Ele é pequeno – pequeno mesmo - desses que são jogados no ventilador pelos colegas da 5a. série ginasial.
A pergunta é: CADÊ PAFU? Suas reduzidas dimensões físicas tornam a busca ainda mais difícil. Para piorar, ele adota o codinome JEAN quando dá aulas de matemática.
Alguém diria que então é fácil encontrá-lo! Engano. Quando o procuramos na aula de trigonometria, dizem que ele está na aula de geometria analítica; quando o procuramos na aula de álgebra, dizem que ele está na aula de reforço; quando o procuramos na aula de história medieval, dizem que ele está na aula de lambada; quando o procuramos na aula do
Tanga, dizem que ele está no bar. Ei, alguém aí viu o Pafu?
Seus alunos e alunas dizem: “Ele é tão feinho que chega a ser bonitinho”. A despeito da estética nada convencional, Pafu namora uma linda garota, Adriana, natural da cidade de Uraí. Na última vez em que se viu Pafu, ele cantarolava o samba de Zé Kéti: “Se alguém perguntar por mim / Diz que fui pra Uraí / Levando um violão debaixo do braço”. Detalhe: o violão é meu!
Apesar dos crimes que lhe são imputados – calvície; impontualidade; tirar a camisa nas festas; conversa fiada; arrumar briga com a Torcida Independente do São Paulo; planos mirabolantes de vender pastel na feira; admiração por George Michael e Ivete Sangalo –, sou amigo do pilantra. Amigo, irmão, padrinho de seu sobrinho e tio por afinidade. Mas fiador, não! Fiador, jamais!
Ele é um crânio – o que pode ser facilmente visto, dada a ausência de cabelos. Já estudou administração na GV, e se tivesse concluído o curso hoje estaria no governo. Graças a Deus, isso não aconteceu! Se o país ficasse na mesma situação que a casa do Pafu após as festas que ele promove, estaríamos mal, muito mal!
Seu sonho é unir matemática e história numa só ciência. Sei lá o que vai dar, mas sei que ele vai conseguir. E eu não quero estar por perto quando acontecer. Talvez o mundo venha a ser algo como um de seus churrascos, acontecimentos caóticos que se repetiam mensalmente na casa do indivíduo, antes que ele sumisse do mapa. Para cada churrasco do Pafu, só há uma definição: “É ruim, mas é bom!” No penúltimo, quase teve briga de mulher.
Conheço Pafu há tanto tempo que ele era cabeludo. Sei que ele tem alguns hábitos, que podem facilitar a identificação:
1. Pafu adora geopolítica. Se alguém começar a falar simultaneamente de Likud, IRA, Golfo Pérsico, Vietnã, ONU, Unesco, OMS, Médicos Sem Fronteiras, facções do Partido Socialista Francês, petróleo de Baku e refugiados da Mauritânia – esse alguém só pode ser o Pafu.
2. Pafu conhece tudo sobre o Antigo Egito. Desconfio que o vigarista não leu o “Crime e Castigo” que lhe dei de aniversário – mas faraó é com ele mesmo. Se alguém recitar as dinastias egípcias de madrugada, não tenha dúvida: É O PAFU.
3. Pafu costuma se apresentar como jornalista. Diz que foi editor de Política de jornais contra a ditadura militar, embora tivesse menos de dez anos de idade na época. Dizem que ele conseguiu registro profissional, ninguém sabe como. E já foi convidado para ser correspondente do Última Hora em Londrina. Que o UH não exista é apenas um detalhe. Pafu tudo pode – mas nem tudo lhe convém.
4. Pafu é demorado. Com ele, as coisas não costumam ser, digamos assim, batata. Queria que eu desse uma aula de Revolução Russa para turmas de colegial. Demorou tanto que eu nem sou mais comunista.
Por essas e outras razões, eu peço: se alguém encontrar o Pafu, entre em contato com este blog. Estamos preocupados. Com Pafu solto no mundo, ninguém sabe o que pode acontecer. Ao mundo!