(Uma crônica para você não chorar com a nova semana.)
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“Olhe bem, preste atenção...”, dizia a musiquinha do Fantástico. Tão triste: acabou o final de semana. Amanhã tem escola. Acabamos de comer o macarrão que sobrou do almoço; tomamos a Coca-Cola meio sem gás; só tem asa de frango.
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Um quarto de século depois (quer dizer: agora) olho para o relógio e percebo que faltam menos de duas horas para o domingo acabar.
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Já se foi o tempo em que eu detestava os domingos. Na verdade, o meu antigo ódio – como todo ódio – era apenas uma forma vazia: a impossibilidade de expressar o amor incondicional que eu tenho pelo primeiro dia da semana. O que me revoltava não era a existência do domingo, mas o fato de que ele termina. Meu sonho é viver um domingo sem fim.
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Hoje, procuro aceitar a finitude dos domingos com uma aliança de serenidade e desespero.
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O tempo passou, no pentâmetro iâmbico dos batimentos cardíacos, e eu descobri que amo os domingos. Amo as manhãs azuis e as ruas silenciosas; amo o almoço regado a cerveja e a melancolia das tardes vorazes; amo a enigmática noite budista; amo as luzes acesas e apagadas em todos os lugares do mundo; amo o bebê de 11 meses que carreguei no colo e sorriu para o cachorro branco no Zerão; amo dormir e sonhar que estou vivendo no cenário do filme “Paris, Texas”; amo o corpo da mulher na sombra amarela do poente.
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Agora eu sei que sou dominical: nasci e vou morrer no domingo. Logo virá a segunda-feira. Sinal de que tenho medo. Sinal de que amo e estou vivo. Olhe bem. Preste atenção.
Mas é uma delicia.
(e eu tb nasci num domingo. MInha mãe lembra sempre pq ela esta aassistindo "Silvio Santos"...heheheh)