Repórter das Coisas

Sangue e cerveja – parte II

Cabeça está cheia de sangue e cerveja,

as mãos se atiram ao trabalho inútil.

Não sabem contar quantas estrelas morrem,

agora ou agora ou agora ou agora.

E a cada palavra, a cada hiato,

morrem mais estrelas, morrem mais os homens,

morrem mais cabeças, morrem, remorrem.


Meu olho está cheio de sangue e cerveja,

as cores de agora lembram velhas cores,

e o que é mais claro mais ninguém quer ver.

Estamos tão perto da dura verdade,

Que o olho não vê o que é mais evidente.


Que nome um cego dará a uma cor?

Que frase um cavalo retira de um livro?

Que sons aparecem a um cachorro surdo?

E a quem não nasceu, que dor ou prazer?


Então novas cores acham velhas cores,

e a última hora acaba aqui.

Meu corpo padece de sangue e cerveja

e as mãos com as mãos enterram estrelas.

Publicado em 08 de fevereiro de 2004 às 22:13 por briguet

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(Milton Friedman with lasers)

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