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Archive for July of 2004

Se eu não puder dizer noite

July 31, 2004
Van Gogh

Se eu não puder dizer noite,
que será das casas desconhecidas
passando na janela do ônibus
quando viajo de madrugada?
Pra onde vou fugir quando resolvo
entrar no último bar, depois das duas,
pensando numa frase do Pessoa?

Se eu não puder dizer sonho,
que fazer da tua mão, teu cheiro,
tua boca explodindo numa treva,
o grito do animal livre das cordas?

Se eu não puder dizer paz,
que fazer dos livros mais amados,
das páginas que me esperam, na estante,
em silêncio de pretérito perfeito?

Se eu não puder dizer tempo,
que será do meu abrigo intransponível,
diante da pior entre as doenças,
aquela que se chama esquecimento?

Se eu não puder dizer Deus,
se eu não puder dizer mãe,
se eu não puder dizer luz,
nem alma, nem amor, nem coração
– então muito melhor será calar
deixar que o grande incêndio continue
– até a mais total devastação.

Plnatão médico

July 31, 2004


O paciente Paulo Briguet é submetido a uma inalação emergencial de Neosaldina, após a Quinta Sem-Lei. “Eu acho que ele tem chances”, comenta o chefe da equipe médica.

Irmão

July 29, 2004
Eu não posso ser você,
essa coisa inaceitável
que me fita
com olhos de nada
e boca de desprezo.
Esses olhos tão mortos,
tão mortos quanto um peixe,
não são meus.
Nem tua camisa
de gola derruída
e pescoço paralítico:
esse não sou eu.

Eu tinha pensado
em coisa melhor pra mim.
Tinha pensado
em ventos de fogo,
em cavalos de raça
trotando na falésia,
tinha pensado
em vagas de treva
no vão da cordilheira.

Mas nada se confirmou.
Restou apenas
o rosto sem face,
essa voz sem boca,
esse lado sem meio
que não sou eu, é você.

Jamais vou acreditar
que pertenço a mim mesmo.
Eu não posso ser você,
um irmão desnaturado
ocupante do que eu era.

Nunca li um livro de filosofia até o fim

July 29, 2004

Antes de mesmo de nascer, eu já estava perdido no bosque interminável dos símbolos. Por isso, não me falem da vida real; a verdade nada importa. Pretendo fugir da verdade como um desertor foge da corte marcial.

*****

Só conheço uma lucidez: o espanto da minha ignorância. Dizem que a ignorância é atrevida. No meu caso, não: ela tem medo.

*****

E chega de viadagem, que hoje é Quinta Sem-Lei. Té mais tarde.

Pessoal e intransferível

July 28, 2004
Salvo engano, é do Pavlov a frase: “Quando o rato come alface, não é o rato que vira alface, mas a alface que vira rato”. Que me perdoe meu xará russo, o rei dos ratos que roem, mas tenho observado que, no caso dos hominídeos, isso nem sempre acontece. A pessoa às vezes se torna aquilo que come, bebe, ouve, lê, aspira, traga ou veste. Manja aquela piada do português na frente do aquário, que passou a se comportar como um peixe? Então. Acho que isso acontece com todos nós. O Groo já exprimiu brilhantemente a relação entre os seres humanos e as bebidas que tomam, portanto deixo o tema de lado, por concluído.
Eu acho que a Rosângela, minha namorada, é pessoa-Bach. Pessoas-Mozart são Janaína Ávila, Karla Matida, Zero. Cláudio Yuge é pessoa-Beethoven. Pessoa-Debussy é meu amigo Preto, o Ranulfo.
Tanga é pessoa-Italo Calvino. Grota é pessoa-Dostoiévski, talvez pessoa-Godard, mais provavelmente pessoa-Grota. Ygor é pessoa-Rimbaud, Gabi é pessoa-Quintana. Moraes é pessoa-Ionesco.
Bob Marley, claro, era pessoa-maconha. Ao passo que Maradona e Courtney Love são pessoas-cocaína. (Nota da redação: Não é preciso usar a droga em questão para ser uma pessoa da dita. Há pessoas-maconha apenas comendo alface.)
Primo Levi, que além de grande escritor era químico, tem um livro chamado “A Tabela Periódica”, onde cada capítulo corresponde a um elemento. O meu preferido é Carbono, onde um átomo do referido elemento vaga por todo o universo até atingir a perfeição de um ponto final.
As possibilidades são inúmeras. Um físico poderia classificar seus amigos conforme as partículas do átomo: pessoas-nêutron, pessoas-elétron, pessoas-próton, pessoas-neutrino, pessoas-méson-pi... Um técnico de futebol poderia escalar seu círculo de convivência: pessoas-goleiro, pessoas-lateral, pessoas-zagueiro, pessoas-líbero, pessoas-meia, pessoas-atacante, pessoas-reserva, pessoas-massagista, pessoas-cartola... Um contabilista poderia elencar pessoas-despesa, pessoas-receita, pessoas-fluxo-de-caixa, pessoas-nota-fiscal. Um cardiologista, pessoas-infarto, pessoas-insuficiência-cardíaca, pessoas-marcapasso, pessoas-transplante, pessoas-sopro, pessoas-colesterol...
Não importa: Em qualquer lugar, há pessoas-lugar. Há pessoas-Londrina, pessoas-Curitiba, pessoas-São Paulo, pessoas-Nova York, pessoas-Sabáudia. Acredito até mesmo na existência de pessoas-Bela Vista do Paraíso.
Mas, pessoa-medo, vou calando a boca, antes que seja tarde. Hoje nem vou comer alface no almoço. Deus me livre!

