Abstenha-se, Homem-Ressaca: já não há nada para consumir. Todas as reservas – de água, de alimento, de paciência, de saúde, de tempo, sobretudo de cerveja – foram esgotadas.
Retire-se, Homem-Ressaca. Dê o fora. Mexa o doce. Pique a mula. Deite o cabelo. Suma por uns tempos. Vá ver se você está na esquina. Provavelmente está. Você é um poste de carne e osso, Homem-Ressaca. Cuidado: o cachorro se aproxima.
Contenha-se, Homem-Ressaca. Pague suas contas, guarde suas palavras, cale sua boca. Hoje não é seu dia.
Desculpe-se, Homem-Ressaca. Sem choro ou ranger de dentes, mas com realismo (você sabe o que é isso, Homem-Ressaca?). Comece pedindo perdão à própria sombra. Afinal, ela também está de ressaca.
Respire fundo. Endireite a coluna. Abra os olhos. Enfrente o dia. Mate o tempo, antes que ele te mate.
Use o telefone. Ligue a TV, o rádio, o computador. Ouça Bach. Leia Herberto Helder. Acompanhe as emocionantes cenas do paredão. Finja que não é com você.
Mexa-se! Componha-se! Vire-se! Dane-se! E, se não quiser fazer nada disso, foda-se, Homem-Ressaca!
Mas não se esqueça de tomar antes a última Neosaldina da caixinha.
Publicado em 27 de fevereiro de 2004 às 15:14 por briguet
os holandeses estão vindo aí.
chegam no sábado...