I
Ventilador,
que sopras a Vênus
e os continentes,
que esfrias
os fogos
e jogas
cem portas
batentes,
e bates
nas ventas,
nas secas,
e moves
os mares
da mente,
comoves
a gente
que mira
os cabelos
brilhantes
da moça
que vende
o vento.
II
Que arte
adolescente
se move
na hélice
a tempo,
dissolve-se
e rege-se
em torno
do sempre
existente?
III
Em ti,
o épico
inteiro.
Respiração
do janeiro,
simétrico
em círculo
inteiro,
elétrico
até que o outono
ventile
o seu ar,
sem parceiro.
Até que o tempo,
ó vento honorário,
te faça voltar
ao degredo
do fundo
do armário.
Publicado em 20 de março de 2004 às 08:55 por briguet