Repórter das Coisas

Elogio da besteira

Agora vou escrever
sobre as besteiras que já escrevi.
Sobre aquelas que todos os dias
eu multiplico sem dó.
Foram tantas que às vezes duvido
que eu seja mesmo um só.

Besteiras me nascem das mãos,
besteiras me nascem da boca.
Me nascem da tez, da barriga,
dos pés, do joelho, do esterno.
Somente não nascem do cérebro.

Cultivei-as como se planta
trigo no canavial.
Acendi-as como se ateia
fogo ao Mediterrâneo.
Besteiras me saem assim
– de um modo muito espontâneo.

Besteiras me fogem de casa,
escapam pelo ladrão.
Arma que só tem culatra,
soja que só tem ferrugem,
besteiras pra sempre serão.

E aqui mais algumas vieram
fazer companhia a vocês,
antes de voltar ao pó.
Por mais besteiras que diga,
um dia direi uma só.

Publicado em 11 de maio de 2004 às 19:31 por briguet

Comentários

  1. gabi
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"Não contavam com minha astúúúcia!"
(Milton Friedman with lasers)

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