo que a minha face, em preto e branco,
não seja mais vista na face da Terra,
mesmo que o meu filho não venha a gritar
pelo pai no escuro tarde da noite,
mesmo que meu nome seja esquecido
pela última das gerações, mesmo que o dia
me venha a dizer que o tempo acabou,
preciso escrever que te amo.
Medo (outra vez)
December 29, 2004
Para Marcelo Rocha e Jean Ribeiro
E no princípio era o medo,
e sempre foi o medo,
e o medo estava em mim,
e eu era o medo,
ele que tudo prende
e tudo alimenta,
motor da vida, anterior à vida.
E tudo é uma corrida em direção ao onde?,
o pálido e insubstancial onde?,
incerteza que preferimos chamar de tempo,
absurdo que preferimos chamar de noção,
algaravia que preferimos chamar de sentido.
Pálido e insubstancial medo,
gosto no fundo da minha garganta,
raiz dos meus cabelos,
osso preso em si mesmo,
suor dentro do suor,
buraco do olho,
interior das unhas,
sono imperfeito,
gênio enganador,
manhã de pasmo,
criança que não nasceu.
O medo estava lá muito antes do verbo,
da risada sarcástica do inimigo.
O medo ficou à espreita
do mínimo gesto do carbono.
Deu origem natural às caricaturas,
entre elas a vida.
Impossível destruí-lo:
ele não tem um só átomo,
embora seja o deus dos átomos.
A velha casa está sendo demolida
e o medo é o verdadeiro nome das coisas.
Repetidas vezes, ao longo do tempo,
eu o havia esquecido,
mas ele determinou todos os meus passos.
Os homens vão demolir a casa,
depois o mundo,
mas o medo continuará.
Pálido e insubstancial medo,
verdadeiro nome das coisas.
E no princípio era o medo,
e sempre foi o medo,
e o medo estava em mim,
e eu era o medo,
ele que tudo prende
e tudo alimenta,
motor da vida, anterior à vida.
E tudo é uma corrida em direção ao onde?,
o pálido e insubstancial onde?,
incerteza que preferimos chamar de tempo,
absurdo que preferimos chamar de noção,
algaravia que preferimos chamar de sentido.
Pálido e insubstancial medo,
gosto no fundo da minha garganta,
raiz dos meus cabelos,
osso preso em si mesmo,
suor dentro do suor,
buraco do olho,
interior das unhas,
sono imperfeito,
gênio enganador,
manhã de pasmo,
criança que não nasceu.
O medo estava lá muito antes do verbo,
da risada sarcástica do inimigo.
O medo ficou à espreita
do mínimo gesto do carbono.
Deu origem natural às caricaturas,
entre elas a vida.
Impossível destruí-lo:
ele não tem um só átomo,
embora seja o deus dos átomos.
A velha casa está sendo demolida
e o medo é o verdadeiro nome das coisas.
Repetidas vezes, ao longo do tempo,
eu o havia esquecido,
mas ele determinou todos os meus passos.
Os homens vão demolir a casa,
depois o mundo,
mas o medo continuará.
Pálido e insubstancial medo,
verdadeiro nome das coisas.
Irmãs siamesas
December 28, 2004Estou aqui, num cyber, rindo sozinho, esperando a hora de ir para a Terça Tilt e lembrando como o meu amigo e professor Tanga sabe imitar prostitutas quando elas resolvem dar uma de Charles Bronson. Sem o riso, eu estaria acabado. Publicamente: obrigado, mestre Tanga.
*****
Conheço duas irmãs Siamesas: a Esquerda e a Direita. Quando uma está no poder, acusa a outra de manipulação. Uma também acha que a outra quer dominar o mundo, ou já domina. Tão parecidas. É só olhar no espelho: a Esquerda fica à direita; a Direita, à esquerda. Nós, apolíticos, somos idiotas, debilóides, alienados, facilmente manipuláveis por uma e outra. Pelo menos é o que elas acham. Da mesma forma, somos desprezados pelos outros membros da Família: o Centro, a Terceira Via, a Centro-Direita, a Centro-Esquerda, o Centro-Centro, a Esquerda da Direita e a Direita da Esquerda.
Tô fora.
*****
Só preciso lembrar de comprar Neosaldina no caminho.
Sempre sonho
December 28, 2004Meus sonhos, como os de todo mundo, oscilam entre o clichê e o surrealismo, quando não são clichês surrealistas.
Há alguns recorrentes. Tirando aquelas famosas cachoeiras cuja única função é avisar que precisamos ir ao banheiro, cito alguns:
1. Estou morando na república. No mundo real, eu saí há 11 anos de lá, e a casa foi demolida, até construíram um prédio no lugar. Mas, no sonho, a república continua de pé, com todos os detalhes, inclusive o quarto que dava para a cozinha, onde numa noite de porre eu esqueci uma panela de Miojo no fogo e dormi lendo Milan Kundera.
Sobrevivi; sonho sempre com isso.
