Está chegando a hora de votar. E meu voto, para prefeito e vereador, será nulo. Não digo isso como forma de convencer ninguém. Não faço campanha pelo voto nulo; apenas quis dar essa informação, bem clara, aos sete leitores deste blog.
Se alguém perguntar o motivo, aqui está um: a ridícula e estúpida obrigação de votar. Não quero participar do processo político – e pronto. Não consigo nem me divertir com os debates hipócritas e o show medonho do horário eleitoral gratuito. Em todos os lugares minimamente civilizados do mundo, a obrigatoriedade (meu Deus, que palavra horrível) não existe. Vota quem quiser, participa quem quiser.
Só não me venham falar que, votando nulo, eu estou beneficiando o senhor Antonio Belinati. Se Belinati for eleito, isso será responsabilidade exclusiva de quem votar nele. Não se pode dizer que o eleitor do Belinati foi “enganado” ou está “desinformado” sobre o que aconteceu no recente, recentíssimo passado. O mesmo vale para todos os outros candidatos – se vencer Nedson, Hauly ou Barbosa, ou Alex ou Elza ou Félix, ou até o Naudemar, a culpa não é minha, é dos seus respectivos eleitores. E me recuso a votar no “menos pior”. Até porque nada me garante - pelo contrário - que o menos pior seja tão menos pior assim.
Tem outra coisa. Dois amigos – gente boa, decente, inteligente – disseram que vão sair de Londrina se o Belinati ganhar. Por favor, não façam isso. A cidade – não só Londrina, mas qualquer cidade –, por piores aberrações que tenha ou eleja, ainda é melhor, maior e mais importante que um indivíduo sentado na cadeira de prefeito. Fiquem. Não abaixem a cabeça para a monstruosidade política.
Vamos, senhores comentaristas. Podem me chamar de alienado, reacionário (se você for um comentarista de esquerda) ou anarquista (se você for um comentarista de direita). Ou usem idiota e burro, como costuma acontecer quando eu escrevo poemas. Mil vezes, eu prefiro a idiotia grega à letargia mental. Não tenho nada, nonada a ver com essa pólis. E viva o Grande Otelo!
PS: O pior de tudo é que tem Lei Seca. Mas eu sou da turma sem-lei.
PS2: Só lembrando: minha “política” é não responder a comentários.
Publicado em 02 de outubro de 2004 às 19:14 por briguet
Afinal dá para considerar um direito aquilo que obrigam as pessoas a fazerem? Na minha opinião não, por isso considero o voto mais para dever do que para direito do cidadão. E ao falar dever não estou referindo-me ao compromisso cívico que as pessoas têm por achar que assim estão contruibuindo para o futuro da cidade, estado ou país. É o dever no sentido antidemocrático, em que se é punido ao deixar de fazê-lo.
Que tipo de república democrática é esta em que o voto e o serviço militar são obrigatórios?! Algo muito comum é as pessoas esquecerem em quem votaram nas eleições passadas. E por que isso ocorre? Uma das razões é justamente a obrigatoriedade do voto. Por que o eleitor não acompanha o trabalho dos políticos eleitos por ele? Devido à obrigatoriedade do voto! Acredito que se o voto fosse facultativo, isso seria diferente, ou seja, participaria das eleições quem realmente está interessado, quem mais tarde iria cobrar do candidato aquilo que foi prometido. Isso seria exercitar seu direito democraticamente.