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Archive for October of 2004

Notas de uma Sexta Neosaldina

October 29, 2004


Perdi, há alguns minutos, a chance de entrevistar Francisco Cuoco. Liguei e ele não estava em casa; eu tinha que fechar a matéria, foi sem entrevista mesmo.
Ouvi a voz do Cuoco na secretária eletrônica: “Isto é uma gravação...”
Mas só o fato de desenterrar as novelas “O Astro” e “Os Gigantes” já foi legal.



Estou gostando dessa história de trabalhar aqui na sede da TV Coroados. Mas não sei se o meu fígado vai agüentar a vizinhança do dr. Marcelo Rocha. É Drury’s, camarada.




Tive uma idéia para post, mas resolvi deixar para depois da eleição. Tudo é depois da eleição. Humpf.



Ontem escrevi um perfil do Mário Bortolotto. O texto ficou assim-assim, mas o título é legal: “Você conhece o Mário?”



Domingo, tem uma crônica em que eu falo do Dia do Livro. Jornalismo é bom para a gente fazer coisas imperfeitas. Ou até bobas. Mas – fazer.



Por que em toda Sexta Neosaldina tem que aparecer um cara com furadeira na Redação e um alarme de carro tem que disparar durante duas horas seguidas? Assim eu não vou lá e não desenvolvo!

Memorize

October 28, 2004

Memorize estes versos.
Memorize estas palavras.
Saiba que em cada vírgula,
em cada ponto, em cada forma,
em cada pausa – mora Deus.

Nada que nos é dado
nos é dado por acaso.
Não há mera coincidência:
tudo o que incide agora
sobre seus olhos,
sua boca, a ponta de seus dedos
é o enredo das coisas,
é a história do mundo.

Memorize
as cachaças que você tomou
e os tombos que você levou.
Memorize os falidos amores
e as sombras da paixão futura.
O enigma das coisas óbvias
– memorize, memorize.

Memorize os amigos,
a força, a ternura.
Memorize a altura,
o coração e a cabeça,
a água e o óleo
radiantes sobre a mesa.

Memorize
o quarto e o exílio,
o choro dentro do sonho
e a lógica do desespero.
A invasão da Normandia
e o cerco a Stalingrado.
O roubo do pão
e o vinho tomado.
A fábula antes de dormir
e a moral da história.
(Não deixe a memória
ir embora daqui.)

Cada mínima sílaba
que entra em seus olhos
e sai de sua boca
contém o interminável conto.

Memorize estes versos,
Memorize estas palavras, meu amigo,
e elas vão lembrar de você
– para sempre.

Londrina, 27.out.2004

É pau, é pedra

October 27, 2004
Escrevi estes versos de segunda depois de ler jornalismo de primeira: as duas primeiras reportagens da série “Diamantes no Tibagi”, assinadas por Lúcio Flávio Moura (textos) e Sérgio Ranalli (fotos).
Aí vai o poema:


Soneto das pedras

Falo do ofício de achar as pedras,
falo do vício de buscar a foz.
Falo da esquina onde as plantas medram,
falo da forma em meio a todos nós.

Se me falarem que isso é defeito,
respondo: – Meu trabalho é falar.
E assim, dobrando a foz de um tal leito,
as mesmas pedras outras vez achar.

De tal maneira busco a foz ubíqua,
que no caminho vejo pedras, só.
Persigo tanto esta mesma relíquia

que todas pedras logo viram pó.
E meu ofício, de forma conspícua,
vai terminar no mar de um rio maior.

Crônica das coincidências

October 26, 2004
Uma amiga presenciou a seguinte conversa entre duas moças no banheiro do Valentino:
- Você conhece o Paulo Briguet?
- Claro. Ele já foi ao meu consultório.
- E o que ele tinha?
- Cãibra. Cãibra no ombro.

******

Nunca procurei consultório algum com cãibra no ombro, mas tudo bem. Coincidências acontecem (mesmo no WC do Valentino). A elas - coincidências, e não moças do banheiro - eu dediquei uma crônica. Coincida.