*****
2. Alguém me liga à tarde no jornal.
– Briguet, você esqueceu de fazer uma disciplina na faculdade. Seu diploma vai ser cassado.
Geralmente é uma disciplina já extinta, como história, matemática, filosofia. E o professor não existe mais. A matéria foi suprimida da grade curricular.
Vão cassar o meu diploma. Sempre sonho.
*****
3. Participei de um crime terrível, junto com outras pessoas. Carrego comigo a culpa, o remorso. E, principalmente, a certeza de que vão me pegar. “Consciência é aquilo que perdemos quando os outros não estão olhando.” (Mencken)
*****
4. Uma festa interminável, interminável. Durmo, acordo; durmo, acordo. Várias vezes – e a festa continua. Espocam flashes de câmera digital.
Ei, mas isso aconteceu na semana passada. E na retrasada!
*****
5. Meu avô. Ele morreu há 20 anos. Foi juiz de futebol, pintor de carros e um corintiano único: quando jogavam Palmeiras e Corinthians, torcia para dar empate, por causa do neto palmeirense. Meu Deus, já faz 20 anos. Foi no dia de Natal.
*****
6. Pessoas que só conheço de nome ou texto. Mesmo depois que as conheço, continuo sonhando com os personagens que imaginava antes. Isso também acontece com cidades: Ouro Preto.
*****
7. Um telefone. Preciso ligar para alguém com urgência, mas não consigo discar o número, por mais que insista.
*****
8. A moça inominável. Ela insiste em aparecer.
*****
9. Meu cachorro Ace late lá fora. Mas está morto há sete anos. Cachorrinho está latindo lá no fundo do quintal, cala a boca cachorrinho...
*****
10. E mais não digo porque não sonhei.
Doença e cura
December 27, 2004
– Trabalho há mais de 30 anos com táxi. Antes, eu dirigia caminhão: um Fenemê. Parti numa viagem de Londrina para Cuiabá. Quase todo o caminho era estrada de terra. Eu não me alimentava direito. De vez em quando eu parava para tomar banho em algum córrego de água transparente. A viagem durava muitos dias, era cansativa demais. Quando estava voltando para Londrina, senti uma falta de ar estranha. Chegando aqui, fui ao médico. Ele disse que era um resfriado. Mas o remédio para resfriado não adiantou. Resolvi ir a um posto de saúde. Naquela época, o posto tirava chapa do pulmão. Voltei dois dias depois para pegar o raio-x, e o médico me disse que eu tinha uma lesão pulmonar. Fui ao dr. Dalton Paranaguá, ele me encaminhou para um especialista em pulmão, o dr. Jeolás. Este me disse que o caso era sério, e recomendou que eu mudasse para Campos do Jordão, aonde iam os doentes do pulmão naquela época, por causa do clima. Mas eu decidi fazer o tratamento aqui em Londrina mesmo. Eu já estava casado - casei muito moço -, tinha dois filhos. Tive que separar tudo que usava: roupas, talheres, louça. Fiquei 90 dias em casa. Tomei mais de 50 injeções, e 14 comprimidos por dia. E não era comprimido pequeno, não. Era tão grande que eu precisava quebrar em dois para poder engolir. Antes de começar o tratamento, o dr. Jeolás perguntou se eu fumava. Eu disse que sim. Ele perguntou quantos cigarros. Eu respondi que fumava uma carteira por dia. Em vez de proibir o cigarro, ele disse: “Olha, não precisa parar de fumar, não. É só diminuir a quantidade”. E eu me curei. Larguei o caminhão, passei a trabalhar com táxi. Há uns anos eu fiz uma corrida com o dr. Jeolás. Vinte dias depois ele morreu. Meus dois filhos estão com mais de 40 anos. E eu tenho 63. Ah, é aqui que você fica? Obrigado. E feliz 2005, feliz Ano Novo pra você.
Pare, olhe, escute
December 26, 2004A incomparável música
da chuva batendo na calha.
A incomparável luz
de um copo d´água na mesa.
O incomparável filme
de um bebê que nada no ar
sem saber se ele e o mundo
são a mesma coisa
ou não.
Canção da verdade
December 24, 2004O que é a verdade?, perguntou Pilatos.
A verdade é um relógio sem ponteiros.
Uma sarça ardente no Mar Morto.
Um sino mudo.
Uma pomba ao lado do Batista.
A verdade é a destruição do Templo.
É a devastação dos bosques
para crucificar rebeldes.
A verdade é uma sentença jamais proferida,
uma profecia jamais posta em palavras.
A verdade é o rosto ilegível do Verbo.
A verdade é o enigma do amor de nossas vidas.
A verdade é o sonho recorrente,
a mulher proibida de todas as noites,
a inveja de Caim, a paciência de Jó.
A verdade é a angústia no Jardim das Oliveiras,
essa dor em forma de gosto na boca,
esse leve desespero dos finais de tarde.
