Hoje, mais do que nunca, eu sei que estava errado quando escolhi esta profissão.
Aqui, cheguei a acreditar que o trabalho poderia ser uma atividade tranqüila e prazerosa. Mas, agora, este lugar praticamente vazio, silencioso como um poço, eu me pergunto se esta profissão tem algum futuro.
Caiu a ficha. Estamos condenados à extinção, como os sapateiros, os mecanógrafos, os paneleiros e a expressão “cair a ficha”.
Graham Greene dizia que a ingenuidade é uma forma de loucura. E eu fui ingênuo, escravo da minha própria vaidade. Acreditei! Acreditei, mesmo sabendo de tudo. Sabendo que esta profissão é vista com desprezo por quase todos. Sabendo que esta profissão nos rende a fama de pernósticos e ardilosos. Sabendo que o estigma da mentira paira sobre nossas cabeças. Sabendo que esta profissão jamais vai oferecer a mínima segurança para o filho que ainda não tive. Sabendo que esta profissão não privilegia nem a competência, nem a integridade. Sabendo que tanta gente jovem e boa se ilude achando que a coisa vai mudar. Sabendo que a esquerda vai dizer que estamos vendidos para a direita, e que a direita vai dizer que estamos a serviço da esquerda. Sabendo que, hoje, ficar é mais duro que partir. Sabendo, acima de tudo, que nada sei, além de fazer o que estou fazendo: colocar uma palavra na frente da outra.
Mas, felizmente, desaprendi a lição do ódio. Mais do que nunca, ouço as palavras do sábio Eclesiastes: Vaidade das vaidades, vaidade das vaidades! Tudo é vaidade e vento que passa.
Publicado em 24 de agosto de 2004 às 11:31 por briguet
Um abraço,