Túnel

October 25, 2004
Dizem que existe um túnel secreto ligando o Bar Brasil ao Valentino, os dois bares da cidade.
A entrada do túnel fica nos cantos, perto do banheiro masculino; basta procurá-la com atenção e persistência.
Lá estão todos os meus e os seus fantasmas. Os de todo mundo.
A garota de olhos amendoados, que parava de sorrir quando a gente não estava olhando.
A estudante que perdeu o brinco no campus e ficou muda para sempre.
A falsa amiga que me ouviu no telefone, suspirando de tédio, durante 15 minutos. “Eu não posso viver sem essa mulher!” Essa mulher era a de olhos amendoados. Olhos sombrios.
O médico que, depois de receber o pagamento em dinheiro, me disse: “Bico calado!”
A ex-cunhada que me xingou de covarde. O começo da frase é mentira: não existe ex-cunhada.
Há o mendigo que andava no meio da rua, pedindo para ser atropelado. E eu não o tirei de lá.
As ex-garçonetes do Bar Brasil, aquelas a quem dediquei vários poemas, também vivem por lá. Servem uma Skol para quem entra no túnel.
Mas quem entra no túnel não sai nunca mais.

Canção da incubadora

October 24, 2004
Ao meu pequeno primo Mateus (2004)


Mateus, que arte foi essa de nascer e morrer tão cedo?
Te vejo pequeno, Mateus, não mais pesado que um livro, onde o primeiro capítulo é também o epílogo.
O que é isso, Mateus, que faz o maestro ficar surdo, que faz o pintor ficar cego, que faz o saltador perder a perna, que faz o goleiro falhar no segundo tempo – e que faz Mateus morrer?
Mateus, tua pequena voz e teus pequenos olhos, ainda imersos na obscuridade, o ar que respiravas no ventre seco da incubadora, todos esses teus vestígios que não vingaram, Mateus, para mim estão vivos e já cresceram.
Meu primo, meu pequeno primo, já conheço tua voz e teu choro, teus braços e tua risada, a mulher de tua vida e teus grandes amigos. Já vi teu berço e tua casa, tua guerra e tua memória.
Jogavas futebol aos sábados, Mateus, e ias ao cinema com as garotas na quarta-feira (porque era mais barato). Gostavas de matemática e sonhavas em ser engenheiro ou analista de sistemas. Dormias bem nas manhãs chuvosas de domingo.
Observei atentamente, meu primo, meu pequeno primo, o itinerário de cada fio de teus cabelos, o ritmo do sangue dentro dos teus vasos, e alma ensimesmada dentro do teu corpo.
Já vi teu tempo inteiro, Mateus: o menino e o moço, o adulto e o velho. Conheci tua alegria diante dos meses.
Que arte foi essa, Mateus, de morrer e nascer tão cedo?
Mas resta ainda um caminho, para o qual tudo se destina: se o tempo levou Mateus, deixou para nós Carolina.

O tempo passa! *

October 21, 2004
Pá-pá-pá-pá-pá-pá - Rede Globo apresenta Esporte Espetacular.

Tem caras que são velhos desde que eu era criança (e olha que isso faz tempo). O Léo Batista é um deles. Pelos meus cálculos, ele deve ter uns 97 anos. O Wilson Moreira é outro. Ele deve mentir a idade. Diz que tem 81, mas, na verdade, anda pelos 102. E sabe que eu gosto do velhinho?

* Frase de Fiori Gigliotti, outro velhinho gente boa.

Bela frase para a semana útil

October 18, 2004

“As coincidências são trocadilhos espirituais.”
(Chesterton)

O homem seminu

October 15, 2004

Moro no 2o andar.
O pastor mora no 4o andar. Com a mulher e a filha.
Meu prédio não tem elevador. Só escada.
Todos os dias (mesmo nas sextas-Neosaldina), eu acordo cedo e abro a porta para pegar o jornal.
Ontem, a síndica me chamou para conversar. Tinha uma reclamação.
Segundo a síndica, o pastor ficou aborrecido porque a filha me viu de cueca, na hora de pegar o jornal.
Não devem ter sido mais de três segundos de Paulo Briguet de cueca, mas foram suficientes para a indignação do pastor. E de sua filha.
Aqui, peço publicamente desculpas ao vizinho. Não foi de propósito, pastor. Foi apenas uma desatenção matinal, que não se repetirá.
Só um porém: numa cidade prestes a eleger Belinati, creio que os meus três segundos de cueca estejam entre as menores indecências.

Isto aqui é QSL, rapá!

October 14, 2004

Enquanto os srs. e as sras. estiverem lá, no show de Los Hermanos, nós estaremos no balcão do Bar Brasil, tomando conta do lugar.



E mais não digo porque não sei.