A verdade é um cão abandonado
pelo dono nas ruas do meretrício.
A verdade é inteira, é universal,
é absoluta, é definitiva.
Não há pior inimigo da verdade
do que a meia-verdade.
Há muito tempo desisti
de alcançar a verdade,
de domá-la como se doma
um cavalo selvagem.
Cansei de enfrentá-la
como quem enfrenta
um porco possesso.
O maior gênio entre nós
é um medíocre face à verdade.
O mais lúcido entre nós
é um louco diante da verdade.
A verdade perdeu o sentido
desde a época do fruto.
A verdade sumiu de nossas vistas
com os dez sentidos que perdemos.
Em verdade, em verdade, alguém disse:
a verdade não passará,
mesmo que o homem lave as mãos
pelos séculos dos séculos.
História de Natal
December 24, 2004Dia 24 de dezembro, 12h30, ônibus da Viação Garcia, linha Londrina-Araçatuba. A viagem está chegando ao fim. O ônibus já entrou na cidade.
O passageiro da poltrona 15 – um senhor grisalho – se vira para o passageiro da poltrona 16 – que sou eu – e diz:
– A cidade cresceu bastante.
– Faz muito tempo que o senhor não vem pra cá?
– 38 anos.
– É um bocado de tempo... Tem parentes na cidade?
– Tenho uma irmã – e três sobrinhos que eu não conheço. Estou chegando na casa dela de surpresa. Desde 1966 minha irmã não me vê. Fugi de casa quando tinha 12 anos.
– E por que o senhor fugiu?
– Meus pais morreram e eu não quis morar com parente. Saí de casa com a roupa do corpo. Estou voltando hoje. Ela nem vai me reconhecer. Você me dá licença, eu desço aqui.
– Boa sorte pro senhor.
– Boa sorte pra você também. E feliz Natal.
A invasão de SK
December 22, 2004
Tudo me parecia bom.
A vida era suportável.
Eu tinha um emprego.
Amigos.
Família.
Uma namorada.
Um lar.
Um bar.
Uns discos de João Sebastião.
Talvez mais do que isso.
Mas, de repente, chegou SK.
Inspirando-me sentimentos de SK.
Causando-me terríveis dores de SK.
Trazendo a solidão, o flagelo e SK.
Havia SK em toda parte.
Eu via SK.
Eu ouvia SK.
SK era o pior entre os deuses. A pior entre as bactérias.
SK era malvisto entre os reinos mineral, vegetal, animal e funghi.
Eu sentia a presença de SK pelo ar.
A quinta dimensão, com seu braço implacável,
trazia e SK e sua legião de zumbis.
Após agourentos tremores no solo,
eu encontrava SK no meu prato de almoço,
no meu extrato bancário, no meu holerite.
SK se impregnava nas páginas do jornal.
Tomei uma sopa de letrinhas,
E só havia SKSKSKSKSK.
A máquina de escrever pSrdKS Ks vSgKSs
Os cães latiam, latiam, porque pressentiam
a vinda de SK.
SK era o desconsolo.
SK era a angústia.
SK era o desespero.
SK era o estertor.
SK era “o horror, o horror”.
O universo estava povoado de SKs.
Havia uma conspiração mundial pró-SK.
SK era foda.
SK era dureza.
SK não era bolinho.
Perdi tudo: casa, emprego, namorada.
Minha família se voltou contra mim.
Hoje até os mendigos mudam de calçada
se estou passando.
Nem sequer os hippies da praça me toleram.
Perdi o fiado no pipoqueiro.
Minhas fichas do Bar Brasil foram invalidadas.
Tudo por causa daquilo. Aquilo. Aquilo-que-vocês-sabem.
E, mesmo agora, quando eu me sentia livre,
esquecido em meu canto,
ele reapareceu.
Entrei num ônibus, com meu último passe,
e o que estava tocando no rádio?
Ele. Sempre ele.
Entre o R e o T, entre o J e o L,
o indefectível,
o inefável,
o insuportável.
Até quando, SK, abusarás da minha paciência?
A vida era suportável.
Eu tinha um emprego.
Amigos.
Família.
Uma namorada.
Um lar.
Um bar.
Uns discos de João Sebastião.
Talvez mais do que isso.
Mas, de repente, chegou SK.
Inspirando-me sentimentos de SK.
Causando-me terríveis dores de SK.
Trazendo a solidão, o flagelo e SK.
Havia SK em toda parte.
Eu via SK.
Eu ouvia SK.
SK era o pior entre os deuses. A pior entre as bactérias.
SK era malvisto entre os reinos mineral, vegetal, animal e funghi.
Eu sentia a presença de SK pelo ar.
A quinta dimensão, com seu braço implacável,
trazia e SK e sua legião de zumbis.
Após agourentos tremores no solo,
eu encontrava SK no meu prato de almoço,
no meu extrato bancário, no meu holerite.
SK se impregnava nas páginas do jornal.
