Minha querida amiga Sílvia:
Ontem você me ligou brava, muito brava, e olhe que eu já estou acostumado à sua braveza. O motivo era simples: você veio a Londrina e não conseguiu me encontrar.
Confesso que fui negligente e desatencioso; deveria ter retornado aos seus telefonemas com maior rapidez.
Você estava certa; eu, errado. Aliás, não quero discutir o assunto braveza aqui.
Em vez de argumentar, quero apenas usar este espaço, público e notório, embora nem um pouco nobre, para dizer o quanto eu gosto de você.
Parece piegas, não? Parece ridículo? Parece sentimentalóide? Dane-se. Vai ficar pior.
Ou melhor: não apenas gosto de você. Eu amo você. Minha namorada não vai ficar com ciúme, porque ela entende a natureza desse amor. Não é por acaso que amor e amigo são palavras com a mesma origem etimológica.
Amo você; amo seus irmãos (que eu vejo todos os dias ou, pelo menos, todas as semanas); amo as pedras do calçamento por onde você passa (pois elas a sustentam sobre a face da Terra); amo suas memórias de infância e suas histórias da noite; amo o dia em que eu o Marcelo ficamos te colocamos num táxi porque eu queria ir para a “mulherada”; amo o instante em que você voltou ao bar chorando, e eu perguntei com a maior seriedade do mundo: “Silvia, você foi violentada?”; amo até aquele dia em que nós vimos os Bandidões tocando, e na manhã seguinte eu fiquei lendo “Esaú e Jacó” enquanto você dormia morta de ressaca; amo a madrugada em que você ligou cinco vezes lá de Ribeirão Preto dizendo a mesma coisa: “Paulo, eu tô com sono e meus irmãos não querem ir embora!”.
Prometo responder aos seus telefonemas, mesmo que eles venham tarde da noite, mesmo que eles venham às sete horas da manhã de uma Sexta Neosaldina, mesmo que eles não venham.
Prometo e sei que não vou cumprir – porque sou um vagabundo, salafrário e sem-vergonha.
Um beijo, Sílvia. E, mais uma vez, desculpe este seu amigo de meia-pataca.
Publicado em 03 de novembro de 2004 às 12:05 por briguet
Desculpe pela braveza e obrigada pela homenagem. Sou exigente com meus amigos, sobretuto por que tenho muito poucos. Vc é muito importante pra mim e estar longe das pessoas que amo está cada vez mais dificil. Sei que andam me chamando de Curitiboca, mas esta cidade esta muito longe de ter o que tenho aí em Londrina: poucos e vedadeiros amigos, que aliás, nem sei se tenho realmente. Tenho estado muito só e principalmente precisando dos amigos. Aqui, só tenho amigos emprestados. Liguei outro dia, pois queria dividir com vc uma decisão que tomei...nos falamos a qq hora
Bjs
Silvia