Ontem, caderninho e gravador, fiz matéria sobre o Dia do Índio. O que me levou à inevitável pergunta: a que tribo pertenço? Ou, em caingangue: xe catauê raimãin?
Não sou índio, mas também não sou indie. Mesmo tendo comprado um CD do Radiohead, continuo sem conhecer nenhuma das bandas que o Bastardo, o Claudinho Yuge e o Fábio Galão citam com grande intimidade. Só conheço um bocadinho do Cure, final dos anos 80. Tenho um vinil deles. Ah: gostei do Radiohead. Mas ainda não comprei o segundo CD.
MPB? Confesso que já passou minha época de gostar disso aí. Respeito o Tom Jobim, o Chico Buarque, coisa e tal, e acho que o ódio visceral contra a Caetano Veloso é provocado menos pela música dele (há coisas horríveis, certamente; mas, procurando bem, sobram alguns achados) do que pela personalidade insuportável do cara. Trata-se de um dos caras mais chatos dubrasil, como diria meu amigo Lúcio Flávio, de passageiras agonias.
Hippie? Não dá. Tenho alergia a qualquer tipo de penduricalho, nunca usei mocassim, sou maníaco por banho, não gosto de comer em recipiente de alumínio, odeio andar descalço (da última vez que o fiz, há 15 anos, jogando futebol bêbado numa fazenda, peguei bicho de pé. Nunca mais fui a uma fazenda, nem joguei futebol). Daquela droga tão apreciada pela categoria, eu não consigo nem pronunciar o nome. Uso camisa social! Hippie está fora de questão.
Por uns tempos andei dizendo que era punk. Não no visual, é óbvio, mas no espírito. Besteira. Um punk de verdade não trabalha em jornal com carteira assinada (a não ser que seja office boy). Punk não toma chopp no H2. Punk não... Ah! É claro que eu não sou punk. Uma pena.
E, por favor, também não me enquadrem como um tipo erudito só porque ouço Bach. Não sei falar inglês, nunca li um livro de filosofia até o fim, sou alienado, ignorante, caipira urbano. Me sinto bem mais à vontade no Kotovelo´s Bar do que numa vernissage.
Só me resta uma conclusão. Eu pertenço à tribo dos babacas.
Publicado em 20 de abril de 2004 às 14:03 por briguet