Só agora me dou conta de que fiz 34 anos.
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Não é algo que alguém perceba com facilidade.
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Fazer 34 anos é fazer nada, completar o irrelevante, arrematar o vazio.
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Já passei dos 30, mas ainda não estou perto dos 40.
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Aquele guitarrista dizia para não confiar em ninguém com mais de 30; o dito otimista ensina que a vida começa aos 40. Quer dizer: não sou digno de confiança nem comecei a viver.
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Já se foi a Idade de Cristo, já acabou a Idade da Razão. Acho que estou na idade da pedra.
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No domingo, um dia depois de completar 34 anos, fui ao Bar do Chico; fiquei lendo jornal, bebendo cerveja e ouvindo o canário-do-reino cantar bonito dentro da gaiola.
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Se eu me transformasse subitamente naquele canário, como me faria entender? Como explicaria o fato de ser um homem preso no corpo de um canário – preso na gaiola?
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O que estou sentindo ao tomar consciência de meus 34 anos é tão difícil quanto dizer alguma coisa, sendo um canário. Ou uma pedra.
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A exemplo do canário do Bar do Chico, não me sinto com idade alguma.
Mas fico feliz com todos que foram ao Brasiliano, no sábado, e cantaram parabéns umas 17 vezes. Fico contente com todos os recados no e-mail e no telefone. Fico contente em ver o filme do Grota, que estreou no dia do meu aniversário, por acaso.
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Tenho 34 anos. Há 17, eu tinha 17. Há 14, 20. Há 10, 24. Há 70, nenhum. Não sou jovem, nem adulto, nem velho. Sou um homem de 34 anos – nem mais, nem menos, nem isso.
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E o Groo vem para a QSL. Até lá.
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Nem mais, nem menos, nem isso.
Publicado em 12 de julho de 2004 às 15:57 por briguet