A poesia espanta as pessoas. Se você tem algo importante a dizer, não use versos. Se você tem algo importante a dizer, diga da forma mais direta e truculenta possível. Esqueça a sutileza e as meias-palavras. Não lapide o pensamento. Diga, simplesmente.
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A poesia é uma aberração da linguagem.
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Em nosso país, temos mais poetas do que leitores de poesia. Isso quer dizer que boa parte dos poetas não lê poemas além dos próprios. Talvez isso explique por que os poetas espantem as pessoas. Poesia ruim é a ante-sala dos infernos.
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Falta, em nosso país, a poesia mediana. Aqui só há poesia-lixo ou poesia “genial”. Preocupados em fazer lixo ou obras-primas, os autores de poesia se esquecem de escrever bons versos. Apenas bons versos.
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Dizem que o poema, o bom poema, traz a essência do idioma. Ora, o idioma não é feito para veicular essências! O idioma é feito para gritar, xingar, difamar, ofender, tripudiar, guerrear. Não tem sido assim, todos os dias? Poetas são seres profundamente ingênuos, que acreditam na linguagem como modo de aproximação entre as pesssoas. A ingenuidade é uma forma de loucura, dizia Graham Greene. Poetas deveriam ser internados na Clínica das Palmeiras. E que levem os cronistas com eles.
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A poesia, em verdade, em verdade, é um modo de incomunicação entre os homens; a linguagem poética está mais morta do que o latim e o sânscrito. Pior que isso: a poesia é o esperanto dos gêneros literários. Um fracasso em todos os sentidos. Não há pior loser que um poeta.
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A única forma aceitável de comunicação, em nosso tempo, é a narrativa crua, seca, bruta, sem emoções.
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Quando o Lobo Mau regurgitou a Vovozinha, o Caçador colocou pedras no ventre da fera. A linguagem é a pedra que nasce da pedra: nós somos os lobos os lobos estéreis de nós mesmos. A poesia não tem nada a ver conosco.
Publicado em 14 de setembro de 2004 às 16:54 por briguet