Eu faço apenas
curtos poemas.
Não faço cantos,
não faço histórias,
nem odisséias
(só irrisórias).
Nas minhas guerras,
Só há memória.
Canudos, onde?
E quede Tróia?
Se me contento,
diante das grandes,
das grandes teses,
com as pequenas,
está perfeito,
valeu a pena.
Eu faço apenas
reles poemas.
Se me perguntam
como era antes,
digo que antes
era só nunca.
Se me perguntam
se faço contos,
se crio pombos,
odes, romances,
eu digo: amigo,
não seja tonto,
que esse estorvo
era pro Cervantes.
Se me perguntam
se crio corvos,
um arrepio
me sobe ao pêlo.
(Me diga lá
se é de bom-tom
criar aqueles
que vão comê-lo!)
Da minha parte
não crio bichos,
sejam de escamas,
pêlos ou penas:
se perguntarem
pelo que faço
diga: um maço
de longos problemas.
Publicado em 09 de setembro de 2004 às 23:53 por briguet