Quando duas grávidas pedem esmola na esquina da Rua Pernambuco com a Avenida JK; quando uma garota clubber consulta o banco eletrônico; quando eu volto em pensamento à noite em que fui jurado do Concurso de Paródias e atravessei o palco do Cine Teatro Ouro Verde com a platéia gritando “Bicha! Bicha! Bicha!” e fui recebido na boca do palco por uma ex-namorada que havia me dado o maior fora de todos os tempos; quando olho para a bagunça do meu escritório e imagino que ela já adquiriu vida e personalidade próprias; quando ouço um concerto de Brahms que não estava no programa e, meu Deus, é de arrasar o quarteirão e abalar as vigas de concreto; quando recebo um telefonema da campanha de Alex Canziani e digo que NÃO, não vou votar em ninguém e não quero receber material de campanha nenhum; quando “você se separou de mim / quase que a minha vida teve fim...”; quando sonho que o
Lúcio Flávio e o
Guilherme Mendes da Costa moravam no Bexiga em São Paulo, em 1988, época em que eles não deveriam nem ser nascidos; quando as Olimpíadas me parecem um mero exercício da vaidade humana em forma de tempos e pontos; quando sinto uma imensa compaixão da humanidade e do tiozinho que distribui folhetos de COMPRO OURO no Calçadão...
... nada melhor que lembrar: amanhã é Quinta Sem-Lei.