Tomei uma sopa de letrinhas,
E só havia SKSKSKSKSK.
A máquina de escrever pSrdKS Ks vSgKSs
Os cães latiam, latiam, porque pressentiam
a vinda de SK.
SK era o desconsolo.
SK era a angústia.
SK era o desespero.
SK era o estertor.
SK era “o horror, o horror”.
O universo estava povoado de SKs.
Havia uma conspiração mundial pró-SK.
SK era foda.
SK era dureza.
SK não era bolinho.
Perdi tudo: casa, emprego, namorada.
Minha família se voltou contra mim.
Hoje até os mendigos mudam de calçada
se estou passando.
Nem sequer os hippies da praça me toleram.
Perdi o fiado no pipoqueiro.
Minhas fichas do Bar Brasil foram invalidadas.
Tudo por causa daquilo. Aquilo. Aquilo-que-vocês-sabem.
E, mesmo agora, quando eu me sentia livre,
esquecido em meu canto,
ele reapareceu.
Entrei num ônibus, com meu último passe,
e o que estava tocando no rádio?
Ele. Sempre ele.
Entre o R e o T, entre o J e o L,
o indefectível,
o inefável,
o insuportável.
Até quando, SK, abusarás da minha paciência?
Adeus, Cine Ouro Verde
December 21, 2004
Hoje, uma crônica de despedida para o Cine Ouro Verde.
Amanhã, um poema sobre o grande mal dos nossos tempos: SK.
E nos encontramos no Magdalena, em meia hora. Pessoal de Curitiba: como sempre, vosso espírito estará presente.
Mas cuidado com SK!!
Tá com pena? Leva pra casa!
December 20, 2004
Não devemos odiar ninguém, eu sei, mas é difícil não odiar o Skank. Desde que o tímpano e o estômago foram inventados, não se ouvia algo tão insuportável, com a possível exceção do Oswaldo Montenegro.
*****
Alguém anda me perseguindo. Aonde quer que eu apareça, toca Skank.
*****
Aquela cara de Playmobil do Samuel Rosa. Aquelas costeletas! Deus me defenda.
*****
E o momento, Rubão?! O que me intriga é o momento! O exato segundo em que uma mulher decide: “Eu vou com o Samuel Rosa!”
O homem é da dimensão bagarai, convenhamos.
*****
Quer ser meu inimigo? Me dê presente um disco do Skank ao vivo. Com o hit “Vamos Fugir”.
*****
Capital Inicial, Cidade Negra, J. Quest também são horríveis, eu sei. Mas nada se compara àquele berirau-bau berirau-bau-bau.
*****
“Eu vou deixaaaar a vida em levar, aonde ela quiseeeeeer.”
Huhjsshdtememfopfght!
*****
Skank é o politicamente correto travestido de pop-rock.
*****
Comprei um livro do Pedro Juan Gutierrez. E vou ler, se vocês me dão licença.
*****
Até que enfim, Tipos!
*****
Em breve, um perfil do Pafu. Ele merece.
*****
E outro perfil do Marcelo Rocha. Ele merece. Daniel, Groo, Galão, Vidal, Lúcio Flávio, Ygor, Tanga, idem ibidem.
*****
Grota!
*****
E perfis da Gabi, da Paula, da Janaína Ávila, da Karla Matida, da Deni – e, é claro, da Rosângela. Todas elas merecem muito mais do que esses hooligans.
*****
Mas Skank, não. Pior que isso, só Kaiser.
*****
É por isso que a letra K, assim sozinha, me dá medo. Pânico.
Seicho, pequeno grande homem
December 14, 2004Cavaleiro de triste figura (memórias esparsas da ESVA)
December 13, 2004O que me intriga é o momento, Rubão. O momento. O exato segundo em que um homem decide tornar-se lenha e dormir na lareira. E eu sou esse homem.
*****
O que me intriga é o instante. O instante. O lapso de tempo em que um homem resolve dormir em pé, na cozinha, ao lado de um monstro marrom já derrotado. Nesse instante desgramado – ô instantinho da moléstia! – chega Ana Banana, e pergunta:
– Briguet, você tá bem? Quer alguma coisa?
Resposta:
– Eu quero viver. Eu quero viver.
Assim. Sem exclamação.
*****
Num momento, estava tudo bem. No outro, eu era um menino de 4 anos. É o que me intriga.
*****
O que me intriga, meu caro Vidal, meu amigo Claudinho Yuge, minha prezadíssima Paula (o Bala achou o filtrado doce!), meu truta Galão, meu estimado Daniel, meus irmãos Marcelo Rocha e Pafu, minha Nossa Senhora do Bom Conselho, minha mãe Jana Ávila, é dormir falando PEGA! PEGA! PEGA! Sonhar acordado, querido Leijoto, é o que me intriga em mim mesmo – e disso não posso escapar.
*****
Sonhei que dona Mirian era um cuco. Aquela portinhola do sótão!
