Oi, tudo bem? Meu nome é Paulo. E o seu? Eu venho sempre aqui.
Gosto de tudo. Só não gosto de assobios.
Sou tão avesso a eles que nem sei assobiar.
Se você me encontrar na rua, no bar ou em outro lugar, diga meu nome: como eu já disse, é Paulo. Ou então, Briguet (pronuncia-se Briguê, mas pode falar Briguete, eu não ligo). Se você errar o nome – se preferir Ranulfo, João Rezende, Pafu, Zé, Marcelo Rocha, Grota ou Frazão – não tem importância não. Só não assobie, mordeDeus.
É tudo que eu peço. Pode xingar, chamar de canalha, rotular de sacripanta, espinafrar (sempre quis usar esse verbo: espinafrar). As meninas no Bar Brasil me consideram tio delas e eu nem ligo. Assobiar é que é o problema.
Diga não ao assobio: faça algo melhor com o ar. Respire-o, por exemplo.
Deixe o assobio aos pássaros da manhã.
O ar é sagrado. Evite assobiá-lo.
(Eu peço tão pouco. E não me atendem.)
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Um amigo me pergunta por que eu não escrevo sobre a morte. Mas eu só escrevo sobre ela.