Visões do Inferno

July 27, 2004
Você é o único espectador de um programa interminável de Hebe Camargo. Ela entrevista só gente mala e depois canta sempre a mesma música, com a voz de Ivete Sangalo: “E vai rolar a festa, vai rolar...”

******

Seu quarto no Inferno tem uma cadeira e um telão, onde Caetano Veloso dá uma entrevista sem fim sobre a diversidade da cultura baiana. Nos intervalos, o Skank toca: “Eu vou deixaaaaar a vida me levaaaaaar, pra onde ela quiseeeer...”

******

Seu lugar escolhido pelo Coisa-Ruim é um ônibus da Grande Londrina, onde o passageiro ao lado começa a fazer campanha desabrida pro Belinati. E o ponto de descida nunca – eu quero dizer NUNCA – chega.

*****

Você acorda com uma tenebrosa ressaca, pelado, na Mata do Godói. Ao seu lado, também nua, Margareth Thatcher (se for mulher, troque por Bush, Sharon ou Arafat). Sempre que você volta a dormir, acorda do mesmo jeito. E não consegue fugir nunca.

*****

Preso num boteco, onde a cerveja e todas as outras bebidas acabaram, com um desses cantores de MPB que só tocam clichê. O lugar está cheio de pessoas-maconha. Todo mundo grita, incessantemente: TOCA RAUUUUUUL! Mas o cara só toca... TARDE EM ITAPOÃ.

*****

Um corredor com centenas portas. Sempre que você abre uma delas, vê o Carlinhos Brown, cantando ou dando uma palestra sobre responsabilidade social.

*****

Um churrasco sem fim, só com cerveja Kaiser quente e a companhia de todos os vereadores de Londrina e Curitiba.

*****

Um concerto interminável da Família Lima.

*****
Faça também a sua VISÃO DO INFERNO.

Elogio da ignorância

July 26, 2004

O relógio do Terminal Urbano está para sempre parado em 4h41.

Duas vezes por dia, ele acerta.

*****

Um dos meus passatempos prediletos de segunda-feira é ler os jornais do domingo.

Na página 2 do Estadão, uma doutoranda da USP escreve dando pau em Mario Vargas Llosa, que teria defendido estado laico na União Européia.

Ao terminar o artigo, sinto a delícia de não ter - e não querer ter - opinião nenhuma sobre o tal assunto.



