Hoje de manhã tomei uma sopa de Neosaldinas.
Resultado: virei um herói (ah!).
Sem liga, sem poderes, um monstro a compaixão
– Dom Quixote de Londrina,
homem de triste figura.
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De tantos livros que não li,
criei a anti-sabedoria.
Agora tenho a consciência do nada,
a plenitude do hum...niverso.
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Sou um sparring do tempo.
Um cavalo cheio de antraz,
menos espetacular que espetaculoso.
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Coleciono amnésias
como quem decreta uma pena capital.
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Todas as manhãs desperto
com o incêndio dos matagais da putaria.
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Avançarei
contra uma alcatéia de paradoxos.
Nasceu em mim
um monstro a compaixão.
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Sou cavalo, Pança e Dom Quixote
num só ser.
Tão lúcido
quanto uma pedra em Istambul,
bizantino em dualismos
que me aniquilam.
Pança, cavalo,
Dom Quixote de Londrina.
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Um dia vou me engolir
no pequeno almoço.
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Minha lança foi cravada
contra os teus seios, atriz pornô.
Para consagrar a putaria eterna.
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Minha casa
é um mar mediterrâneo de espinhos.
Porco em forma de oceano.
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Não há verde mais aniquilado
do que o cérebro externo
do meu cavalo podre,
Rocinante.
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Dos moinhos, não me fale.
Que eu sou de triste figura,
Dom Quixote de Londrina.
Publicado em 09 de outubro de 2004 às 00:07 por briguet