Repórter das Coisas

Gato gatuno, cachorro chorro

Daqui a pouco vou ao República tomar cerveja e ouvir os DJs Kid Vinil e Fábio Galão. O primeiro tem idade para ser pai do segundo. Mas conhecem quase o mesmo tanto de rock (pelo menos na minha opinião de bachiano).

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Meia hora atrás fui à farmácia comprar Neosaldina, medida profilática essencial. Em cima da prateleira, uma televisão estava ligada na MTV. Aquela moça do Pato Fu cantava: “Eu bebo pinga... e não sei se isso é bom pra mim...” Na folha de cheque estava escrito, embaixo do meu nome: cliente desde fevereiro de 1989. Quantos anos tinha o Fábio Galão em 1989?

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Com 19 anos, eu não passava de um mala que vivia citando Freud. Pseudo-intelectual. Pelo menos hoje eu assumo a ignorância, antes que venham comprová-la.

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Hoje um cara que trabalha comigo fez 33 anos. Meu Deus, ele é um ano mais novo do que eu. Um ano. E eu o considerava pelo menos uns cinco anos mais velho. Não que ele seja envelhecido, acabado, caquético, ranzinza ou qualquer coisa assim. É que eu quase nunca me olho no espelho. Me imagino com a cara do RG, da folha de cheque. Cliente desde fevereiro de 1989. Dos 19 anos, ganhei a barriga e perdi a empáfia. Nenhuma evolução. Por isso o tempo me causa tanto medo.

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Agora eu estava abrindo a porta de casa, quando um gato preto me olhou durante alguns instantes. O tempo é o gato gatuno, eu sou o cachorro chorro.

Publicado em 09 de junho de 2004 às 21:19 por briguet

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(Milton Friedman with lasers)

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