A mulher do tempo é um fantasma,
e você sabe: fantasmas não existem.
Fantasmas, irreais, nada podem fazer,
então prevêem o tempo.
O tempo, não existindo,
se apega à realidade do fantasma da mulher.
A mulher, como não perde tempo,
torna-se um fantasma da própria inexistência.
A previsão do tempo da mulher, apegada
à condição de não existir, real,
sabe que não há mais tempo para nada.
E a mulher se torna mulher,
e o tempo prevê o tempo
que os fantasmas já sabem: você.
Publicado em 16 de junho de 2004 às 01:38 por briguet