Por onde andaram os Tipos? Não sei, não quero saber, tenho raiva de quem sabe. Só falo na presença de um advogado. Tudo que eu disser pode ser usado contra o Guilherme Mendes da Costa no tribunal. Não falo nem sob tortura. Não falo nem que a vac... Aaaaaaaaai. Aaaaaaai. Tá bom, eu falo, eu falo, eu falo tudo, mas me liberem pra Quinta Sem-Lei, fechado? E dois X-quecas, que eu tô com fome.
Andaram em Andaraí. Andaram em Andorra. Andaram em Andirá. Andaram na Andaluzia. Andaram em Andaró. Este último lugar não existe.
Está provado: os Tipos são andarilhos. Foram até o 13º andar de um hotel americano, mas como os hotéis americanos não têm 13º andar, vê aí qualquer quarto que eu tô com sono.
Foram vistos em cassinos de Pedro Juan Caballero. Na seção de revistas eróticas dos melhores supermercados da Patagônia. Tomando saquê em Lisboa, tomando vinho do Porto em Osaka, tomando banho na Groenlândia. Foram vistos caçando ursos em um seriado dos anos 70, paquerando uma sósia da Farrah Fawcett. Foram vistos no banheiro com privada de tchibum em mercearia de Santo Antônio do Aracanguá. Foram vistos em Tlön e Uqbar. Foram vistos no bar. Foram vistos na sarjeta. Foram vistos no albergue. Foram vistos trabalhando como lanterninhas no FILO. Foram vistos como garçons fantasiados de avestruzes em uma leiteria de renome.
Tipo assim, leite tipo B, tipo sangüíneo, tipografia, linotipo, biótipo, tipóia, típico – palavras assim me perseguiram, xamãs gaiatos, durante estes longos dias em que ficamos fora do ar.
“Malditos peles-vermelhas!”, diria John Wayne, em filme dublado na Sessão Coruja. “Merrrrda!”, diria um ator brasileiro, dublado pelo Paulo César Pereio, com sotaque carioca, num daqueles filmes que passam no Canal Brasil às três da manhã.
Tipos é assim como luz e água – sabendo usar não vai faltar. Acabou o romantismo? Nada entendo de servidores. Vocês que manjam, por favor e caridade, resolvam! Tem gente passando fome, cortando os pulsos, esfacelando a própria língua, chamando PM da Rone de boneca assanhada, fazendo as refeições no banheiro do Valentino às três da matina! Tem crianças chorando! Mulheres inconsoláveis! Adolescentes tomando quebra-queixo! Cachorros uivando em sol menor! Dentaduras matraqueando pelos ares sulfúricos do inverno, digo, do Inferno! MUTLEY, FAÇA ALGUMA COISAAAA!
Dizem que os Tipos andaram participando do primeiro grupo indie axé dubrasil; dizem que é coisa da Mara Tara; dizem que o Raul Plassmann vai assumir a diretoria de futebol; dizem que o Lula expulsou a gente no mesmo pacote do Larry Rohter; a esquerda diz que foi conspiração da direita; a esquerda diz que foi conspiração da direita; dizem que as mulheres tinham marcado mão e pé, sabe como é, não dá pra desmarcar.
Meus dedos, com vontade própria, insistiam em digitar o endereço dos Tipos lá em cima. Uma, duas, cinco, 129 vezes por dia. A solidão é uma página em branco com uma frase do Moraes. Salvem-me da crise de abstinência. Não me deixem só! Eu pago mensalidade, faço rifa, animo festinhas, improviso um número de merengue, toco xilofone, qualquer coisa. Só não me deixem acontecer outra vez. Combinado, combinado? Tudo beleza, tudo certo? Sem mais para o momento, subscrevo-me,
Paulo Briguet, seu criado.
Publicado em 18 de maio de 2004 às 18:40 por briguet
ops, tarde demais, agora já tá dito. mas eu declaro que é tudo lorota dele.