Irmão contra hermano

July 25, 2004
O futebol foi inventado para Brasil x Argentina. Os ingleses mal podiam imaginar...
Brasil x Argentina é mais do que um jogo. É o desembarque na Normandia. É o cerco de Stalingrado. É a Revolução Cultural. É a Guerra do Peloponeso. É briga de facções em Bangu 1. É Esaú contra Jacó. É quando irmão desconhece irmão.
O sangue é Brasil x Argentina – mas só quando ferve. A voz é Brasil x Argentina – mas só quando grita. O tempo é Brasil x Argentina – mas só quando pára. Nem a Muralha da China, nem a Invencível Armada, nem a represa de Itaipu podem segurar Brasil x Argentina.
Brasil x Argentina é sonho pra quem ganha, pesadelo pra quem perde, fibrilações cardíacas em caso de decisão por pênaltis. Brasil x Argentina é o caos em formato de 90 minutos. Brasil x Argentina é um prenúncio do Apocalipse. Os dois times estarão em campo quando soarem as trombetas – assim disse um profeta.
Brasil x Argentina é aquilo que, por milagre, une brasileiros e argentinos – mas cada um do seu lado da fronteira. É o ódio no olhar, é a ofensa na ponta da língua, é o palavrão que vem não sei de onde. Brasil x Argentina é uma razão de existir para o Brasil e a Argentina. É quando irmão desconhece hermano.
Brasil x Argentina? É isso aí que eu estou vendo agora.

Paraná, Paraná, Paraná

July 24, 2004
Nesta tarde de sábado, esperando a hora de ir ao churrasco do Marcelo Rocha, escrevi uma crônica sobre o Paraná.
Leia um trecho:

Como diz aquele samba de Zé Kéti, se perguntarem por mim, diz que fui pra Uraí. Talvez atrás de Jussara, minha primeira namorada, Palmas para ela. Ouvi dizer que aqui existe um lugar onde é sempre feriado: Primeiro de Maio. Quando eu era criança, costumava perguntar a meu pai por que ninguém trabalhava no Dia do Trabalho. Menino, eu sonhava com uma semana composta apenas de sábados, como deve ser em Sabáudia. Hoje eu quero um ano, dez anos, um século apenas de quintas-feiras, quintas sem-lei, como em Quinta do Sol. Será que Jussara fica por perto, ou quebrou tudo e se mudou pra Astorga?

Para ler a crônica inteira (coragem!), dê um pulo aqui.

De cegos e videntes

July 23, 2004

Tenho dois olhos para o dia
e dois olhos para a noite.
Dois olhos da vista
e dois olhos da cegueira.

Quem tem olhos de ver
também tem olhos de errar:
somos videntes de agora,
cegos de tudo mais.

Invisível o que foi
(para sempre perdido
no glaucoma da memória);
e o que será
mais intangível
que um telefone de rua
ao toque da bengala.

Nada vemos além
do instante,
e a noite da cegueira
nos espera,
vigiando na esquina.

Dois olhos para o dia,
dois olhos para a noite.
Quem tem olhos de ver,
cegará.

É duro quando...

July 21, 2004

... seu vizinho estuda violoncelo.

... alguém resolve fazer campanha pro Belinati no ônibus.

... um poeta da qualidade do Vinicius de Moraes decide virar hippie depois de velho.

... a Paula Schütze diz que vem e não vem.

... acaba a Neosaldina.

... seu vizinho fala tão alto no telefone que você consegue escutar toda a conversa dele.

... a faxineira do prédio insiste em colocar seu capacho no lugar errado.

... a pizzaria manda a pizza errada.

... acaba o antidepressivo.

... o café está frio.

... o poema que você acabou de fazer contém um cacófato.

... aquela música do Simple Minds não sai da cabeça.

... a gente fica procurando rostos na placa de mármore do banheiro ou nas nuvens.

... da torneira não sai água.

... o seu time perde.

... a moça não responde ao bom-dia.

... o antivírus não justifica o próprio nome.

... o zelador não entrega o jornal.

... a gente confunde as senhas do banco e da Internet.

... não é quinta-feira.

É duro quando... faça o seu também!

londrinas - 1

July 20, 2004
minha cidade
meu vão
meu campo de concentração

minha cidade
meu destino
meu campo de extermínio

minha cidade
minha vilã
ghiggia no maracanã

minha cidade
meu impossível
motivo de suicídio

minha cidade
minha sentença
onde toda pedra pensa

minha cidade
terra vermelha
barro, pó e centelha

Falem a verdade: eu me pareço com ele?

July 17, 2004

Ra-ra-ra, Simpson!

ficha criminal

July 16, 2004
Foi duro o dia
em que matei o homem.
Quando traí meu pai.
Quando aleijei me'rmão.
Quando cuspi no amigo
ao fim da execução.
Foi triste consumar
o que a todos consome.

