Repórter das Coisas

Balada do Dia dos Mortos

Como se morre em Londrina?
Morre-se de medo e de vergonha,
de dó e de rir.
De alegria até se morre,
mas então se morre feliz.
De morte morrida ou matada,
em Londrina bastante se morre.
Em Londrina, os peixes do lago,
vorazes, morrem pela boca.
E pela boca se fazem as crônicas
da minha tenebrosa ressaca.
Do coração, muito se morre.
De repente, morre-se à beça.
De véspera, nunca vi ninguém morrer.
Como se morre em Londrina, não sei.
Morre-se, e fica-se morto.
Depois dizem que Londrina
é linda de morrer.

Publicado em 04 de novembro de 2004 às 10:54 por briguet

Comentários

    • a ísis é linda de morrer!
    • por a ísis é linda de morrer!
    • 04.Nov.2004 às 12:10 - Permalink - Reportar
    a ísis é linda de morrer!
  1. nicodemos
    • ESPELHO

      Ouvi
      noite dessas
      No meio da escuridão mais lúgubre
      de minha alma
      Grito rouco
      Desesperado
      Acorri para o espelho do juízo
      e perdi minha voz
      Quem era, senão eu mesmo
      encerrado na ilusão de uma imagem
      virtual
      refletora de todos os meus equívocos?....

      Quebrei em mil espelhos
      os pedaços dos meus erros
      E só fiz multiplicar os meus enganos
      por causa do meu desespero
      A minha carne ficou nos cacos
      e a minha essência derramada
      pelo chão do Destino
      Cheira à Morte e Paranóia...

      Hoje não é mais indulgência
      o que outrora foi reflexo
      da minha demência estúpida e cega
      Sou hoje um eremita errante
      Um tolo à beira do abismo
      um papa enamorado enforcado
      no topo do mundo
      o cocheiro do carro
      que tem as rodas da fortuna
      e uma foto do Diabo ao lado da Morte...

      Um dia fui agonia
      Agora sou apenas Terra Devastada
      quem me acaricia é o vento seco
      quem me castiga é um Eu que teima
      em arar o que agora é estéril...

      Talvez alguma noite acorde
      e o espelho, quem sabe, esteja inteiro
      e subsista apenas algumas olheiras
      e a certeza de que o que vejo
      Refletido
      Seja algo real
      mesmo sendo virtual
      No meio da escuridão mais lúgubre
      um grito rouco
      Noite dessas
      Ouvi...

      (Álisson da Hora,2004)
    • por wittgenstein
    • 04.Nov.2004 às 13:11 - Permalink - Reportar
    wittgenstein
    • ESPELHO

      Ouvi
      noite dessas
      No meio da escuridão mais lúgubre
      de minha alma
      Grito rouco
      Desesperado
      Acorri para o espelho do juízo
      e perdi minha voz
      Quem era, senão eu mesmo
      encerrado na ilusão de uma imagem
      virtual
      refletora de todos os meus equívocos?....

      Quebrei em mil espelhos
      os pedaços dos meus erros
      E só fiz multiplicar os meus enganos
      por causa do meu desespero
      A minha carne ficou nos cacos
      e a minha essência derramada
      pelo chão do Destino
      Cheira à Morte e Paranóia...

      Hoje não é mais indulgência
      o que outrora foi reflexo
      da minha demência estúpida e cega
      Sou hoje um eremita errante
      Um tolo à beira do abismo
      um papa enamorado enforcado
      no topo do mundo
      o cocheiro do carro
      que tem as rodas da fortuna
      e uma foto do Diabo ao lado da Morte...

      Um dia fui agonia
      Agora sou apenas Terra Devastada
      quem me acaricia é o vento seco
      quem me castiga é um Eu que teima
      em arar o que agora é estéril...

      Talvez alguma noite acorde
      e o espelho, quem sabe, esteja inteiro
      e subsista apenas algumas olheiras
      e a certeza de que o que vejo
      Refletido
      Seja algo real
      mesmo sendo virtual
      No meio da escuridão mais lúgubre
      um grito rouco
      Noite dessas
      Ouvi...

      (Álisson da Hora,2004)
    • por wittgenstein
    • 04.Nov.2004 às 13:16 - Permalink - Reportar
    wittgenstein
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