No momento, a única parte funcional de meu corpo é a mão que escreve estas palavras. Esqueçam o cérebro; ele foi dormir. Há algo parecido com uma pulsação, mas deve ser apenas um daqueles misteriosos barulhos do computador.
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Escrever também é um termo inadequado. Digito. É como Truman Capote esnobou Jack Kerouac: “That´s not writing, that´s type-writing”. (Sei que vocês vão perdoar a minha fluência jamaicana).
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A gripe de segunda-feira é uma das mais perversas invenções da Natureza para provar sua superioridade sobre nós outros. Se o chá de infusão não fizer efeito, daqui a pouco estarei como aquele cientista que só mexe um dedinho da mão esquerda. Mas – é claro, e trágico – sem a inteligência.
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Gripe, como pegas?
Por que logo eu?
De onde esta manada
que em meu nariz correu?
Gripe, como passas?
De tosse e de garganta,
por que este naufrágio
que em mim se alevanta?
Gripe, como és?
Por que este calvário
pregando-me uma peça
do espírito aos pés?
Gripe na segunda?
Posso até trabalhar,
mas deste apartamento
não tirarei a bunda.
Publicado em 07 de junho de 2004 às 05:52 por briguet