Na minha adolescência, ô palavra feia, The Cure era uma banda nova. E eu acreditava que não teria mais espinhas depois dos 30 anos.
Tenho.
Depois dos 30 anos, eu não teria medo.
Tenho. Mais que antes.
Depois dos 30, eu teria barba.
Não tenho. Mesmo assim, preciso me barbear todas as manhãs.
Quando eu tinha 18 anos, minha mãe vivia dizendo que era jovem demais para beber tanto.
Hoje ela diz que um homem com mais de 30 anos não deve beber assim.
Eu saberia falar três línguas aos 33 anos.
Mal falo o português.
Teria conhecido o mundo inteiro.
Só fui a Paris. Dez dias.
Teria lido as obras completas do Balzac.
Li “O Pai Goriot”. E uma parte de “Ilusões Perdidas”.
Depois dos 30 anos, só aprendi uma coisa: não vou pensar mais em como seria depois dos 60.
Mas sei que restará a sensação de absurdo – esta banalidade temporal dentro de cada coisa.
Bota um João Sebastião na vitrola, Mané!
Publicado em 25 de junho de 2004 às 21:39 por briguet
que vai nus danu.