Foi triste aquele dia
em que vendi meu cão.
Por uns 30 reais
foi lá pro matadouro.
Gastei tudo em bebida:
um monte de cerveja
e Ypioca ouro.

Se degolei meu tio,
se trucidei meus filhos,
se esmaguei com os pés
os pobres andarilhos,
não há por que chorar
meu destino maldito.

Mulheres magoadas,
credores furiosos,
com ódio sempiterno
aguardam, esperançosos,
o dia alvissareiro
de me mandar pro inferno.

Londrina em três movimentos

July 15, 2004
Veja aqui minha opinião sobre o filme do Grota.

*****

Bora depois pra QSL, cambada!

uma cerveja por gentileza

July 15, 2004
ok garota
eu sei que você odeia o bar brasil
mas hoje é quinta
quinta-feira
quinta sem-lei

o lúcio flávio esta aí com seus trocadilhos
o aurélio chefe de todos nós
fábio galão com a sabedoria
e até o groo com a noite bastarda

marcelo rocha pontifica
guilherme costa exemplifica
pafu multiplica

janaínas ester karla
a pequena patty
e minha amada rô
fazem do feio
bonito

ok garota
eu sei que você não ama a vida
mas hoje é quinta
quinta-feira
quinta sem-lei.


É isto um homem de 34 anos?

July 12, 2004
Só agora me dou conta de que fiz 34 anos.

*****

Não é algo que alguém perceba com facilidade.

*****
Fazer 34 anos é fazer nada, completar o irrelevante, arrematar o vazio.

*****

Já passei dos 30, mas ainda não estou perto dos 40.

*****

Aquele guitarrista dizia para não confiar em ninguém com mais de 30; o dito otimista ensina que a vida começa aos 40. Quer dizer: não sou digno de confiança nem comecei a viver.

*****
Já se foi a Idade de Cristo, já acabou a Idade da Razão. Acho que estou na idade da pedra.

*****
No domingo, um dia depois de completar 34 anos, fui ao Bar do Chico; fiquei lendo jornal, bebendo cerveja e ouvindo o canário-do-reino cantar bonito dentro da gaiola.

*****

Se eu me transformasse subitamente naquele canário, como me faria entender? Como explicaria o fato de ser um homem preso no corpo de um canário – preso na gaiola?

*****
O que estou sentindo ao tomar consciência de meus 34 anos é tão difícil quanto dizer alguma coisa, sendo um canário. Ou uma pedra.

*****

A exemplo do canário do Bar do Chico, não me sinto com idade alguma.
Mas fico feliz com todos que foram ao Brasiliano, no sábado, e cantaram parabéns umas 17 vezes. Fico contente com todos os recados no e-mail e no telefone. Fico contente em ver o filme do Grota, que estreou no dia do meu aniversário, por acaso.

*****
Tenho 34 anos. Há 17, eu tinha 17. Há 14, 20. Há 10, 24. Há 70, nenhum. Não sou jovem, nem adulto, nem velho. Sou um homem de 34 anos – nem mais, nem menos, nem isso.

*****

E o Groo vem para a QSL. Até lá.

*****

Nem mais, nem menos, nem isso.

Olha o Grota aí, gente!

July 10, 2004
Bora ver o filme do Grota, rapaziada!
Começa 20h30, no Green Gold.
Depois tem balacobaco e telecoteco. Não é todo dia que eu faço 34 anos sem-lei.

??????????

July 09, 2004


As interrogações acima representam indivíduos no balcão do Bar Brasil, durante uma Quinta Sem-Lei.

*****

Que descanse com a paz que nunca teve.

*****

Ninguém nunca respondeu ao enigma da própria interrogação.

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Jamais verei a música que vem do outro cômodo da casa.

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O frio de julho cabe ao Sol indeciso.

*****

Espero pelo dia em que acabarão as sextas-feiras.

*****

Acabarão: mais parece nome do Antigo Testamento.

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E Malaquias gerou a Efraim, e Efraim gerou a Acabarão.

*****

Quero uma semana composta de ontens.

*****

Minha amiga,
minha heroína,
minha paz,
minha Neosaldina.

