Repórter das Coisas

efeitos do eclipse

Lua sangrenta


1.


No sábado, eu e você estávamos na sombra que a Terra lançou no espaço, transformando a Lua em sangue.


**********

2.


A Lua é de sangue,

os cães ficaram loucos.

Não acho mais a casa

onde moro há tantos anos.


Não sei mais onde moro,

não vi mais o meu quarto,

não abram as janelas,

os cães ficaram loucos.


Nem portas, nem janelas

se abrem nesta casa.

A Lua é de sangue,

o corpo, uma ferida.


O corpo é uma ferida

à sombra desta pele.

À sombra desta casa,

as noites são de sangue.


Não sei mais onde as portas,

não vi mais as janelas.

Na casa estou trancado

há bem mais de cem anos.


Não moro mais em casa,

não olho mais pra Lua,

não ouço mais o grito

dos cães dentro da pele.


E a noite ficou louca,

e a casa virou sombra.

Eu também sou a sombra

que faz da Lua sangue.

Publicado em 10 de novembro de 2003 às 10:33 por briguet

Comentários

    • A lua estava bem louca!!!! aliás....tudo mundo anda meio assim....louco de tudo...
    • por danilo
    • 12.Nov.2003 às 13:23 - Permalink - Reportar
    danilo
    • Briguet,

      maravilhoso este poema!
      Na verdade, não sei se nas suas crônicas você é mais cronista ou poeta. Acho que está ficando cada vez mais poeta. Eu acho ótimo. Assim ganhamos mais um grande aliado.

      abraços

      Karen
    • por Karen Debértolis
    • 17.Nov.2003 às 23:09 - Permalink - Reportar
    Karen Debértolis
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"Não contavam com minha astúúúcia!"
(Milton Friedman with lasers)

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