Vamos embora pra minha casa,
eu sei que te conheci só faz 20 minutos,
e que estou um pouco alto, de farol baixo,
mas pode crer: sou um cara legal.
Vamos sair daqui, menina,
esta banda é muito picareta,
este bar é uma tristeza.
Vamos deitar no colchão –
é pequeno, mas confortável.
A gente se ajeita por lá.
E os sons que vêm do forro, menina,
não são ratos, eu garanto,
são pássaros, pássaros, só pássaros,
são aves atentas da noite.
Vamos embora pra casa,
não tem ninguém por lá, todo mundo viajou,
meu primo Beto está de plantão,
não tem cachorro que morde
nem gato que arranha.
Vou te mostrar umas coisas, menina,
os poemas que mudaram minha vida,
minha máquina de escrever sem letra A,
meu lendário descontentamento
e as fotos da turma canalha.
Saia do meio da rua, menina,
não fique deitada no asfalto.
Eu moro na frente da praça,
e quando chega o tempo certo
caem flores amarelas.
Deixe de histórias, menina,
vamos pra casa.
Publicado em 30 de abril de 2004 às 15:55 por briguet