Repórter das Coisas

Duas ou três coisas que eu gostaria de dizer antes de dormir

Cara, hoje foi um dia muito triste.

Fiquei pensando que eu deveria ter conversado muito mais com Estelio, deveria ter aprendido muito mais com ele, deveria ouvir seus conselhos. Mas eu perdi essas oportunidades. Durante os seis anos em que trabalhei na Folha, conversamos muito menos do que poderíamos ter conversado, imersos na ditadura do cotidiano.

Quando surgia uma dúvida na redação – sobre política, história, geografia, religião – logo alguém dizia: “Pergunta pro Estelio”. Agora, a redação está muito vazia. Não dá mais para perguntar pro Estelio.

Hoje, quando vi o boné do Estelio, o velho boné, esse que está na foto aí embaixo, quase desmoronei.

E encontrei o Galão no velório. O Galão e tantos outros companheiros de batalha. A bola está com você, Galão Mágico.

O texto do Zero ficou incrível, emocionante, avassalador. Tudo que deve ser um texto.

Bom é saber que o Estelio venceu a morte. Deu um verdadeiro baile na morte, esses anos todos. Mas, como todo bom vencedor, ele também precisou descansar. Louvado seja.

Ah, você quer saber como alguém vence a morte? Pergunta pro Estelio, cara.

Publicado em 18 de fevereiro de 2004 às 20:25 por briguet

Comentários

    • cara, eu também deveria ter conversado muito mais com ele. todos os anos, no natal, eu ligava pra cumprimentá-lo. no último natal, não telefonei. fui deixando (ah, gerúndio), deixando e, quando vi, já estava aqui de volta, no meio do trabalho, dobrando no plantão. aí inventei que o tempo tava muito corrido pra telefonar pra quem quer que fosse. eu devia era ter ligado pra ele todas as vezes que me batesse alguma dúvida. assim, eu teria conversado muito mais com o Estélio. feliz de quem conversou muito com ele.
    • por zero
    • 18.Fev.2004 às 20:54 - Permalink - Reportar
    zero
    • eu lembro que uns três meses antes de começar a trabalhar na folha eu entrevistei o estélio. um frila, uma matéria sobre judeus. ele contou histórias divertidíssimas, outras tristes, e é daquele papo de meia hora no fumódromo da folha que eu fiz minha imagem dele. eu não o conheci tão bem e ele já faz falta.
    • por canetti
    • 18.Fev.2004 às 21:15 - Permalink - Reportar
    canetti
    • Poxa, eu nem conheci o Estelio mas o admirava muito. E vou continuar admirando, sempre!
    • por janavila
    • 18.Fev.2004 às 22:39 - Permalink - Reportar
    janavila
    • Briguet, eu posso me considerar feliz, porque eu e o Estelio fomos grandes amigos, de trocar livros - que cultura aquele homem tinha, era um devorador de livros e tive a honra de lhe apresentar dois ou três autores que ele ainda não conhecia e que veio a se tornor fã - , de bater papo, de falar da vida (eu, da minha. Ele, da dele), de chorar as mágoas juntos. E até beber uma cervejinha. E posso dizer com segurança que, pelo menos, ele morreu feliz. A Rita, sua segunda esposa, era a razão de sua felicidade. E mesmo sabendo que seu fim estava próximo (até sobre sua morte nós conversamos. Acho que fui uma das poucas pessoas a conseguir falar isso com ele, depois que descobriu que o câncer já tinha se espalhado pelo cérebro), ainda assim estava feliz e em paz. Eu fico pensando que ela foi um anjo que Deus mandou para lhe dar esse repouso que ele tanto precisava. Ele merecia mais tempo com a Rita, para curar todas as feridas. Mas o pouco que teve, tenho certeza que foi muito bem empregado. E tenho certeza que está em paz. Não vamos ficar tristes por ele, não. Fiquemos tristes por nós, que perdemos esse amigão.
    • por Telma, a Elorza
    • 19.Fev.2004 às 11:21 - Permalink - Reportar
    Telma, a Elorza
    • vamos parar de chorar please?
    • por vamos parar de chorar please?
    • 19.Fev.2004 às 13:23 - Permalink - Reportar
    vamos parar de chorar please?
    • Eu acho que ele era um desses (ou daqueles) jornalistas que fazem (ou faziam) a gente querer ser jornalista. Mas que quase não existem mais.
    • por P.Galvez
    • 19.Fev.2004 às 14:39 - Permalink - Reportar
    P.Galvez
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