Morar sozinho

October 14, 2004


(Mais um post patrocinado por Neosaldina Corporation)


Morar sozinho é esquecer uma panela de Miojo no fogão. É freqüentar o endereço dos fantasmas. É abrir uma lata de sardinha às duas e meia da madruga. É, no meio do dia, sentir vontade de telefonar para si mesmo. Morar sozinho é foda, mas é legal.
Morar sozinho é observar a fruteira vazia. É enganar a si mesmo na hora de acordar (só mais 15 minutos, só mais meia hora, só mais uma horinha). É dormir e acreditar que tem mais gente em casa. É receber uma ligação da síndica. Morar sozinho é duro.
Estranha arte, a de morar sozinho. Arte dos adiamentos eternos e das conversas com a geladeira (também vazia).
Assim é morar sozinho: acordar, lavar o rosto, escovar os dentes, tomar duas Neosaldinas, sair para o mundo e estar sozinho no mundo. Quando em casa, fingir que não tem ninguém. A campainha quebrada há mais de nove meses. O sono diante da TV ligada, um copo d´água pela metade, um cordão de sapato feito cobra no tapete. Uma cama em desalinho. A TV ligada (e o filme continua dentro da cabeça).
Morar sozinho é ler o jornal, de manhã, com profunda desatenção. É voltar no meio da noite e não encontrar ninguém em casa. É pedir uma pizza inexistente e uma Coca “normal” de 600. É ver que o entregador de lanches ficou de cabelos brancos.
Morar sozinho é sentir falta do amigo imaginário da infância (que hoje deve estar casado e com três filhos, futebol aos sábados, restaurante aos domingos). É viver, todo dia, as últimas cenas de 2001.
Morar sozinho é perder o sono por coisas idiotas (do tipo: “O Belinati vai ser prefeito”). É esperar a Quinta Sem-Lei enquanto o Lúcio Flávio espera o show de Los Hermanos. É esperar o fim de semana, o vento leve e o silêncio respeitoso das manhãs de domingo, quando não estou sozinho. É atender a um telefone do pai às 7 e meia da matina.
Morar sozinho é dar nome aos objetos, nome e sobrenome. É ter problemas com as pombas que insistem em fazer ninho à janela. É ter uma coleção de miniaturas e uma infinidade de livros não-lidos. É tomar banho ouvindo Bach.
Morar sozinho é exercitar a loucura de nascer todos os dias no tempo. É caminhar entre os meses como quem chuta pedras no chão. É legal, mas é foda.
E a campainha – a campainha continua quebrada.

Homem e Super-Homem

October 12, 2004
Para Fernando Sabino e Christopher Reeve


Eu tinha 9 anos quando assisti a “Superman”. No final, aplaudi.

*****

Eu tinha 12 anos quando li “O menino no espelho”. No final, aplaudi.

*****

Aplaudir um livro ou um filme não é coisa que se faça. Mas meninos fazem muita coisa que não se faz.

*****

Nesta segunda-feira – só poderia ser uma! – morreram Christopher Reeve, o ator de “Superman”, e Fernando Sabino, autor de “O menino no espelho”.

*****

Todo menino se espelhava no Superman. Ele era bom, forte e só falava a verdade. No entanto, a minha única semelhança com o personagem de Reeve é o fato de também ser jornalista. E, verdade seja dita, essa não era a melhor qualidade de Clark Kent.

*****

Eu achava que o Fernando Sabino seria eterno, ficaria “para semente”, como diz minha mãe. Ele iria fazer 81 anos no Dia da Criança. Mas, engraçado, eu o considerava muito novo para morrer.

*****

Christopher Reeve, transformado na antítese física do Super-Homem, depois do acidente que o deixou tetraplégico, tinha só 52 anos. Dos super-poderes, só lhe restou um: falar a verdade. Deixou de ser super para ser apenas um homem.

*****

Agora, Fernando Sabino pode se unir aos amigos Otto Lara Resende, Hélio Pellegrino e Paulo Mendes Campos. Só uma pergunta: no Céu tem uísque?

*****

Agora, Reeve pode tomar um uísque no Céu com Marlon Brando – que era seu pai em “Superman”.

*****

Em “O menino no espelho”, o personagem Fernando tem uma galinha chamada Fernanda. Um dia, a família resolve jantar a Fernanda. Fernando fica muito triste.

*****

Fui visitar ontem uma amiga. A filha dela, de quatro anos, mostrou-me o peixinho de estimação. E explicou, com um sorriso: “Eu tinha outro, mas morreu.”