*****
Vivi, Bala, Daniel, anfitriões de responsa: fui tratado por vocês como um lorde e me comportei como um personagem de Charles Bukowski. Perdão, mil vezes perdão. E um obrigado do tamanho do mundo pelo sábado perfeito.
*****
E as dimensões, Rubão? As dimensões? A primeira, a segunda, a terceira, a quarta (que é o tempo) e a quinta, Rubão – a dimensão bagarai!
*****
E eu ainda tive a manha de comprar passagem de avião pro dia errado. Voltei de carro, graças à Deni e ao Gustavo. Sofri uma alucinação na viagem: vi a mesma cobradora (uma loira polonesa) nos cinco pedágios. Versão rediviva da Loira do Banheiro.
*****
Por mim ficaria mais 24 horas em Curitiba, na casa de minha melhor amiga Sílvia Rocha, mas tinha que voltar na segundona para ser banca de um TCC. Há alguma coisa errada com esses estudantes da UEL. Banca de TCC, um sujeito que queria se tornar lenha!
*****
– Me deixa dormir, cabra...
A Esva foi melhor que uma partita do João Sebastião.
Pensem, por exemplo, em Chicó.
Chicó!
*****
Rô, cadê você?
*****
Homem é feio. Dormindo na lareira, Dom Quixote misturado com Sancho Pança, é uma visão do Inferno. Dormindo. Sem precisar de cavalo para cair. E ainda querendo viver.
*****
Desculpe se eu deixei de falar com alguém. Minha vontade era virar amigo de infância de todos.
*****
Obrigado, Moraes, por me fazer conhecer esses tipos.
*****
Espero todos vocês em Londrina. Tem lugar de sobra em casa. Espero vê-los em breve, seus hooligans!
*****
551. É muita ganância.
*****
O legal foi entregar o Troféu Fiasqueira 2004 e, horas depois, me habilitar ao 2005.
*****
Mas o que me intriga é o momento, Rubão.
December 09, 2004
Tive uma idéia hoje, não sei se vocês vão concordar.
Acho que deveria ser criado, com recursos públicos, um Fundo de Pensão para Ex-Astros do Rock.
Assim não teremos que agüentar Pink Floyd, Titãs, Credence, Doors, Deep Purple e outros mausoléus gravando discos que “revisitam” as músicas mais manjadas do universo.
Com o Fundo de Pensão para Dinossauros do Rock, não haverá mais CDs “acústicos” nem aquelas insuportáveis entrevistas no Multishow, nem “balanços” de carreira.
Assim nos livramos, por exemplo, de ter que agüentar o Samuel Rosa Playmobil, falante e cantante aos 60 anos de idade. Já nos basta suportar a nós mesmos.
*****
Meu amigo Preto sugere que o Fundo de Pensão contemple também ex-participantes do Big Brother Brasil e do Fama. Belíssima emenda ao projeto original!
*****
Notícia no UOL: “Papai Noel distribui maconha a estudantes no Rio”.
Eu bem desconfiava que aquela barba branca era de hippie.
*****
Mamãe pediu que nos amássemos, não que nos amassemos.
******
Venha você também para a campanha preventiva contra o pugilato na Esva. O importante, senhores, é derrotar o grande monstro marrom.
Acho que deveria ser criado, com recursos públicos, um Fundo de Pensão para Ex-Astros do Rock.
Assim não teremos que agüentar Pink Floyd, Titãs, Credence, Doors, Deep Purple e outros mausoléus gravando discos que “revisitam” as músicas mais manjadas do universo.
Com o Fundo de Pensão para Dinossauros do Rock, não haverá mais CDs “acústicos” nem aquelas insuportáveis entrevistas no Multishow, nem “balanços” de carreira.
Assim nos livramos, por exemplo, de ter que agüentar o Samuel Rosa Playmobil, falante e cantante aos 60 anos de idade. Já nos basta suportar a nós mesmos.
*****
Meu amigo Preto sugere que o Fundo de Pensão contemple também ex-participantes do Big Brother Brasil e do Fama. Belíssima emenda ao projeto original!
*****
Notícia no UOL: “Papai Noel distribui maconha a estudantes no Rio”.
Eu bem desconfiava que aquela barba branca era de hippie.
*****
Mamãe pediu que nos amássemos, não que nos amassemos.
******
Venha você também para a campanha preventiva contra o pugilato na Esva. O importante, senhores, é derrotar o grande monstro marrom.
O leão
December 09, 2004Caí na malha fina do imposto de renda.
Quem eles acham que eu sou? Um figurão? Um executivo? Terão achado que a minha barriga é decorrente da prosperidade? Será que vão confiscar minha coleção de miniaturas? O carro que eu não tenho? As fichas do Bar Brasil que sobraram na carteira? O livro do Ivan Junqueira?
