Repórter das Coisas

VIDE VERSOS DE SEGUNDA

Espero que a sua segunda-feira não seja garfieldiana. Por isso, ofereço-lhe estes versos de segunda.


ONIPRESENÇA VERA


Um amor se muda só, calado.

Em revolutas vias se dissolve

E se refaz maciço em novo fado.


Amor-destino monolítico:

Desfeita a pedra em pó inominável,

Invade a litosfera corpo-espírito.


Pedir à alma que um amor esqueça

(E à própria carne, em nome do descanso)

É esquecer que toda pedra pensa.


Amor em todo seixo sobre a Terra,

Em cada grão, planície, campo, charco –

O nome chão de onipresença vera.


Não te afastes, pois, da ubiqüidade

Em carne e osso corporificada;

Da turbulência que o teu chão invade.


Nos conteúdos e nos continentes,

Desaba louca chuva amorável,

Este dilúvio fero e permanente


Em que se afoga um tal Noé monarca,

Do desespero e gozo imperador,

Que bebe vinho e nunca teve arca.


O ser é esse rei embriagado

Nas revolutas ondas do prazer;

É que o amor se muda por um fado,


Até que o mar lhe venha adormecer.

Publicado em 23 de junho de 2003 às 09:38 por briguet

Comentários

    • nada melhor q um novo amor..ou um novo fado...
    • por mari
    • 24.Jun.2003 às 00:07 - Permalink - Reportar
    mari
    • fui ler teus versos de segunda só na quarta, o que os deixou mais eloquentes e a mim mais admirado, que li, reli - chão, vero, inominável - e não tenho uma palavra sequer para expressar meu contentamento para com esses versos de segunda que só na quarta se avivam - litosfera corpo-espírito - os versos de segunda que provavelmente terão que ser relidos na quinta, deglutidos na sexta e desarranjados na sinfonia do sábado.
    • por beethoven
    • 25.Jun.2003 às 10:02 - Permalink - Reportar
    beethoven
    • Acho que já havíamos nos encontrado antes, eu e seu poema. Não sei bem exatamente em qual dessas esquinas azuis da vida, contudo foi marcante e belo, como tudo que vem de você.
    • por Ana
    • 08.Jul.2003 às 20:25 - Permalink - Reportar
    Ana
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PAULO BRIGUET, SEU CRIADO

Dizem por aí que o autor deste blog é chato, feio e bobo – a exemplo do capitalismo e do judaico-cristianismo que ele defende com unhas, dentes e, acima de tudo, argumentos assaz irrespondíveis (para desconcerto dos oponentes).

Ex-trotskista, ex-ateu, ex-sindicalista, ex-cantor, ex-ex, arrepende-se de (quase) tudo. É amado e odiado na exata proporção de sua obscuridade.

A liberdade de pensamento e expressão aqui encontra guarida. A babaquice, porém, é rejeitada, apagada e excluída, quando não editada. Que os babacas sejam livres em outras freguesias. (Tosquices, ao contrário, são permitidas e até incentivadas.)

Quê? Jornalista? Desconheço, senhor. Alguém aí falou no assunto?

Que o Criador, bendito seja o Seu Nome, abençoe a todos os leitores deste blog. Lembre-se: Paulo Briguet reza por você.

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