“Vê se o meu blog tem foto com ventinho...
Ah, passa amanhã!”
(Meu amigo Marcelo Rocha, no Bar Brasil, com toda a razão.)
Sei que não tenho sido um bom filho – ligo pouco, sou ausente, não organizo meus documentos, não pago previdência privada, não controlo minhas despesas, dou mil desculpas para não visitar meus pais. E tenho tanta sorte, eles são tão bons, dedicados, preocupam-se tanto comigo. Também não tenho sido um bom irmão, pelos mesmos motivos.
Sei que não tenho sido um bom amigo – não telefono, não respondo aos e-mails, esqueço compromissos, falo bobagens em profusão, passo longos períodos sem dar sinal de vida.
Um bom namorado, estou longe de ser – bebo demais, freqüentemente viro Massey Ferguson, tenho crises de melancolia, vivo fazendo pegadinhas bobas. E você é a melhor namorada do sistema solar.
Tampouco bom padrinho. Vejo o Danilo, em média, uma vez por mês, talvez nem isso. Justamente agora, ele está aprendendo a falar, sabe até dizer o meu nome, e pergunta o nome de todas as coisas. Ontem, ele chorou porque eu lhe dei uma bronca. É, eu sei que não sou um bom padrinho.
Um bom cronista? Estou longe de ser. Admito, como já apontaram meus argutos críticos, que às vezes sirvo-me de fórmulas fáceis e tolas. Mas o problema central está na dificuldade de libertar a voz do coração.
Não sou um bom jornalista. Não tenho objetividade nas veias, nem consigo me interessar pelo mundo objetivo. E tenho um ritmo lento, nenhuma esperteza. Mesmo assim, vou tentando: preciso ganhar a vida. Agora, em vez de escrever este post confessional (como, evidentemente, são todos os posts), eu deveria estar redigindo o material do Festival de Jazz, ou da Orquestra de Câmara.
Um bom cristão... Há quanto tempo não leio São Paulo? E São João? E Jó? Há quanto tempo não tenho um ato de caridade, fé, esperança (os três pilares do cristianismo)?
Enfim, sou um tipo lamentável. Sei que minha autocrítica não foi das melhores, mas as manhãs de sábado existem para isso. A solução, como diz meu amigo Ricardo Nélson, é continuar amando e escrevendo, escrevendo e amando. E que o domingo nos seja leve.
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Se você quiser saber se um cara está bêbado, peça para ele falar a palavra EVIDENTEMENTE.