Venham, fiscais da receita. Venham conhecer minhas reproduções baratas do Matisse, minha poltrona que faz nheco-nheco, minha geladeira que fala bruuum bruuum bruuum. Venham ouvir o canto da máquina de lavar, sentir o olor do sabonete Alma de Flores, contemplar a garagem onde o filhote de dálmata da vizinha está correndo sem parar. Venham ler meu blog. Só não me atrapalhem a Esva, combinado?
O estado brasileiro é uma piada de mau gosto.
*****
Hoje eu e Janaína vamos dar entrevista na TV. Repercussões da Esva.
*****
Sonhei que era perito da Polícia Federal.
*****
Aquele colar havaiano, em dialeto, chama-se “lei”. Hoje, plena quinta-feira, a Mara resolveu fazer uma noite havaiana no Bar Brasil. Ou seja, a Quinta Sem-Lei foi transformada em quinta com “lei”. Pela primeira vez em várias décadas, considero a possibilidade de não ir à QSL. Mas tem a comemoração do Guilherme Mendes da Costa, que acaba de concluir o curso... Sei lá. Mas aquele colarzinho eu não boto.
Vagueamos
December 08, 2004
Vagueamos obscuros
por entre voragens de relento
e nosso grande amigo, o medo,
já se propaga em tudo.
*****
Nosso grande amigo, o vento,
bate à porta faz mil anos
e de tal modo ficamos em silêncio
que assim vamos ficando.
*****
Nenhuma luz. Nenhuma senda.
O bálsamo entre as coisas
não é algo é algo que nos prenda.
Vagueamos obscuros
por entre aragens de loucura
e não há nada em nós
que nos entenda.
Vagueamos.
por entre voragens de relento
e nosso grande amigo, o medo,
já se propaga em tudo.
*****
Nosso grande amigo, o vento,
bate à porta faz mil anos
e de tal modo ficamos em silêncio
que assim vamos ficando.
*****
Nenhuma luz. Nenhuma senda.
O bálsamo entre as coisas
não é algo é algo que nos prenda.
Vagueamos obscuros
por entre aragens de loucura
e não há nada em nós
que nos entenda.
Vagueamos.
Assistente de palhaço uruguaio
December 06, 2004
A passagem está emitida.
Saio de Londrina às 11h50 do sábado, se S. Pedro assim permitir. Chego, espero, uma hora depois. Com fome e sede!
Meus amigos visitantes (Jana, Pafu, MRocha e outros) me recepcionam no aeroporto. Juntos, iremos à casa do sr. Bala.
ESVA: aqui vou eu!
Tipos da Capital: o couro tá comendo, o bicho tá pegando.
Só não vou antes porque não posso.
Só não mais digo porque não sei.
*****
Não pretendo ficar inconsciente. Mas, qualquer coisa, coloquem-me no vôo das 17h45 no domingo, combinado?
*****
E que venha o grande monstro marrom.
******
O pior emprego do mundo: ser assistente de palhaço uruguaio. Desses que ficam no semáforo.
*****
Ia falar de jornalismo, coisa e tal, mas deixa pra lá. Ô assunto chato. Porém, notas mentais: a arrogância investigativa; o complexo de fuleiragem; a síndrome das assessorias.
Dá até medo. Não do monstro marrom. De assunto sério.
Saio de Londrina às 11h50 do sábado, se S. Pedro assim permitir. Chego, espero, uma hora depois. Com fome e sede!
Meus amigos visitantes (Jana, Pafu, MRocha e outros) me recepcionam no aeroporto. Juntos, iremos à casa do sr. Bala.
ESVA: aqui vou eu!
Tipos da Capital: o couro tá comendo, o bicho tá pegando.
Só não vou antes porque não posso.
Só não mais digo porque não sei.
*****
Não pretendo ficar inconsciente. Mas, qualquer coisa, coloquem-me no vôo das 17h45 no domingo, combinado?
*****
E que venha o grande monstro marrom.
******
O pior emprego do mundo: ser assistente de palhaço uruguaio. Desses que ficam no semáforo.
*****
Ia falar de jornalismo, coisa e tal, mas deixa pra lá. Ô assunto chato. Porém, notas mentais: a arrogância investigativa; o complexo de fuleiragem; a síndrome das assessorias.
Dá até medo. Não do monstro marrom. De assunto sério.
Aviso prévio
December 06, 2004
Não ergo catedrais,
só oratórios.
(Às vezes, capelas.)
Não escrevo romances,
só crônicas.
(Com sorte, um verso.)
Não faço revolução,
só amigos.
(No máximo, amor.)
*****
Tudo bem, tudo bem. Admito que esse poema não foi Clube Irmão Caminhoneiro Shell nem Charles Bronson, mas vocês me conhecem... E eu vou na ESVA, pô.
só oratórios.
(Às vezes, capelas.)
Não escrevo romances,
só crônicas.
(Com sorte, um verso.)
Não faço revolução,
só amigos.
(No máximo, amor.)
*****
Tudo bem, tudo bem. Admito que esse poema não foi Clube Irmão Caminhoneiro Shell nem Charles Bronson, mas vocês me conhecem... E eu vou na ESVA, pô.
