Gosto de imitar as pessoas.
Minhas especialidades, porém, são poucas: professor Eduardo, Sílvio Santos (um clichê), Casagrande, Guilherme Arantes, Belchior, Roberto Carlos (outro clichê),
Rodrigo Grota (work in progress).
Nos últimos tempos, tenho me dedicado à difícil arte de imitar a mim mesmo.
Como é isso?
Dedos que pontuam a conversa (como se fossem vírgulas traçadas na ar); lencinho na testa; falsa timidez; desculpas no atacado; sorrisos diplomáticos de olhos fechados; galanteios em profusão (só para você, é claro, e você sabe quem é “você”); um jeito de colocar o Henry Miller na conversa; “Uma cerveja, Inês, por favor”; momento piada infame; “Não se deve beijar a mão de moças ao ar livre”.
E um eterno, eterno desperdício de palavras – como as que você acabou de ler.
A boa imitação sempre é mais original do que o próprio original. Um dia eu chego lá. Ou melhor: cá.
Assinado, o imitador de Paulo Briguet.