Logo se vê que ela carrega fantasmas no peito
e uma turba de demônios assedia o seu quarto.
Nestes olhos espertos, há uma carga de angústias
que nem 100 milhões de bênçãos poderiam dissipar.
Nota-se desde já que ela pertence à dor,
e que seus melhores amigos, se os há,
não lhe devotam confiança,
e que os homens só querem se aninhar
no vão das pernas – pernas que viram na TV.
Logo se vê que seu cigarro
é a ante-sala do Inferno,
e que os trajes sumários
são apenas os andrajos da discórdia.
Logo se vê que a solidão, um dia,
com a flecha dos ódios prensados
vai transformar seu nome
em sal dentro do mar.
Publicado em 11 de maio de 2004 às 13:37 por briguet
mas fiquei triste, acho que senti a solidão da menina do poema enquanto estava lendo... afinal literatura não serve só pra divertir é pra perturbar também...