Um dia eu quero escrever 5% disto aqui:
December 04, 2004
FLOR AMARELA
(de Ivan Junqueira)
Atrás daquela montanha
tem uma flor amarela;
dentro da flor amarela,
o menino que você era.
Porém, se atrás daquela
montanha não houver
a tal flor amarela,
o importante é acreditar
que atrás de outra montanha
tenha uma flor amarela
com o menino que você era
guardado dentro dela.
*****
A ESVA é no próximo sábado? Então, podem colocar meu nome na lista, amigos. Agora, estou tentando convencer a Chefia a ir também.
*****
Ontem um rapaz entrou chorando na redação. Mais uma demissão. O rapaz tinha 10 anos de casa.
Por quê? Ninguém responde.
E eu volto ao Ivan Junqueira.
(de Ivan Junqueira)
Atrás daquela montanha
tem uma flor amarela;
dentro da flor amarela,
o menino que você era.
Porém, se atrás daquela
montanha não houver
a tal flor amarela,
o importante é acreditar
que atrás de outra montanha
tenha uma flor amarela
com o menino que você era
guardado dentro dela.
*****
A ESVA é no próximo sábado? Então, podem colocar meu nome na lista, amigos. Agora, estou tentando convencer a Chefia a ir também.
*****
Ontem um rapaz entrou chorando na redação. Mais uma demissão. O rapaz tinha 10 anos de casa.
Por quê? Ninguém responde.
E eu volto ao Ivan Junqueira.
Diego encontra um papagaio na sexta-feira
December 03, 2004Meu amigo Diego Prazeres esteve hoje numa casa em que há um papagaio. Quando Diego entrou no local, o bicho foi logo exclamando :
– Oi!
Diego fez que não ouviu.
Quando meu amigo estava de saída, o papagaio disse:
– Tchau!
Desta vez, Diego não se conteve, e perguntou à dona da casa:
– Moça, esse tchau não é pra mim, né?
– É, sim. Por quê? Você não gosta de papagaio?
– Não é que eu não goste de papagaio. Mas hoje é sexta-feira, eu não estou a fim de falar com ele.
Virando-se para o bicho, Diego ainda procurou ser simpático:
– Falou?
– Falou – respondeu o papagaio.
Diante disso, Diego pôs as mãos sobre a cabeça:
– Estou precisando de férias.
*****
Isso porque o Diego não é vizinho, como eu, de um papagaio que assobia.
*****
Sexta-feira é dia de papagaio que fala. De papagaio que assobia. De britadeira. De furadeira. De alarme disparado. Sexta-feira é dia dos ruídos e dos trinados. Dos barulhos e dos silvos. Sexta-feira é um dia difícil.
*****
Eu quero ESVA.
Mote da QSL
December 02, 2004Você diz que minha barriga
crescendo dia após dia,
qual uma louca mais-valia,
não tem atrativo algum.
E tem razão, minha amiga,
que esta esfera de uma figa
é de feiúra incomum.
É certo, não tive sorte
de um corpo tão lindo assim.
Entre a academia e a morte,
o que ainda fala mais forte
é o caminho do botequim.
De sorte que posso dizer:
estou grávido de mim.
Não falo outro idioma.
Não visto roupa legal.
Sou feio, e até cafona,
quase um Neanderthal.
Mas hoje é Quinta Sem-Lei,
hoje é meu grande dia,
e mais não digo porque não sei.
Isto é Real
December 02, 2004
Não pedi para ter conta no Banco Real. Fui obrigado a abrir uma porque é o banco da empresa, tal e coisa. Meu salário é depositado lá.
Tempos atrás, fiz uma crônica sobre a infinidade de senhas que nos obrigam a decorar (nos bancos, na Internet, no trabalho, até em casa). Senhas que, geralmente, outros inventam para nós.
Pois então. Eu esqueci minha senha do banco. Digitei uma vez, não era. Digitei duas vezes, não era. Digitei a terceira vez, o cartão foi bloqueado.
Liguei para o banco. Pedi uma nova senha. A moça disse que eu precisava ir até a agência. Eu fui. Esperei na fila. Assinei uma requisição de nova senha. Dirigi-me ao caixa do segundo andar. Digitei minha nova senha. Digitei de novo, para confirmar. Fui até o caixa eletrônico para sacar meu salário inacessível. O caixa eletrônico rejeitou minha nova senha. Voltei ao caixa onde havia digitado a nova senha. A moça disse para eu esperar mais um dia. Amanhã já está resolvido.
No dia seguinte, fui ao caixa eletrônico aqui perto do meu trabalho, esperançoso. O caixa rejeitou novamente a minha senha. Liguei para o banco. A moça me disse que até a tarde o problema estaria resolvido. No início da noite, tentei sacar o dinheiro. Nada. Senha incorreta.
