Cabeça está cheia de sangue e cerveja,
as mãos se atiram ao trabalho inútil.
Não sabem contar quantas estrelas morrem,
agora ou agora ou agora ou agora.
E a cada palavra, a cada hiato,
morrem mais estrelas, morrem mais os homens,
morrem mais cabeças, morrem, remorrem.
Meu olho está cheio de sangue e cerveja,
as cores de agora lembram velhas cores,
e o que é mais claro mais ninguém quer ver.
Estamos tão perto da dura verdade,
Que o olho não vê o que é mais evidente.
Que nome um cego dará a uma cor?
Que frase um cavalo retira de um livro?
Que sons aparecem a um cachorro surdo?
E a quem não nasceu, que dor ou prazer?
Então novas cores acham velhas cores,
e a última hora acaba aqui.
Meu corpo padece de sangue e cerveja
e as mãos com as mãos enterram estrelas.
Publicado em 08 de fevereiro de 2004 às 22:13 por briguet