*****

Estou muito mais triste do que a menina que perdeu o peixinho ou o menino que perdeu a galinha Fernanda. A morte de Fernando e Christopher me deixa mais sozinho – como um garoto aplaudindo a simples passagem do tempo.

Uma cena de “O homem que amava as mulheres”

October 11, 2004

O personagem principal, Bertrand, interessa-se por uma bela loira e descobre que ela é baby-sitter.
Solteiro e sem filhos, ele mesmo assim resolve contratar os serviços da moça, por telefone.
Ela chega ao apartamento de Bertrand e pergunta:
- Onde está a criança?
- Está no quarto, dormindo. Eu já estou me preparando para sair, espere só um minuto.
Enquanto Bertrand vai à sala, a baby-sitter entra no quarto e, no lugar da suposta criança, encontra uma boneca.
Com a boneca nas mãos, a loira pergunta a Bertrand:
- O que é isso? Onde está a criança?
Ele abaixa os olhos e diz:
- A criança sou eu.

Nada é política, política é nada

October 11, 2004
Bush e Belinati. Se tudo fosse política, como defendem alguns, eu desistiria da vida.

*****

Um dos prazeres da vida é assistir a um bom filme quando menos a gente espera. Ontem à noite, sem querer, vi “O homem que amava as mulheres”, de Truffaut. Me deu até vontade de escrever um artigo sobre os 20 anos da morte dele. Uma beleza, Grota.

Hãn-hãn? Entendeu, hein? Hein?

October 09, 2004
Finalmente eu encontrei alguém que me compreende no Orkut. Marcelo Rocha, olha isso!

Hãn-hãn? Entendeu, hein? Hein?
Hãn-hãn? Entendeu, hein? Hein?
Hãn-hãn? Entendeu, hein? Hein?

Dom Quixote de Londrina

October 09, 2004

Hoje de manhã tomei uma sopa de Neosaldinas.
Resultado: virei um herói (ah!).
Sem liga, sem poderes, um monstro a compaixão
– Dom Quixote de Londrina,
homem de triste figura.

*****

De tantos livros que não li,
criei a anti-sabedoria.
Agora tenho a consciência do nada,
a plenitude do hum...niverso.

*****

Sou um sparring do tempo.
Um cavalo cheio de antraz,
menos espetacular que espetaculoso.

*****

Coleciono amnésias
como quem decreta uma pena capital.

*****

Todas as manhãs desperto
com o incêndio dos matagais da putaria.

*****

Avançarei
contra uma alcatéia de paradoxos.
Nasceu em mim
um monstro a compaixão.

*****

Sou cavalo, Pança e Dom Quixote
num só ser.
Tão lúcido
quanto uma pedra em Istambul,
bizantino em dualismos
que me aniquilam.
Pança, cavalo,
Dom Quixote de Londrina.

*****

Um dia vou me engolir
no pequeno almoço.

*****

Minha lança foi cravada
contra os teus seios, atriz pornô.
Para consagrar a putaria eterna.

*****

Minha casa
é um mar mediterrâneo de espinhos.
Porco em forma de oceano.

*****

Não há verde mais aniquilado
do que o cérebro externo
do meu cavalo podre,
Rocinante.


*****

Dos moinhos, não me fale.
Que eu sou de triste figura,
Dom Quixote de Londrina.

O beijo tosco

October 07, 2004

Na crônica da semana, O maravilhoso mundo de spam.



Programa cultural: hoje à noite, Zé Bento Faria Ferraz, ex-secretário de Mário de Andrade, faz uma palestra no CCH. Para antes da Quinta Sem-Lei. Começa às 20 horas.



Eu gosto de beijos entre mulheres. Acho bonito. Mas aquele beijo da Syang com a Preta Gil, copiando Britney Spears e Madonna, como já disse o Galão, é de uma jequice sem tamanho, de uma subserviência colossal, uma tosquice de quinta.



Não é muito legal levar um senhor de 92 anos à QSL, não é? Quero dizer, para a saúde dele. O ambiente é inóspito. Mas que hoje tem, tem. Encontro vocês lá no Balcão Norte do BB.

Diário de um ex-comunista

October 04, 2004

Quando eu era comunista, as coisas tornavam-se mais fáceis. Estes aqui, eu amava. Aqueles ali, eu odiava. Proletas, burgueses: as variações e mudanças eram atribuídas à deusa Dialética.

*****

Daí para 100 milhões de mortos, um pulinho.