Na manhã seguinte, voltei a ligar para o banco. Expliquei a situação: “Preciso do meu salário”. Ela pediu para eu enviar um fax para a agência com meus dados, assinatura e solicitação de nova senha. Enviei. Ela disse que a assinatura não conferia. Pediu para eu enviar um novo fax.
Uma semana depois destas idas e vindas, a solução foi fazer um DOC (que custou R$ 11) para a minha outra conta. Mas o meu cartão continua bloqueado.
O Banco Real é isso: um choque de realidade. Por isso, resolvi dedicar a ele esta singela crônica. Leia – se o seu banco permitir. Não precisa de senha.
Tempos atrás, fiz uma crônica sobre a infinidade de senhas que nos obrigam a decorar (nos bancos, na Internet, no trabalho, até em casa). Senhas que, geralmente, outros inventam para nós.
Pois então. Eu esqueci minha senha do banco. Digitei uma vez, não era. Digitei duas vezes, não era. Digitei a terceira vez, o cartão foi bloqueado.
Liguei para o banco. Pedi uma nova senha. A moça disse que eu precisava ir até a agência. Eu fui. Esperei na fila. Assinei uma requisição de nova senha. Dirigi-me ao caixa do segundo andar. Digitei minha nova senha. Digitei de novo, para confirmar. Fui até o caixa eletrônico para sacar meu salário inacessível. O caixa eletrônico rejeitou minha nova senha. Voltei ao caixa onde havia digitado a nova senha. A moça disse para eu esperar mais um dia. Amanhã já está resolvido.
No dia seguinte, fui ao caixa eletrônico aqui perto do meu trabalho, esperançoso. O caixa rejeitou novamente a minha senha. Liguei para o banco. A moça me disse que até a tarde o problema estaria resolvido. No início da noite, tentei sacar o dinheiro. Nada. Senha incorreta.
Na manhã seguinte, voltei a ligar para o banco. Expliquei a situação: “Preciso do meu salário”. Ela pediu para eu enviar um fax para a agência com meus dados, assinatura e solicitação de nova senha. Enviei. Ela disse que a assinatura não conferia. Pediu para eu enviar um novo fax.
Uma semana depois destas idas e vindas, a solução foi fazer um DOC (que custou R$ 11) para a minha outra conta. Mas o meu cartão continua bloqueado.
O Banco Real é isso: um choque de realidade. Por isso, resolvi dedicar a ele esta singela crônica. Leia – se o seu banco permitir. Não precisa de senha.
Incomunicação
December 01, 2004Manhã de segunda-feira. Eu e Rosângela chegamos à Rodoviária de Londrina, depois de sete horas de Viação Garcia.
Ela:
– Aquele ali não é o Thunderbird?
Eu:
– De fato. É o Thunderbird.
Não era miragem. Se é que você me entende.
*****
Acabo de voltar de um colégio, onde fui convidado a dar uma palestra para crianças de 8 a 10 anos.
Gosto de crianças, mas a palestra foi um fiasco. Falei mal, não houve empatia. Teve até um aluno que dormiu. As professoras foram legais, mas o resultado foi decepcionante. Por minha culpa.
De vez em quando, tenho estes surtos de incomunicação. Como se eu falasse e pensasse numa língua morta.
*****
Galão e Lúcio Flávio: obrigado pela carona.
E volta, Galão.
*****
Já me arrependi de ter escrito sobre o inexistente Mauro Zouza. Quem sou eu pra chamar alguém, personagem ou não, de babaca, inverossímil, barato? Mas, por princípio, não apago posts nem comentários. Tudo será usado contra mim no tribunal.
*****
E o Thunderbird?
O Briguet nunca responde...
December 01, 2004
Caro Mauro Zouza:
Como cronista que sou (e não poeta) até simpatizo com quem vive com um pé na realidade e outro na ficção.
O fato de você ter “comprado” o blog do Leijoto já diz muito sobre seu caráter.
Você não será o primeiro, nem o último, a chamar jornalistas e escritores de boêmios, colocando-os no mesmo saco, dignos de pena e riso.
Mas o problema é que você não se resolve, Mauro Zouza. Pode colocar na sua tese:
1) Se você não existe (o que, acredito, seja o caso) é mau personagem, inverossímil e barato.
2) Se você existe, é um babaca.
E mais não digo porque não sei (frase que você, por sinal, usou.)
Um forte abraço.
Como cronista que sou (e não poeta) até simpatizo com quem vive com um pé na realidade e outro na ficção.
O fato de você ter “comprado” o blog do Leijoto já diz muito sobre seu caráter.
Você não será o primeiro, nem o último, a chamar jornalistas e escritores de boêmios, colocando-os no mesmo saco, dignos de pena e riso.
Mas o problema é que você não se resolve, Mauro Zouza. Pode colocar na sua tese:
1) Se você não existe (o que, acredito, seja o caso) é mau personagem, inverossímil e barato.
2) Se você existe, é um babaca.
E mais não digo porque não sei (frase que você, por sinal, usou.)
Um forte abraço.