Escrevi estes versos de segunda depois de ler jornalismo de primeira: as duas primeiras reportagens da série “Diamantes no Tibagi”, assinadas por Lúcio Flávio Moura (textos) e Sérgio Ranalli (fotos).
Aí vai o poema:
Soneto das pedras
Falo do ofício de achar as pedras,
falo do vício de buscar a foz.
Falo da esquina onde as plantas medram,
falo da forma em meio a todos nós.
Se me falarem que isso é defeito,
respondo: – Meu trabalho é falar.
E assim, dobrando a foz de um tal leito,
as mesmas pedras outras vez achar.
De tal maneira busco a foz ubíqua,
que no caminho vejo pedras, só.
Persigo tanto esta mesma relíquia
que todas pedras logo viram pó.
E meu ofício, de forma conspícua,
vai terminar no mar de um rio maior.
Publicado em 27 de outubro de 2004 às 18:09 por briguet