QSL, sem dúvida

July 08, 2004

O Shoyu e o Pimenta não puderam ser candidatos a vice-prefeito. Será que a eleição ficou sem tempero?
Ora, para resolver o problema basta trazer para Londrina os repórteres Rodrigo Sais (este nome nunca foi dito no Tipos!) e Marcelo Canelas.
Mesmo porque também temos a cobertura do Maionese.
O importante é que todo mundo fique arisco.
Bora pra Quinta Sem-Lei, cambada! Lá tem mais piadas infames. E meus indefectíveis números de Guilherme Arantes e Ivan Lins. (Animo festinhas.)
É no BB mesmo.

Alerta geral na QSL

July 07, 2004
Eu sei que deveria estar pensando nas criancinhas com fome, no Belinati, na violência entre bandas, mas na verdade o que me deixa preocupado é a próxima quinta sem-lei.
Explico-me: amanhã tem jogo do Brasil e não sei o que será de nossa paz. Os nativos costumam aparecer em grupos muito beligerantes nessas ocasiões.
Vocês aí me digam se há solução para tal sinuca.

Minha pequena prima

July 06, 2004
O Bar Brasil vai ter que esperar. Beatriz nasceu, e para ela eu fiz uma crônica.

Cenas de pugilato

July 05, 2004
Outro dia Cláudio Yuge e Márcio Leijoto se ameaçaram mutuamente aqui no Tipos, lá no blog do Galão, por causa de música. Sou chapa de todos os envolvidos, portanto preferi acreditar que a troca de sopapos virtuais não era séria.
Eis que agora o tal “Chorão” do Charlie Brown Jr. deu um murro na cara do Marcelo Camelo, do Los Hermanos.
Será que haverá cenas de pugilato no Tipos? Leijoto defendendo o Charlie Brown, Lúcio Flávio defendendo Los Hermanos, Yuge defendendo os Pixies, que nada têm a ver com o caso?
Por favor, pessoal, mamãe pediu que nos amássemos, não que nos amassemos.

PS: Apesar do meu nome, sou o cara menos briguento dubrasil.

Apolíticas - 1

July 05, 2004

Eu também quero uma Londrina livre das drogas.
Que tal começar por propagandas de candidatos fora do prazo eleitoral?

Vide bula

July 04, 2004
Xilocaína para a dor de dente.
Pra dor de ouvido, álcool absoluto.
Anti-tristeza, paroxetina.
Mas pro domingo, Deus, não há remédio.

*****

Sim, Portugal perdeu para a Grécia.
Mas a Portuguesinha Londrinense fez sua parte: 4 a 1 sobre o Nacional de Rolândia. Eu vi com estes olhos que a terra.

Meu rock and roll

July 03, 2004
Glenn Gould tocando Bach não é coisa deste mundo. Eu precisava dizer isso.

*****

A crônica do Bar Brasil está saindo. (Quem perguntou?)

*****

Glauco Mattoso, mais um grande poeta que eu não conhecia.

Madrigal da putaria

July 02, 2004
(Depois de ler “Antologia Pornográfica”)


O dia escureceu mais cedo
e putaria tomou conta do meu mundo.
Quero dizer-escrever este nome
que tanto evitei pronunciar:
putaria, putaria, putaria, putaria.

Haverá faces vermelhas, risos de sarcasmo,
haverá quem sinta apenas o desprezo,
mas não posso desprezar nem evitar
a força desta sentença:
putaria é o fim do dia,
putaria anoiteceu mais cedo.

Putaria tomou minhas mãos,
apagou minha presença,
extorquiu minha memória
– meu único bem de nascença.
Putaria tampou meus ouvidos
me encheu de impertinências.
Meu sangue é todo putaria,
putaria dos pés à cabeça.


Putaria roubou minhas rimas,
putaria piorou meus versos,
e depois, ainda por cima,
disse que eu era perverso.
Putaria é a tenista russa,
a atriz pornô alemã;
putaria é a professora seca
pra comer o aluno tarado.
Putaria, só putaria
tem vista pra todos os lados.

Putaria perdeu minha chave,
putaria cegou meu cachorro,
putaria atirou a pedra
que matou meu último sonho.

Putaria é o nome da coisa
que carrego no centro da noite.
Ela é minha musa e fraqueza,
ela é meu leito e açoite.

Putaria, eu já não sei onde
o teu corpo devasso vou pôr,
mas quando voltar o dia
o teu nome será amor.