*****

Já disse, mas torno a dizer: deixar de ser comunista é mole. Duro mesmo é deixar de odiar o capitalismo.

*****

Os caras não querem só que a gente trabalhe; eles querem que a gente acredite neles.

*****

Encontrei uma conhecida na rua, ela perguntou onde eu estava trabalhando. Eu disse. Ela fez uma cara de desprezo: “Xi, Briguet, continua servindo ao capital!”

*****

Encontrei um motorista de táxi; ele me perguntou em que eu votaria. Eu respondi: “No Grande Otelo”. Ele: “Mas os jornalistas não votam todos no PT?”.

*****

Ser um ex-comunista é como ser índio catequizado pelos jesuítas. Para os índios, eles eram brancos. Para os brancos, eles eram índios.

*****

Ser cronista também não é fácil. O pessoal da literatura diz que eu sou do jornalismo. O pessoal do jornalismo diz que eu sou da literatura.

*****

E daí? (Como diria Carlos Lacerda, a pergunta mais importante do lead.)

Epidemia de segunda

October 04, 2004
Bom dia, segunda-feira.

B. e N. vão ao segundo turno. Grande Otelo perdeu!

Barrichello chegou em segundo.

Você está com segundas intenções.

Perdi a identidade. Preciso tirar uma segunda via.

Antes do tiro na nuca:
– Calma. Não vai durar mais que um segundo.

Nesse Titanic, eu viajo até de segunda classe.

Sem um segundo homem na defesa, perdemos aos 45 do segundo tempo e caímos para a segundona.

Karol Wojtila, também conhecido como João Paulo II.

A Paixão segundo São Mateus (de João Sebastião).

A Paixão segundo São João (de João Sebastião).

O Evangelho segundo Jesus Cristo (do Saramago. Ser amargo, Filisteu?).

Isso foi antes da Segunda Guerra.

Dom Quixote, sempre secundado por Sancho Pança.

Briguet, sempre secundado por Neosaldina.

Isso vai ficar em segundo plano.

Eu mereço uma segunda chance.

Eu quero ouvir uma segunda opinião.

Boa noite, segunda-feira.

Anotações de um eleitor nulo

October 02, 2004

Está chegando a hora de votar. E meu voto, para prefeito e vereador, será nulo. Não digo isso como forma de convencer ninguém. Não faço campanha pelo voto nulo; apenas quis dar essa informação, bem clara, aos sete leitores deste blog.
Se alguém perguntar o motivo, aqui está um: a ridícula e estúpida obrigação de votar. Não quero participar do processo político – e pronto. Não consigo nem me divertir com os debates hipócritas e o show medonho do horário eleitoral gratuito. Em todos os lugares minimamente civilizados do mundo, a obrigatoriedade (meu Deus, que palavra horrível) não existe. Vota quem quiser, participa quem quiser.
Só não me venham falar que, votando nulo, eu estou beneficiando o senhor Antonio Belinati. Se Belinati for eleito, isso será responsabilidade exclusiva de quem votar nele. Não se pode dizer que o eleitor do Belinati foi “enganado” ou está “desinformado” sobre o que aconteceu no recente, recentíssimo passado. O mesmo vale para todos os outros candidatos – se vencer Nedson, Hauly ou Barbosa, ou Alex ou Elza ou Félix, ou até o Naudemar, a culpa não é minha, é dos seus respectivos eleitores. E me recuso a votar no “menos pior”. Até porque nada me garante - pelo contrário - que o menos pior seja tão menos pior assim.
Tem outra coisa. Dois amigos – gente boa, decente, inteligente – disseram que vão sair de Londrina se o Belinati ganhar. Por favor, não façam isso. A cidade – não só Londrina, mas qualquer cidade –, por piores aberrações que tenha ou eleja, ainda é melhor, maior e mais importante que um indivíduo sentado na cadeira de prefeito. Fiquem. Não abaixem a cabeça para a monstruosidade política.
Vamos, senhores comentaristas. Podem me chamar de alienado, reacionário (se você for um comentarista de esquerda) ou anarquista (se você for um comentarista de direita). Ou usem idiota e burro, como costuma acontecer quando eu escrevo poemas. Mil vezes, eu prefiro a idiotia grega à letargia mental. Não tenho nada, nonada a ver com essa pólis. E viva o Grande Otelo!

PS: O pior de tudo é que tem Lei Seca. Mas eu sou da turma sem-lei.
PS2: Só lembrando: minha “política” é não responder a comentários.