(Um daqueles escritos de segunda-feira.)
Devolvam os 60 minutos
que me foram roubados
do sábado e da vida.
Quero de volta o sono,
quero o mesmo compasso
dos batimentos cardíacos.
Quero de volta a crônica
que eu pretendia escrever
naquela meia-noite.
Quero sístole e diástole
na harmonia dos ponteiros.
Não quero tempo adiante.
A meia-noite é minha,
não é uma hora apenas.
Não quero o dia útil
com douta arrogância
chegando assim tão cedo.
O Sol, pedante e forte,
invadindo meu escuro
com seu calor de morte.
A meia-noite é minha.
O meio-dia, não sei.
Não perceberam?
O Homem mandou chuva e vento
só para condenar
esta forma ultrajante
de deturpar o tempo.
Dez horas não são onze.
Oito não são sete.
Duas não são três.
Não fiquem fazendo hora
com o metabolismo alheio,
não gerem economia
com sangue e suor inocente.
Sou da noite, não do dia.
Não posso esperar tanto tempo
pra ter minha hora de volta.
Que façam parar o relógio
agora, meu Deus, agora.
Devolvam os 60 minutos.
Para o Sol eles são nada,
para mim eles são muito.
Publicado em 20 de outubro de 2003 às 16:03 por briguet