As coisas que deixei sobre o balcão
foram muitas, além das desculpas.
De variada qualidade e procedência,
foram esquecidas
como uma civilização esquece
a língua morta;
e o homem,
o grito de nascer;
e a árvore de 100 anos,
a hora do plantio.
O balcão é feito da madeira
da árvore esquecida,
é feito de línguas mortas
e de crianças mudas.
O balcão é feito, na verdade,
das coisas esquecidas
sobre o balcão.
Publicado em 13 de setembro de 2004 às 18:25 por briguet