Repórter das Coisas

Dom Quixote de Londrina

Hoje de manhã tomei uma sopa de Neosaldinas.
Resultado: virei um herói (ah!).
Sem liga, sem poderes, um monstro a compaixão
– Dom Quixote de Londrina,
homem de triste figura.

*****

De tantos livros que não li,
criei a anti-sabedoria.
Agora tenho a consciência do nada,
a plenitude do hum...niverso.

*****

Sou um sparring do tempo.
Um cavalo cheio de antraz,
menos espetacular que espetaculoso.

*****

Coleciono amnésias
como quem decreta uma pena capital.

*****

Todas as manhãs desperto
com o incêndio dos matagais da putaria.

*****

Avançarei
contra uma alcatéia de paradoxos.
Nasceu em mim
um monstro a compaixão.

*****

Sou cavalo, Pança e Dom Quixote
num só ser.
Tão lúcido
quanto uma pedra em Istambul,
bizantino em dualismos
que me aniquilam.
Pança, cavalo,
Dom Quixote de Londrina.

*****

Um dia vou me engolir
no pequeno almoço.

*****

Minha lança foi cravada
contra os teus seios, atriz pornô.
Para consagrar a putaria eterna.

*****

Minha casa
é um mar mediterrâneo de espinhos.
Porco em forma de oceano.

*****

Não há verde mais aniquilado
do que o cérebro externo
do meu cavalo podre,
Rocinante.


*****

Dos moinhos, não me fale.
Que eu sou de triste figura,
Dom Quixote de Londrina.

Publicado em 09 de outubro de 2004 às 00:07 por briguet

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"Não contavam com minha astúúúcia!"
(Milton Friedman with lasers)

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