Estou com um problema.
Há poucos dias publiquei uma
crônica sobre a pomba que resolveu fazer ninho na minha janela.
Achei ótimo ser anfitrião da ave.
Muita gente aprovou meu gesto. Duas amigas, no entanto, me alertaram: a proximidade da pomba pode causar diversas complicações – de saúde.
A primeira amiga, Sílvia, disse que a pomba transmite terríveis piolhos.
A segunda amiga, Deni, chamou as pombas de “ratos com asas” – bela imagem poética! – e disse que elas transmitem oito tipo de doenças. Se fossem dez tipos, não seria tão assustador; mas oito tipos de doença causam medo em qualquer um.
Um terceiro interlocutor, o tipológico
Bala, adaptou um velho ditado espanhol, e escreveu: “Cria pombas, e elas te devoram”. Isso também me bota medo.
Por falar em botar, os dois ovinhos da pomba continuam ali. Brancos e, aparentemente, inofensivos no pobre ninho natalino.
Como diria um jovem nos anos 70: POMBAS!
Sou moralmente incapaz de desfazer o ninho – principalmente depois de ter feito uma crônica sobre a pomba! Pensei, então, numa solução intermediária: usando luvas protetoras, transferir o ninho, intacto, para outro local, numa caixa de papelão.
Consultei minha assessora especial para Assuntos de Limpeza & Questões Relacionadas a Animais e Plantas, dona Santina, e ela imediatamente demoliu a minha idéia supostamente brilhante. Segundo minha fiel secretária, as pombas são bichos esquisitos, e jamais cuidam do ninho se ele for transferido de local.
Mas, apesar de maníaco por higiene, serei estóico: deixarei a pomba chocando seus ovos. Afinal, seja ela um rato com asas ou não, foi escolhida como símbolo da paz e personificou o Espírito Santo no batismo de Jesus (não é mesmo, caro Bala?).
Que a pomba fique em paz, enquanto rezo pela minha saúde.
Se eu pegar piolho, por favor não me abandonem, amigos. Foi por uma boa causa. Que a vida – inclusive ratos e pombas – siga seu rumo.